Batman: Silêncio - Review

Quando o Homem-Morcego se apaixonou e quase perdeu


E se o Batman tivesse outra razão para se preocupar enquanto combate o crime? 
Talvez este seja um dos pensamentos dos criadores dos quadrinhos, principalmente do arco 'Silêncio', que fez sucesso no início dos anos 2000, pois trazia mais uma parte da personalidade Bruce Wayne que ainda não havia sido explorada. Mas, como tudo na vida do detetive mascarado não é fácil, temos um novo inimigo, mais inteligente que os demais, e que sabe como prejudicar tanto herói quando alter-ego. Sendo assim, na adaptação para uma animação em longa metragem temos uma leva de bandidos conhecidos e uma narrativa que comprova a qualidade das animações da DC Comics.

Após um embate contra Bane, Batman é ferido e quase morre. Porém, seu amigo Thomas Elliot o salva, mas Bruce sabe que algo está errado. Ao investigar percebe que as pistas levam a Mulher-Gato que está de volta a Gotham e a Hera Venenosa, contudo, existe mais uma figura que quer dar fim ao Homem-Morcego, seu nome? Silêncio, e desta vez será um jogo que envolverá muita inteligência e o passado do detetive mascarado.

Justin Copeland é quem comanda o longa de animação, transpondo com maestria as páginas criadas por Jim Lee e Jeph Loeb.
O diretor escolhe unir esta aventura, ao mesmo universo de tantas outras que já ganharam adaptações, como Liga da Justiça: Guerra, Trono de Atlântida e Liga da Justiça Sombria, mantendo o traço conhecido, que lembra muito aquele que foi apresentado durante a fase Novos 52. Atrelado a isso, diversas cenas de ação são acrescentadas e algumas alteradas dos quadrinhos, para dar mais dinamismo aos acontecimentos, já que a produção tem pouco mais de uma hora de duração. Porém, isso não reduz em nada a trama, que segue uma linha mais fluída e com um ritmo certo para cada um dos aspectos do Batman que querem mostrar. Da mesma forma, todo o lado de detetive se coloca em maior proporção, com sequências onde o herói investiga, questiona, interroga, faz análises, algo que vemos pouco nas tranposições para outras mídias do personagem, que aqui ganha uma real importância para a continuidade da trama. Ademais, o traço da animação é fluido, mesclando em alguns poucos com um leve uso de 3D e 2D, para dar profundidade a ambientações, objetos e explosões quando necessário. Mantendo assim qualidade das animações da DC!


O roteiro então toma algumas liberdades e altera os caminhos para o desfecho de Silêncio, o que não prejudica ou altera o clima de mistério que a narrativa mantém do início até o fim. E como se fosse de forma duplicada, acompanhamos dois enigmas até o clímax, o primeiro está relacionado a identidade do vilão que dá nome a produção, o segundo, no romance de Selina Kyle e Bruce Wayne.
Este segundo ponto vai sendo construído ao longo da trama de forma gradual, sem pressa e quando ocorre é como se já estivesse ali há tempos, só restava mesmo os personagens terem esse encontro, entretanto, quando falamos de Batman qualquer sentimento se torna um turbilhão de emoções desastrosas, o que o texto deixa bem claro a medida que vamos chegando ao primeiro ponto do mistério da animação. O desfecho confronta os dois aspectos da vida do herói, já que o vilão e a mulher que ama estão no mesmo lugar, esperando por alguma ação. E quando ocorre temos novos aspectos da personalidade de Bruce, inexplorada em outras mídias, mas que aqui ganham destaque. Tudo isso em meio uma trilha de acontecimentos causados pelo vilão que aos poucos vai mostrando que o herói nem sempre está preparado, contido ou consegue se manter dentro do código que ele mesmo estabeleceu, o levando a quase matar um de seus antagonistas!
Voltando as alterações realizadas, para quem leu o arco dos quadrinhos irá perceber, a partir do segundo ato, que a obra decidiu seguir por um outro caminho, até mesmo na revelação de quem é o Silêncio, na gama de vilões que aparecem, porém, nada que possa tornar a experiência ruim, pelo contrário, apenas instiga ainda mais o espectador e até mesmo gera aquele desejo por uma continuação!

Batman: Silêncio é uma adaptação que honra o material original além de manter a qualidade das produções animadas da DC Comics. 
Com uma direção que utiliza bem os traços, colorido, em alguns momentos da computação gráfica, o arco adaptado ganha vida e mantém o mistério necessário que as páginas possuíam. E apesar das alterações na narrativa tudo continua sendo uma trama que instiga, repleta do enigma exato para entreter todo e qualquer espectador, tendo lido os quadrinhos ou não.
Se o Homem-Morcego realmente esteve apaixonado e se seu inimigo mexeu tanto assim com sua cabeça, era algo que até mesmo ele não esperava, pois sabemos que para todo o resto, o Batman possui um plano, seja para conter o Superman, deter o Coringa, ou enfrentar o Bane. Mas se tratando de questões do coração, até mesmo o maior detetive dos quadrinhos foi inesperado o efeito causado, porém, sempre e acima de tudo, o seu código irá se manter, mesmo que ele tenha que deixar seus sentimentos desaparecerem em meio ao silêncio de Gotham!
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