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Toy Story 4 - CRÍTICA

Em meio as lágrimas encontramos mais um ensinamento da Pixar



Quando nos despedimos de Woody e Buzz em 2010, Toy Story 3 se tornava o ápice das aventuras dos brinquedos de Andy. Agora, com uma nova dona, era necessário começar uma jornada diferente dentro do mesmo contexto divertido. 
Com o anúncio de Toy Story 4 ficou o questionamento se realmente era interessante revisitar esse mundo, já que sua última produção havia fechado o arco dos personagens com maestria e levado os espectadores as lágrimas! Então, quando o filme de 2019 se encerra o que permanece é a certeza de que essa história precisava ser contada, tanto para crianças quanto para adultos!

Woody e seus amigos agora pertencem a Bonnie, mas o xerife não é escolhido para as brincadeiras como de costume. Até que um dia a menininha precisa encarar o primeiro dia de aula em uma nova série, logo ele decide ajuda-la, e nesse mesmo dia sua dona cria um novo amigo, um "brinquedo" de sucata, o chamando de Garfinho. Assim todos percebem que o novato não quer estar lá, o que o leva a fugir. fazendo com que Woody embarque numa missão de resgate, ao mesmo tempo encontrando uma velha amiga!

Josh Cooley comanda o quarto filme da franquia mantendo todos os aspectos e conduzindo a história sem perder a essência do que já havia sido construído.
Pautado por uma computação gráfica que eleva os detalhes, texturas, luminosidade e expressões do brinquedos, a câmera constrói planos que exploram a ação, o mistério e até mesmo alguns sustos, em ambientes que ganham proporções monumentais quando fitamos pela perspectiva dos brinquedos. Os primeiros minutos do filme demonstram toda capacidade técnica da Pixar, pois tudo acontece em um cenário noturno, com chuva e vento. Nisso, design de produção explora cada detalhe, desde as marcas nos olhos de Woody, ao brilho de porcelana de Betty, numa abertura que já pode levar muitos às lágrimas!
Desta forma os acontecimentos dramáticos, cômicos e de aventura vão sendo delineados sem pressa, com cuidado, acrescentando a história mais e mais camadas, o que deixa tudo mais interessante, até mesmo surpreendente em alguns momentos.
O diretor escolhe dar ênfase em certos pontos da história para estabelecer uma jornada que justifica o retorno aquele mundo, como se aquela lição precisasse ser contada e demonstrada, mas para isso foi preciso que Andy tivesse partido. E para solidificar essa escolha, a sequência inicial fundamenta que o tempo dos antigos donos dos brinquedos passou. Atrelado a isso, encontramos inúmeras referências aos filmes anteriores, curtas e até mesmo outras produções do estúdio, o que deixa tudo ainda mais fascinante!


E os acertos de Toy Story 4 não se encontram apenas nos elementos técnicos, sua história carrega uma gama de lições que farão adultos pensarem e os pequenos se apegarem as piadas.
A jornada dessa vez é mais individual do que coletiva, já que Woody é o único brinquedo, da nova leva de Bonnie, que se encontra deixado de lado nas brincadeiras. Assim, o texto vai encaixando situações aonde as ações do Xerife de brinquedo, que em sua visão servem para que outro seja resgatado, na verdade se torna um resgate para ele mesmo. Um resgate do seu espírito de aventura e do seu real propósito, entretanto, para que isso aconteça é necessário deixar para trás aquilo que tanto ele é apegado. 
No primeiro filme podemos enfatizar os laços de amizade, no segundo, a descoberta sobre quem você é de verdade, já no terceiro, uma nova jornada precisava começar, e desta vez a insistência em algo é colocada em confronto. 
Ao mesmo tempo, Buzz, Betty, Gabby Gabby (que não é uma antagonista, mas responsável pela virada de pensamento do protagonista) e Garfinho ganham destaque paralelamente a essa narrativa sobre desapego, onde cada um serve de ferramenta para que Woody entenda onde é o seu novo lugar. E nesse jogo metafórico, que ganha ainda mais graça com o Coelhinho e o Patinho de pelúcia, entendemos que para se viver algo que realmente venha valer a pena, que faça diferença em nossa jornada, abrir mão é uma das ferramentas que mais ajuda, dói, mas contribui para enxergar um mundo inteiro de possibilidades. Principalmente para que cada um venha se encontrar verdadeiramente!

Toy Story 4 é uma jornada de desapego ao passado para encontrar coisas novas, para que aventuras desconhecidas comecem, para que o lugar definitivo venha ser ocupado. Executado com maestria, tanto no comando da câmera quanto na computação gráfica empregada, os personagens ganham ainda mais detalhes, exaltando a capacidade da Pixar em revisitar suas histórias sem perder a essência, acrescentando ainda mais detalhes que servirão para conduzir o roteiro.
Era mesmo necessário revisitar este mundo de aventuras? Sim! Havia uma lição que precisava ser contada, uma lição que fecha um ciclo importante. Para as crianças, os risos, a graça e deslumbre dos brinquedos ganhando vida irão ficar na memória, já para os adultos, é aquele sentimento de que finalmente tudo está do jeito certo, pois ao abrir mão de algo que aparentemente nos é tão precioso, uma gama de novas jornadas surgem, com um detalhe ainda mais importante: tudo isso sem estar sozinho! 
Pixar, obrigado pelas lágrimas e por nos fazer entender que precisávamos de Toy Story 4, ao infinito e além!

Nota: 5/5 (F%D@ PR# CAR*LH$)
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