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Obsessão - CRÍTICA

Sei que o filme não é esse, mas a Capitã Marvel fez o certo daquela vez no trem


Pessoas obcecadas por outras rendem até hoje histórias de suspense na sétima arte. Normalmente, são dóceis, gentis até que se tornam as piores figuras que se poderia ter contato, levando a uma série de acontecimentos desastrosos. Muitas vezes, as histórias contadas pelo cinema possuem uma verdade por trás, o que ressalta ainda mais a presença dos "stalkers" em nossa sociedade!
Seguindo esse modelo quase que imutável, a produção que traz Isabelle Huppert e Chloë Grace Moretz tenta estabelecer novas linhas de relacionamento e posse dentro dessa clássica narrativa, o que não necessariamente quer dizer que um consegue fazer algo genuinamente inovador neste caso.

Frances é uma jovem que mora em Manhattan com uma colega de quarto, Erica. Ela trabalha em um restaurante e aos poucos está descobrindo como tudo na cidade funciona. Em um determinado dia encontra uma bolsa abandonada no metrô, logo decide entregar a dona, uma senhora idosa chamada Greta. O que era para ser um ato de gentileza então se torna uma amizade, que aos poucos começa a parecer cada vez mais estranha e bizarra!

Neil Jordan escreve e dirige a produção de suspense enfatizando a perseguição e psicopatia.
O diretor escolhe aos poucos ir demonstrando o que sua vilã é capaz, suas intenções, seu plano, isso atrelado a um controle cênico que não deixa sua protagonista expressar logo de cara quem realmente é. Nesse jogo de sutilezas, alguns elementos surgem, que serão importantes para o decorrer da história, sejam eles na ambientação, ou até mesmo na fala das protagonistas. 
A misancene então se concentra na inocência de Frances, nos conselhos da amiga que reforçam o quanto ela não sabe onde se encontra, nos problemas que ainda carrega. Desta forma a câmera se apoia nesses quesitos para entregar momentos onde a expressão da jovem nos remete ao medo, desconforto, nojo e surpresa, como em um jantar inofensivo ou num incômodo banho na banheira.
A atmosfera estabelecida desde o início nos remete a uma pequena fábula de amizade, que aos poucos, vai ganhando ares perturbadores, chocantes e violentos, físico e psicológico. Tudo isso sem a necessidade de criar uma antagonista "super-humana", um clichê que os filmes de suspense adoram se basear para intensificar o clímax. Só que desta vez, existe uma preocupação em ser "pé no chão", pois em determinadas sequências o diretor escolhe exemplificar com acontecimentos que certamente já vimos em noticiários e jornais. Deixando toda o clima de estranheza ainda maior, auxiliado por uma trilha sonora assertiva tonando tudo perturbador.


Infelizmente, Obsessão peca justamente em sua história, que acaba não estabelecendo o que ela mesma comercializa para os espectadores.
A relação "maternal" doentia que vai se construído é interessante, ao mesmo tempo esquisita, porém um tanto quanto não coesa. As situações vivenciadas não transmitem veracidade muitas vezes, deixando o ritmo no segundo ato, que deveria conter os momentos chave para um clímax aterrador, sem muita relevância. Logicamente, o texto do filme está totalmente pautado nas relações obsessivas, controladoras e abusivas que permeiam a humanidade em diferentes âmbitos. Isso fica claro já que pode ocorrer não apenas em uma relação amorosa ou sexual, mas até mesmo familiar, onde mãe, pai, irmão, se tornam constantes vigilantes da vida de outra pessoa. E neste quesito a narrativa se empenha em trazer situações desconfortáveis que envolvem o tratamento de Greta pra com Frances, o seu poder de convencimento e a loucura por trás de todas as suas ações, entretanto por mais que essas questões se destaquem faltou acrescentar mais traços vilã, o que a faz permear o limbo dos personagens com características nas ações, isentos de personalidade no todo.
É necessário então falar da talentosa Isabelle Huppert, que entrega doçura e maldade numa mescla de desagradáveis ações (Há aqui um esforço em mostrar mais do que o próprio texto demonstra constantemente), culminando em gritos dentro de um restaurante, onde é contida, mas ainda assim, sua expressão carrega toda a tensão e pavor que provocou em seu alvo. Que por sua vez, se esforça e entrega uma atuação simples, sem muitos exageros, o que a torna precisa para construção de sua personagem. Chloë Grace Moretz assim, faz de sua Frances uma ingênua e delicada figura, porém com a capacidade de reverter as situações ao seu redor.
Ademais, a produção então ganha força em sua dupla de protagonistas, que assumem o roteiro pautadas na tentativa de entregar mais do que suas falas proferidas querem transmitir.

Obsessão é um suspense que não consegue inovar dentro do aspecto da perseguição, ainda que dirigido com talento, sua narrativa não constrói certos pontos que deveriam dar ritmo e vigor a trama. Ao mesmo tempo, com uma dupla de protagonista que dão crescimento aos momentos já conhecidos de produções do gênero, o filme não se faz um total desperdício de tempo ou dinheiro, rendendo assim instantes que irão causar certa pertubação por parte dos espectadores e leve medo de quem você conhece. E se há algo importante que a película quer tratar é que nem sempre conhecemos as pessoas que estão a nossa volta, suas intenções para conosco e o quanto estão envolvidas em algo gerado apenas por seus pensamentos. 
Talvez Frances tivesse feito o certo em deixar a bolsa no lugar, assim Greta nunca apareceria em sua vida, porém é difícil mensurar essas coisas, assim como aquele Match que você deu no Tinder
Em todo caso, idosas muito gentis agora dão medo!

Nota: 3/5 (Bom)
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