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Turma da Mônica: Laços - CRÍTICA

A infância de muitos em longa-metragem


Ao pensarmos em Turma da Mônica, certamente iremos relacionar aos acontecimentos da infância. Das brincadeiras, dos passeios, das aventuras com os amigos, tudo isso, unido aquela nostalgia e um sentimento que gera uma verdadeira felicidade ao permear as memórias. Nessa mesma sintonia, a primeira produção cinematográfica que transporta o universo criado por Maurício de Souza, inspirada na história criada por Vitor e Lu Cafaggi, é um verdadeiro presente aos leitores de todas as idades da Turma da Mônica, que nas mãos de Daniel Rezende se torna uma ode a todos os momentos onde criamos os verdadeiros laços para a vida.

Cebolinha tem um plano! Mais um na verdade. Ao lado de Cascão, ele precisa do coelhinho da Mônica, para então se tornar o "Dono da Lua", mas nada sai como esperado. Até que um dia, floquinho, o cachorro do menino que troca as letras, some, fazendo com que a turma toda venha se unir em uma aventura cheia de desafios e perigos, além da fome descomunal da Magali o tempo todo.

Daniel Rezende realiza um trabalho exímio e brilhante ao transportar com cuidado, dedicação e carinho tudo aquilo que foi criado há 60 anos. 
Ambientação, fotografia, design de produção conseguem executar com maestria a tarefa de tornar tudo o que está sendo visto, crível. O espectador certamente desejará visitar o Bairro do Limoeiro, conhecer as casas, a vizinhança, pois cada um dos elementos evoca uma parte da memória afetiva que possuímos da infância. Nisso, o diretor brinca com a câmera, indo de planos abertos, longos, closes, tomadas aceleradas, sequências que expressam o suspense e a aventura, sempre demonstrando uma leveza em seus movimentos ao capturar cada uma das ações. Desta forma, somos condicionados a diversas emoções durante a trama, risos, choro, estarão presentes, pois a direção sabe como extrair ótimos momentos do seu elenco, com uma honestidade de pureza que somente os personagens de Maurício de Souza poderiam demonstrar ao ganharem suas versões de "carne e osso"! Em diferentes sequências é possível encontrar referências a outras obras como Conta Comigo, Os Goonies, Esqueceram de Mim, só que com a personalidade de Daniel Rezende. Há toda uma movimentação altamente criativa quando o plano final é colocado em prática, onde cada ator tem uma ação específica e a câmera faz questão de acompanhar cada ato, passo, corrida e gesto.
Junte tudo isso a um colorido que faz referência as ilustrações empregadas pelos irmãos Cafaggi na graphic novel homônima que inspira o longa. Aliás, as sequências mais importantes das páginas estão lá, ganhando ainda mais vivacidade. Sem contar a trilha sonora que fecha o pacote de produção realizada com esmero, indo pela canção tema de Mônica, passamos por uma balada ao violão com Tiago Iorc e chegamos a Fagner! Sim, em uma das sequências mais engraçadas do filme!
Tudo isso feito justamente para entregar uma produção que tem por missão resgatar os bons momentos, a diversão e o prazer de assistir uma aventura, atrelando isso a um comando técnico invejável.


Assim, a narrativa toma como base os quadrinhos, ao mesmo tempo que expande e faz com que outros elementos venham a ser encontrados por quem está assistindo. Seja em cima da cama, no jornal ou no parque, iremos encontrar várias figuras conhecidas das histórias, que completa o pacote nostálgico criado. Logo a história aos poucos vai entregando a aventura principal, baseada em algo já familiar dos quadrinhos: Os planos infalíveis do Cebolinha, que servem para movimentar a trama. Por sua vez, as camadas de cada membro da turma principal vai sobressaindo, indo além do que sabíamos, deixando assim para que uma elementar ferramenta sirva para criar os momentos onde cada um irá aprender algo, a amizade. Os laços que vão sendo colocados a medida que as crianças avançam em sua aventura servem como metáfora para os vínculos que criamos e a importância que damos a cada um deles. Principalmente ao demonstrar que nem sempre aquilo que tanto almejamos é o que realmente importa, mas as relações que criamos através da jornada auxiliam a conquistar o objetivo que tanto se faz necessário. Por isso, cada um é essencial. A fome de Magali, o medo do Cascão de água, a força da Mônica, a genialidade de Cebolinha, e quando há uma conformidade nesses aspectos das personalidades, a tela se enche de tudo aquilo que Maurício de Souza realizou ao longo de sua carreira como quadrinista. 

Tais aspectos estão diretamente relacionados ao elenco que representa os personagens de uma maneira sem igual.
Giulia Benite é a Mônica, brava, forte, destemida, mas quando precisa encontrar o caminho para a fragilidade e doçura, contemplamos uma interpretação honesta e sensível.
Laura Rauseo é a vontade, a tranquilidade e a honestidade de Magali em tela, sem falar na fome, que a atriz deixa bem clara e natural a cada olhar para a comida que aparece.
Gabriel Moreira entrega um show de expressividade, energia e um ritmo de humor exato para nos apresentar um Cascão divertido, carismático e debochado.
Por fim, Kevin Vechiatto nasceu para ser o Cebolinha (a desenvoltura para trocar as letras é natural), inteligente e sagaz, sua interpretação captura para si o centro da história, nos deixando cada vez mais cativos a tudo o que seu personagem irá realizar e quando as lições aprendidas o acertam, a emoção toma conta da tela.

Turma da Mônica: Laços é uma produção que vai além da nostalgia, é uma homenagem para o criador e para aqueles que se formaram leitores através de suas histórias.
A direção então emprega todos os recursos com maestria, fazendo com que fotografia, design de produção, direção de arte, figurinos e trilha sonora andem em compasso com a narrativa, gerando um universo inteiro palpável e realista. Logicamente, Daniel Rezende se torna um dos, se não o maior, nome do cinema nacional dos últimos anos.
Ao final, quando aventura acaba, é o mesmo sentimento de quando as brincadeiras chegavam ao final em um dia de férias, no fim de semana, ou quando era preciso ir para terminar a lição de casa. É aquela sensação de um infinito divertido, que sempre trará uma oportunidade para se criar uma nova aventura, contudo, muito mais relevante que isso, os laços que criamos farão parte de toda essa memória, ainda que alguns se soltem pela estrada, a trajetória ao lado daqueles que sempre nos apoiaram, absolutamente fará toda a diferença quando o objetivo for alcançado.
O plano infalível de Maurício de Souza era nos lembrar que amizade é o melhor sentimento para demarcar o caminho!

Nota: 5/5 (Espetacular)
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