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Turma da Mônica #1: Quadrinhos e infância - ESPECIAL

Maurício de Souza não é o "Stan Lee brasileiro", ele é o primeiro e único Maurício de Souza


Ao pensar em Turma da Mônica a primeira lembrança ou ideia que vem a nossa mente é uma: Infância! Muitos de nós, começaram suas jornadas pelos quadrinhos lendo aquelas revistas em formatos pequenos, páginas meio amareladas, mas que possuíam narrativas tão próximas do nosso cotidiano, das brincadeiras, dos lugares que conhecíamos. Talvez alguns dos amigos nossos eram parecidos com a Mônica, a Magali, Cascão e o Cebolinha, ou para muitos a vontade era ter companheiros iguais aos das páginas criadas por Maurício de Souza era grande! O fato importante é que se ao menos uma vez essa leitura fez parte da sua vida, certamente você também se sentiu um pouco no Bairro do Limoeiro.
Então, o plano infalível de hoje é permear tudo o que faz da Turma da Mônica algo tão importante para cultura pop brasileira e mundial!

Tudo começa com um "Não"

Maurício de Souza, ainda criança, aprendeu a ler com os gibis. Nessa época morava em Mogi da Cruzes, interior de São Paulo. Seu pai, Antonio de Souza, era voltado para as artes, porém teve que deixar de lado as poesias e músicas, acabando por abrir uma barbearia para sustentar a família. Maurício então, apoiado pelo desejo de trabalhar com desenho, viu no pai uma inspiração e um incentivo de tentar a carreira naquilo que ele tanto amava. Já adolescente, trabalhava ilustrando, o que ajudava a pagar o aluguel de casa.
Em 1954, com 19 anos, morava em São Paulo, e foi tentar uma oportunidade de desenhista na Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo), assim ele obteve o seu primeiro "não" da carreira.
Contudo, esse momento de tristeza ganhou uma reviravolta digna dos melhores roteiros de quadrinhos. Um jornalista vendo como Maurício se encontrava após ser rejeitado, lhe ofereceu um emprego na redação, ainda distante dos desenhos, mas que serviria para trilhar seu caminho. Tempo depois, virou repórter policial da Folha, onde conseguia ilustrar os crimes ocorridos com sua arte.
Então, em 1959, surgiu a oportunidade tão esperada, Maurício publica sua primeira tira no jornal: Bidu! 
Logo, os demais personagens começaram a surgir, 1960, Cebolinha. Em 1961, Chico Bento. Por meados de 1963, a dona da rua é criada, Mônica, também é a época que Cascão surge. Já Magali, adentra a turma em 1964.


Turma da Mônica em Fatos e Números

A Maurício de Souza Produções se tornou uma das grandes editoras de quadrinhos do mundo, hoje tendo domínio de 80% do mercado brasileiro. Podemos citar também:

  • O primeiro gibi lançado da "Mônica e sua turma" é de 1970.
  • 1983 é lançado o primeiro longa metragem em animação da Turma da Mônica: A princesa e o robô.
  • Em 2012 é criado o selo Graphic MSP de Graphic Novels inspiradas nos personagens clássicos de Maurício de Souza.
  • Atualmente, são mais de 1,2 bilhão de quadrinhos vendidos em 60 anos de publicações.
  • 400 personagens fazem parte, hoje em dia, do universo criado por Maurício.
  • As publicações hoje percorrem cerca de 30 países no mundo.
  • A produção diária na MSP chega à 40 páginas.
  • Sendo publicadas 14 revistas ao mês e 3 especiais.
  • E para tudo isso, uma equipe com mais 300 colaboradores fazem parte do time que dá vida ao Bairro do Limoeiro, sendo 150 artistas.
  • Em inglês os quadrinhos da turma são conhecidos como Monica and Friends, já em espanhol temos Mónica y Sus Amigos.

