Ads Top

Black Mirror: 5ª Temporada - CRÍTICA


A quinta temporada de Black Mirror já está entre nós há alguns dias, um pouco menos potente quanto as anteriores, mas ainda sim trazendo boas reflexões sobre como a sociedade lida com a tecnologia.
São três novos episódios que de certa forma continuam destoando das temporadas passadas, porém apresentam história muito interessantes de serem assistidas.


O primeiro episódio do quinto ano da antologia é Striking Vipers, protagonizado por Anthony Mackie, mais conhecido como Falcão de Os Vingadores e também Yahya Abdul-Mateen II de Nós. Neste, vemos a relação de dois amigos que se reencontram depois um longo tempo sem se ver, e relembram da amizade a partir de um jogo chamado Striking Vipers que eles jogavam na época da faculdade. Agora, o jogo com um upgrade padrão Black Mirror, permite os jogadores através de realidade virtual incorporarem os personagens sentindo até mesmo as sensações.
Danny (Anthony Mackie) vive uma fase meio entediada em seu casamento, as coisas na mesma medida que se estabilizaram também foi diminuindo a libido do casal, um pelo outro. A medida que o relacionamento virtual entre Danny e Karl vai evoluindo a série faz uma crítica muito interessante sobre o que é possível ser considerado traição dentro de um relacionamento monogâmico.

De qualquer forma o enredo do episódio, apesar de ser o que mais conversa com a premissa de Black Mirror, é aquele que menos chega em algum lugar. A ideia das novas descobertas a respeito a sexualidade dos personagens com o impulsionamento da Realidade Virtual não tem um fim muito bem estabelecido, um tanto raso nesse sentido. A crítica aqui fica mesmo a respeito a sexualização exagerada dos personagens de jogos de luta e a insatisfação com o prazer que o seu próprio corpo pode dar.


Já o segundo episódio, intitulado Smithereens, vai nos revelando aos poucos a história do “motorista” Chris, vivido por  Andrew Scott. Ele vive esperando a oportunidade de sequestrar algum executivo da famosa Smithereens, com o objetivo de conseguir falar por alguns minutos com o CEO Billy (Topher Grace). Quando Chris acha que finalmente conseguiu, tudo começa a dar errado por que a pessoa que Chris sequestra na verdade é apenas um estagiário.

Esse episódio é aquele que apresenta uma crítica mais ferrenha a tecnologia e a nossa forma de usá-la, principalmente as redes sociais. Chega a ser desesperador ver como as pessoas têm a necessidade de compartilhar na internet, seja uma situação tão complicada como aquela a ponto de até atrapalhar as negociações que estão sendo estabelecidas.
Me lembra até o caso Eloá, o sequestro da garota que acabou em tragédia foi transmitido ao vivo em programas de televisão, onde até mesmo uma apresentadora conversou com o sequestrador e tudo foi transmitido.
Podemos considerar o melhor episódio da temporada, conseguindo transpor muito bem a mensagem que se propõe. Porém é também o que menos se encaixa na premissa Black Mirror, este poderia facilmente ser um filme (muito bom) no catálogo da Netflix sem muita relação com a antologia.


Em Rachel, Jack and Ashley Too, a participação de Miley Cyrus é como se fosse a cereja em cima do bolo. Não que seja um excelente episódio, mas de fato é uma boa surpresa.
Na trama Rachel, interpretada por Angourie Rice, tenta se adaptar a escola nova depois da morte da sua mãe. Para lidar com uma autoestima muito baixa ela se inspira nas músicas sobre autoconfiança de Ashley O, a maior artista pop do momento. No seu aniversário a garota pede a boneca Ashley Too, uma inteligência artificial que imita a cantora superstar. Porém depois que Ashley O entra em um coma, a versão artificial dela apresenta algumas falhas assumindo a consciência da própria cantora.

Nesse episódio é quase palpável o ar de deboche que é entregue. Claramente aqui Charlie Brooker quis fazer uma alusão muito bem direta a exploração da imagem de um ídolo teen, que muitas vezes não passa de uma estratégia de vendas e nem um pouco conversa com a real vontade artística daquela pessoa. Daí a genialidade por trás da escolha de Miley Cyrus, que foi por muito tempo a maior estrela da Disney, pouco tempo depois de se desvincular do canal mudou completamente seu estilo, fica até meio complicado não entender esse episódio como uma paródia da vida da cantora.
Fechando a quinta temporada de Black Mirror, Rachel, Jack and Ashley Too, consegue bem executar a crítica que se propõe, porém ainda deixa a gente com a sensação que poderia ser mais.

A quinta temporada de Black Mirror, entretém, leva a muitas reflexões, mas no fim continua abaixo das expectativas que uma séria desse porte costuma propor. 
Eu ainda continuo acreditando que produção ainda vai voltar a trazer histórias mais chocantes e surpreendentes nos próximos anos! Vamos aguardar!
Tecnologia do Blogger.