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X-Men: Fênix Negra - CRÍTICA

O desperdício de um arco tão importante dos quadrinhos pela segunda vez


Em 2006, a primeira trilogia dos X-Men chegava ao final. Para isso, uma ideia importante e muito aguardada foi utilizada: A saga da Fênix Negra, onde uma entidade cósmica se apoderava do corpo de Jean Grey, elevando os seus poderes a um nível ilimitado ao mesmo tempo trazendo destruição por onde passava. Na primeira adaptação muitas coisas não convenceram, efeitos especiais bizarros e uma mutante que apenas parecia movimentar areia com as mãos.
Em 2019, chega ao fim a saga dos Filhos do Átomo no cinema, cometendo os mesmos erros daquela produção do passado, mesmo com o orçamento maior desta vez. O que não quer dizer nada de positivo neste caso.

Após uma missão no espaço, Jean Grey é tomada por um poder cósmico, um poder que já dizimou inúmeros planetas. A jovem então começa a perder o controle de seus poderes e cabe a Professor Xavier e seus X-Men deter a amiga antes que ela realize mais atos de devastação por onde passa. Porém mal eles sabem que a mutante está sendo caçada por criaturas que não são deste mundo.

Simon Kinberg dirige e roteiriza essa nova adaptação do arco criado por Chris Claremont, tão icônico da nona arte. Assumindo pela primeira vez o comando de uma produção, é perceptível o esforço em trazer ainda mais interação a equipe, a demonstração dos poderes e os perigos que estão enfrentando.
Apoiado aos efeitos visuais que empregam com assertividade o dom dos mutantes, o diretor escolhe usar planos convencionais, sem nenhuma inovação, para enfim poder contar uma história que faça sentido dentro de sua proposta. Nisso constrói bons momentos de ação como o resgate no espaço, a batalha em Nova York e o embate no trem. Novamente se apoiando na exposição dos poderes mutantes quando não se tem mais nenhum recurso criativo. Aliás, criatividade encontramos na trilha de Hans Zimmer, que aqui consegue dar emoção em momentos em que Kinberg esquece desse elemento em meio a um roteiro desmotivado, anti-climático e sem profundidade.
O que aparenta ao final, é uma obra feita de forma desleixada (por duas vezes o diretor escolhe mostrar queda de helicóptero sendo que começou uma batalha interessante em outro ponto), sem a pretensão de ser algo que realmente acrescentasse na jornada mutante nos cinemas (Quando precisamos ver a manifestação da força Fênix, somos interrompidos). É preciso lembrar que todo o sucesso da Marvel, as tentativas da DC, só estão acontecendo porque nos anos 2000, o primeiro filme dos X-Men abriu a porta para este mercado que se tornou um gênero do cinema. O que deixa toda a experiência de Fênix Negra ainda mais triste. Junte isso a um roteiro que não dialoga com a direção, e uma direção que não sabe usar o seu roteiro, sendo que ambos foram realizados pela mesma pessoa!


A narrativa então utiliza mais elementos que a primeira versão de 2006, ainda assim não adentra o universo mutante como deveria. Tudo se torna um grande jogo de esconde-esconde, onde em determinados instantes tudo parece deslanchar para uma apoteose potente, logo somos reduzidos a discursos incoerentes, frases de efeito e falta de informações. Há um ritmo que começa a ganhar forma e rapidamente é desconstruído!
Isso afeta totalmente a personagem principal deste arco, Jean Grey. Apesar do esforço ininterrupto e do talento de Sophie Turner (Que carrega o filme nas costas), sua Fênix não esboça motivações, razões pelos atos ou simplesmente há um legítimo confronto entre a jovem e a entidade que está em seu corpo. Entendemos a ameaça que o poder representa por conta das referências dos quadrinhos, porque se estivéssemos apenas tendo como guia o texto apresentado, certamente nada aqui seria proveitoso. Acrescente a falta de construção de vilania à protagonista do arco, situações pífias que servem de gatilho para seus poderes e uma outra vilã, interpretada por Jessica Chastain, que sofre com um enredo raso, pobre, não permitindo que a atriz demonstre o que sabe fazer.
Da mesma forma a personalidade de outros é reduzida, alterada ou novamente assume aspectos que já estavam resolvidos de outros filmes. Porém, se tratando de X-Men, sabemos que não existe coesão alguma nas ações. Logo, o roteiro mais parece ter saído de uma versão esquecida de "O Confronto Final", não há peso dramático, ou algo que realmente carregue a produção para um encerramento como deveria acontecer neste filme. Até mesmo o diálogo final entre Professor Xavier e Magneto é rápido, sem sentido e não expressa quem os dois realmente são!

X-Men: Fênix Negra é uma produção que consegue enganar o espectador em seu primeiro ato, tenta corrigir no segundo, perde força no terceiro e quando temos um clímax, é tão rápido que se você virar pra pegar a pipoca certamente irá deixar passar.
Simon Kinberg faz um trabalho amador, tanto no roteiro, que não expressa o que a personagem título é, quanto na direção, com diversos cortes onde não deveriam acontecer, apesar de acrescentar elementos importantes que a primeira tentativa de realização desta saga não conseguiu.
Existe um valor sem igual para as produções dos mutantes no cinema, a forma como chegaram a sétima arte, ganhando espaço e abrindo uma estrada para que universos inteiros ganhassem forma é sem igual, entretanto, durante esse processo, as produções esqueceram que deveriam seguir o mesmo avanço, deveriam ser o que sempre foram nos quadrinhos, direcionadores de um caminho novo, promissor e principalmente, melhor! É o fim de uma era X-Men nos cinemas, e quem sabe o começo de uma nova, porém até lá, deveremos ficar um certo tempo sem ouvir nomes como Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Professor Xavier e Magneto. 
Assim, se nos foi apresentado a finalização de uma trajetória, infelizmente, foi de um jeito decepcionante!

Nota: 1,5/5 (É... Existe)
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