Good Omens - CRÍTICA

Como a amizade de um anjo e um demônio poderia impedir o Armagedom?


Chegou a Amazon Prime no último dia 31 (de maio) Good Omens, série baseada no romance homônimo co-escrito pelo aclamado Neil Gaiman, que já emplacou outras adaptações no mesmo serviço de streaming – a exemplo, American Gods – e vem se consolidando e fazendo seu nome no universo das adaptações literárias tal qual Stephen King ou Tolkien.

Good Omens, romance de de Terry Pratchett e Neil Gaiman traz para nós uma história sobre o fim do mundo, o Armagedom, o Apocalipse e, trata disso com um humor bastante peculiar e questionamentos incríveis! Devo dizer que eu vi, revi, e após uma terceira maratona e muitos rebuliços religiosos, voltei para entregar a você, querido leitor, a minha crítica!
Então segura a minha mão e vem comigo porque eu acabo de colocar uma nova queridinha no meu pódio!


Tudo começa lá no Éden, gênese, criação do mundo, quando os primeiros humanos tomam consciência do bem e do mal a partir do consumo do fruto proibido. É assim que somos apresentados aos personagens principais desta trama que estão ligados diretamente a este acontecimento: Aziraphale e Crowley, um anjo e um demônio.

Crowley é a serpente que induz Eva ao consumo da famosa maçã e Aziraphale é um anjo que tem por missão proteger um dos portões do Jardim do Éden. Após a expulsão de Adão e Eva do paraíso, Aziraphale os presenteia com sua espada flamejante a fim de que se protejam, é daí que toda a história começa a se desenrolar. Aziraphale e Crowley se conhecem e começam a se questionar sobre o que é certo e errado dentro de suas visões de anjo e demônio e uma improvável amizade nasce sem que céu e inferno tenham conhecimento.

Milênios de milagres e tentações se passam e chegamos a 2019 onde Crowley e Aziraphale precisam se unir para impedir a completa e total destruição da humanidade após, por uma série de acontecimentos, perderem o anti-cristo.


Em 6 episódios somos apresentados a todos os acontecimentos que culminam em um anjo e um demônio unidos a fim de evitar o Armagedom. Conhecemos o nascimento do anti-cristo, sua infância, além de muitas linhas temporais bizarras que mostram a influência de anjos e demônios em eventos desde a perda de um unicórnio da arca de noé até uma descendente de bruxa que se guia pelas previsões extremamente assertivas de sua "tatara tatara tatara avó".

O destaque no entanto não é para os acontecimentos ou comportamento do anti-cristo, ou para os eventos que se desenrolam no decorrer da trama. O holofote aqui está sobre Aziraphale e Crowley, ou melhor, sobre os intérpretes dos personagens. Michael Sheen (você vai lembrar dele como Aro em Lua Nova) e David Tennant (Homem-Púrpura em Jéssica Jones e o terceiro e décimo doutor em Doctor Who) entregam uma representação e uma química dignas de todas atenção e maratona. 

Conseguimos entender e compreender com clareza o crescimento da relação dos dois, desde os primeiros dias de tudo até o fim dos tempos - literalmente falando - e é maravilhoso observar como ambos, anjo e demônio se envolvem também com a raça humana e mesclam suas características, de modo que bondade e maldade se tornam mais um conceito que um comportamento padrão dos dois.


A participação de Gaiman na escrita e produção da série contribuiu muito para que toda originalidade e humor irônico e ácido fossem passados ao público.
Em Good Omens, Deus é mulher (interpretação de voz magnífica de Frances McDormand ), narra toda a história – sim, ele/ela sabe de tudo que acontece por aqui -  e não, Deus não joga dados com o universo, mas sim, uma versão particular de um jogo inefável. Várias questões bíblicas são contestadas também e questionadas de formas muito pertinentes, como por exemplo, o afogamento de toda uma nação em detrimento do salvamento de uma família e alguns pares de espécies – lembram da perda do unicórnio né? -, a famosa história de Noé e a aliança.


Infelizmente, tempo e dinheiro em adaptações se mostram questões bastante delicadas.
Apesar da excelente produção – tudo é incrível, desde figurino até os cenários e uma abertura muito bem trabalhada - temos ainda alguns fios soltos como por exemplo, o fato de Crowley só escutar Queen em seu carro, detalhe explicado no livro que não temos no audiovisual e um CGI precário em algumas ocasiões, mas ainda que em pequenas doses e com um pouco de filtro, somos apresentados aos absurdos da louca narrativa de Gaiman, que dão todo sentido ao teor cômico e crítico da história. 

Good Omens se sustenta, ou não só se sustenta, como se encerra sem problemas e sem déficits. Por mais louco que pareça, é totalmente compreensível que um anjo, um demônio, uma repartição burocrática de céu e inferno, uma linhagem de bruxas e outra de caçadores de bruxas causem o temido Armagedom. Foi um acerto da produção e, pra quem como eu, adora uma aventura bizarra com narrativa fora de padrão, é uma bela escolha para uma maratona de fim semana!
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