Atentado ao Hotel Taj Mahal - CRÍTICA

Um registro visceral da capacidade humana em prol da violência


Em novembro de 2008,  mais de dez atentados terroristas ocorreram na cidade indiana de Bombaim, mais de 190 pessoas foram mortas, incluindo estrangeiros que visitavam a cidade, conhecida como a capital financeira e a maior do país. E um dos momentos de maior pânico se deu no Hotel Taj Mahal, também conhecido como Hotel Mumbai, onde cerca de 200 hóspedes foram retirados, porém deixando um rastro de mortes, principalmente dos funcionários, que deram as vidas para salvá-los. Assim, a produção de Anthony Maras nos conta esses fatos sob diferente olhares, contudo, mostrando a violência causada de uma maneira brutal.

O grupo islâmico Lashkar-e-Taiba começa a executar seu plano de atentados pela Índia, concentrados principalmente na cidade de Mumbai. Durante os ataques terroristas ao famoso Hotel Taj Mahal, um grupo de funcionários tenta salvar os hóspedes, mesmo que isso coloque suas vidas em risco, porém o resgate só chegará dentro de 12 horas, colocando ainda mais a sobrevivência de todos a mercê dos assassinos.

Anthony Maras dirige e também cuida do roteiro, explorando três pontos de vista diferentes da história. O diretor decide contar sua narrativa sob o olhar dos hóspedes, dos funcionários e dos terroristas.
A medida que a produção tem início, e vai ganhando forma em tela, a tensão vai sendo construída, principalmente pelo jogo cênico de fazer com que os três arcos que conduzem a trama, venham se colidir de forma assertiva nos acontecimentos do Hotel. Com isso, a direção escolhe uma câmera intimista, próxima aos olhares e expressões de todos os personagens, fazendo com que os ambientes se tornem claustrofóbicos, por mais que haja uma grandiosidade no local onde as sequências ocorrem. 
Tais sequências não economizam na violência gráfica, brutal e direta, gerando então uma tensão que pode ser sentida a partir dos quinze minutos de película em tela. Assim, nessa atmosfera de perigo iminente, Maras cria situações de drama, medo e conflitos, graças a boa condução do elenco, que consegue transmitir a urgência pelo resgate de suas vidas. E quando tudo parece se resolver, o diretor entrega mais um ponto do aspecto violento dos algozes dos funcionários e hóspedes, elevando a vilania e os riscos presentes em toda essa história. Novamente, o jogo de câmera aproveita os corredores para fazer com que de forma abrupta os ataques ocorram, e por mais que não vejamos as vezes algum dos personagens por conta do plano escolhido, entendemos que não houve como ele escapar ileso. Pois por mais que estejamos acompanhando registros inspirados em fatos reais, o aspecto cinematográfico é colocado em prática em todo tempo, perambulando principalmente entre ação e suspense durante os 120 minutos de exibição.


Desta forma, a narrativa estabelece todo o contexto da época, contrastando também com os registros reais dos momentos terríveis dentro do hotel. Ao mesmo tempo, que ao estabelecer um trio de elementos de roteiro, que servem de fio condutor do thriller, há espaço para que os ponto de vistas sejam expostos. O fanatismo religioso e descontrolado dos terroristas, a preocupação dos funcionários pela segurança dos hóspedes (algo que soa como absurdo ao se projetarem como menos merecedores de serem salvos) e o drama de uma família que se esforça para manter-se unida, salvando o filho que nasceu há pouco.
Estes aspectos são suficientes para que história consiga capturar a atenção do espectador. A tensão do quesito técnico se une a profundidade da luta pela sobrevivência humana diante de uma brutalidade exacerbada e fora do controle. Ademais, o texto também toca em questionamentos acerca de como outros povos veem lugares como a Índia, como a exploração de países de língua inglesa ocorreram e até mesmo, uma crítica da guerra do Afeganistão. Nessa escolha, há uma "humanização" dos agressores em relação à suas vítimas, porém, quando se pensa que o roteiro possa extrapolar essa nuance, somos lembrados de suas reais atitudes, motivações e do quanto todos ali estão nas mãos de pessoas que se colocam como juízes de acordo com suas crenças.

Atentado ao Hotel Taj Mahal é uma produção que extrapola a violência gráfica, com sequências conduzidas através de tensão e dos suspense, em uma direção que sabe retirar desses momentos, boas atuações, elevando assim o nível da película através da relação de empatia criada com o espectador. Junte isso com a preocupação em contar os fatos como realmente ocorreram, acrescentando um ou outro elemento que deixa a narrativa ainda mais fluida e amedrontadora.
Ao final, temos um bom thriller que mescla ação e medo, dando espaço para que ambos elementos consigam capturar a atenção de quem assiste até os minutos finais. Pois não há nada mais assustador do que a natureza humana em prol da violência, principalmente quando os créditos finais nos lembram de que tudo isso ocorreu há pouco mais de 10 anos.

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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