Um retrato da vida 

Como é sabido, alguns personagens criados por Maurício foram inspirados em seus filhos, porém sua obra vai além das referências familiares. Um dos grandes elementos que fazem o sucesso dessa turma ser tão duradouro é justamente o texto que remete para o que é simples e inocente. E isso reflete em diversas mudanças ao longo dos anos com relação as publicações.
Os balões que expressavam falas mais grosseiras já não existem mais, assim como os meninos, após apanharem da Mônica, não estarem mais de olho roxo, da mesma forma os xingamentos, que podem ofender certas minorias, foram removidos das páginas. Ademais, há toda uma preocupação ao entregar um roteiro que realmente dialogue com as crianças, encante ainda adultos e consiga conquistar novas gerações de leitores.
Nisso os títulos já conhecidos ganharam outras versões, como Turma da Mônica Jovem, com os traços de mangá e aventuras que tocam em temas ainda não explorados pelos personagens clássico, já que aqui estão naquela fase de descobertas, escolhas e decisões. Assim como o selo Graphic MSP, criado em 2012, que traz as histórias conhecidas sob o olhar de quadrinistas brasileiros que estão em ascensão no mercado editorial. Sidney Gusman, o Sidão, é responsável por atrelar esse talentos novos ao universo de Maurício de Souza, com isso Astronauta - Magnetar, Turma da Mônica - Laços, Cebolinha - Recuperação, Mônica - Força, Capitão Feio - Identidade, Piteco - Ingá, Turma da Mata - Muralha, Penadinho - Vida, Bidu - Caminhos, Jeremias - Pele, são alguns dos títulos que transcenderam a barreira infantil, abraçando o público jovem-adulto com facilidade.


Infância

"Como você lia Turma da Mônica?"
"Eu? As vezes era no banheiro, tinha um lugarzinho pros gibis, eu pegava e ficava lendo, até esquecia o que ia fazer!"

Esse é um relato bem comum quando vamos questionar os leitores mais antigos de Turma da Mônica. Ao contrário do que muito possam pensar, isso não trata a leitura do material com desleixo, pelo contrário, gera total aproximação com o público, que onde estava, só era mesmo um pretexto para dar continuidade as histórias que eram acompanhadas na páginas. E com isso, o tempo passava que não se podia sentir.
Logo, ir até a banca com algumas moedas e voltar com um novo número de Cebolinha, Cascão, Magali, Mônica era uma realização gigantesca para muitos, a medida que as páginas eram devoradas, o imaginário corria solto como se as brincadeira do dia a dia, ali fossem representadas em cores, traços e com figuras engraçadas.

Como um bom menino do interior, cresci lendo Chico Bento em casa. Aquela realidade ali era a minha também e havia uma conexão muito forte com o personagem. Através dele, conheci também a Turma da Mônica e suas histórias. Eram gostosas horas com aqueles personagens me fazendo companhia. Grande palte da minha alfabetização foi com aquela tulminha, tudo que sei hoje foi glaças a eles. É uma conexão de gratidão, de respeito e orgulho de ter tantas histórias junto da minha vida.
Felipe Hoffmann, site A Odisseia

Falar de Maurício de Souza é falar de um homem que ousou seguir em uma carreira absurda para muitos, porém, atualmente, ele é responsável por ajudar a formar uma gama de leitores de diversos tipos de literatura, os mesmos que apesar dos anos que passam, ao se depararem com algum personagem, sentem aquele sentimento nostálgico das aventuras percorridas nos gibis. Falar de Turma da Mônica é falar do nosso grande produto dentro da nona arte, que soube se reinventar através dos anos, criando proximidade com quem acompanha, interagindo, partindo para outras mídias e plataformas, sem perder a essência do que começou a ser realizado lá em 1959.

Se hoje referenciamos situações citando da força da Mônica, do jeito "elado" de falar do Cebolinha, da fome da Magali e da falta de banho do Cascão, é porque de uma tirinha criou-se um universo de possibilidades, que fez e faz parte da memória de muitas pessoas, que acolhe antigas e novas gerações no mesmo lugar. Então, se pararmos para pensar, cada um de nós que abriu uma história em quadrinhos de Maurício de Souza, em algum momento da vida, pertenceu ao Bairro do Limoeiro por alguns instantes. E em algum momento da vida fomos todos os dos donos da rua!

Obrigado Maurício!
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