Turma da Mônica #2: Laços - Review Quadrinhos

Uma releitura brilhante



O Bairro do Limoeiro tem sempre uma história pra contar! Envolvendo os planos infalíveis do Cebolinha que normalmente não dão certo, o Cascão que não gosta mesmo de água, a Magali que sente muita fome em todo tempo e a Mônica que é a dona da rua sem dúvidas. Dentre todos os elementos conhecidos, o quarteto de amigos aqui ganha uma nova versão que expressa toda a inocência e pureza da infância, ao mesmo tempo que demonstra que o universo criado por Maurício de Souza pode expressar amizade, união e a força dos laços que nos cercam. 

Turma da Mônica: Laços faz parte do selo Graphic MSP que traz novos talentos dos quadrinhos nacionais adaptando e dando as histórias criadas por Maurício de Souza sua personalidade e traço. Desta vez, Vitor e Lu Cafaggi assumem o comando criativo desta história, dando a ela um tom e aventura oitentista, envolvendo o desaparecimento de Floquinho e a turma ainda mais unida nessa busca.

Os irmãos Cafaggi são responsáveis tanto pela história quanto pelos desenhos e cores empregadas nessa obra publicada originalmente em 2013.
De um jeito altamente particular, os traços são colocados com uma leveza e movimentação singulares, dando aos personagens expressões ainda mais realistas com um toque vintage na coloração, o que remete o leitor as histórias clássicas que abriram caminho pra a nona arte se tornar algo tão importante na cultura pop.
Junte isso a detalhes que são exaltados nas formas, nos contornos e nos ambientes criados. Nisso, cada um dos membros da turma ganha sua versão, respeitando totalmente o que já foi criado anteriormente. Os fios de cabelo do Cebolinha se movimentam, até mesmo com vida própria indicando os sentimentos do menino, que aqui é uma figura de liderança. Mônica segue baixinha, gorducha, mas com um semblante mais sério. Magali é suavidade e pureza expressa, até mesmo nos momentos para comer. E Cascão, ganha um tom cômico sem igual, ao mesmo tempo demonstrando ser o mais centrado. O que também fica evidente em como as roupas ganham variações, em cores, modelos, trazendo mais proximidade e realismo aos personagens.


E ao adentrarmos o texto presente na obra, somos imersos a uma aventura sobre amizade, cuidado e união. O grande norteador de tudo é o desaparecimento de Floquinho, o quanto isso deixa Cebolinha triste, logo a turma toda é impelida pelo mesmo sentimento e isso os leva a procurar o cãozinho mesmo sem a autorização dos adultos. O roteiro ao desenvolver a trama principal também se preocupa na hora de honrar o que Maurício de Souza já realizou, inserindo de forma breve outros personagens, participações e dando mais camadas a pontos que o criador apresentou ao público no material original.
É perceptível os elementos da infância tão presentes, na vontade das crianças, no senso de desbravar o que é desconhecido, nos medos e acima de tudo, os vínculos estabelecidos. A narrativa criada pelos Cafaggi é uma verdadeira fábula dos laços que desenvolvemos nessa fase da vida, o quanto cada um é importante com suas características. A fome de Magali é essencial para sobrevivência da turma e para a missão principal, o companheirismo de Cascão o coloca como elo de todos, a força de Mônica se demonstra na prática e nos sentimentos, a genialidade de Cebolinha é o que faz com que todos possam alcançar o objetivo. Assim, as páginas de Laços se tornam um reflexo de muitas histórias que ouvimos e vivenciamos, que contamos hoje, já adultos, que são lembradas com todo carinho.

Turma da Mônica: Laços é uma obra única sobre o que a infância nos ensina acerca de amizade e lealdade, das aventuras que vivemos ao lado dos amigos. Lu e Vitor Cafaggi entregam uma história pautada na beleza, nos traços fluidos, nas cores sutis e delicadas, dando realismo a cada um dos personagens tão conhecidos dos quadrinhos nacionais. 
Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali assumem aqui o papel daqueles amigos com quem saímos de bicicleta, brincávamos, brigávamos, mas que ao final do dia, estavam todos lá, na mesma rua, no mesmo lugar, esperando pela próxima ideia, plano ou aventura. Uma doce lembrança do que é ser criança, com a turma que faz parte do imaginário de todos aqueles que começaram sua vida nos quadrinhos por conta de Maurício de Souza.
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