Slasher - Review

O terror despretensioso banhado em sangue


Filmes com a temática de vingança na forma de um assassino violento ganharam popularidade, principalmente, na década de oitenta. O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Halloween, são algumas das produções que traziam a temática de jovens sendo perseguidos por um maníaco em série, que usaria toda sua força para dar fim a vida daqueles que cruzassem seu caminho. Com o passar dos anos, o gênero slasher foi se modificando, se reinventando, ganhando novas versões, camadas e temáticas, até mesmo viagem no tempo já foi incluída nesse pacote. Porém, sempre tem alguém que retorna as origens, trazendo novamente o medo, o pavor e o desconforto de certas situações de perigo, e nesse caso, a série Slasher da Netflix chega a terceira temporada indo do clássico ao novo, com uma grande quantidade de sangue.

Slasher é uma produção canadense de antologia de longa temporada de terror. 
Cada novo ano a série apresenta uma história diferente, novos personagens, as vezes mantendo o elenco, entretanto, atualizando a temática, a narrativa e a direção de cada nova onda de assassinatos. Atualmente, conta com três temporadas, cada uma com oito episódios e sempre um assassino diferente, além de possuírem títulos distintos: a primeira é "O Carrasco", a segunda, "Os culpados", e a terceira se chama "Solstício".

Criada por Aaron Martin a série claramente faz homenagens, referências e analogias aos clássicos do sub-gênero do terror a medida que vamos acompanhando a trama. E já com uma linearidade particular, as temporadas mesclam em mostrar os fatos que aconteceram e os que estão no presente, principalmente para que venhamos a entender as causas das mortes estarem acontecendo naquele lugar, com aquelas pessoas.
Se na primeira temporada tudo é uma questão familiar, de retorno a cidade antiga e a forma como as pessoas do local ainda veem os envolvidos com acontecimentos passados, na segunda temporada temos a clássica trama de "vingança de acampamento". Jovens bêbados que realizaram um ato estúpido, culminando na morte de alguém agora precisam enfrentar as consequências de suas ações. Chegando então a terceira temporada, onde todos possuem uma conexão com uma primeira vítima, direta ou indiretamente, permeando questões raciais e sociais, além do comportamento das pessoas quando estão na internet!


Todos esses aspectos trazem consigo marcas emblemáticas de produções com o mesmo teor narrativo. As mortes são viscerais, grotescas, ainda que em boa parte utilizem dos efeitos visuais, existe uma "criatividade" mórbida para cada ação dos assassinos.
No primeiro ano da série, há uma preocupação em utilizar luz e sombra a seu favor, dando imponência ao seu maníaco e até mesmo armas que aparentam um esforço físico quase que sobrenatural. Quando chegamos a segunda história, que ocorre em um acampamento durante o inverno, a direção utiliza bem o contraste do branco da neve com o vermelho do sangue, que não é poupado aqui. E na terceira temporada, a luminosidade e o colorido tomam conta das atrocidades, que acontecem em sua maioria a luz do dia, que é usada para causar desconforto e maior realismo às mortes.
Por sua vez, as tramas se ocupam em dar camadas aos personagens, a suas personalidades e sentimentos. Existe sempre uma razão para as atitudes, e normalmente, nunca irão passar em vão. Até mesmo aqueles que são considerados os "mocinhos" mudam completamente de um episódio a outro, o que deixa o clima de mistério ainda maior, juntamente com as cenas de sexo (com casais héteros e homoafetivos), nudez e palavrões. Ou seja, a produção se torna uma amalgama de tudo o que o filmes de slasher sempre trouxeram ao público, apesar de trabalhar tudo sem a pretensão de ser algo extremamente sério ou autoral.

Slasher, ao longo de suas três temporadas, presta uma homenagem aos clássicos do sub-gênero do terror, evocando os principais elementos para construir sua trama, personagens e lógico, seu assassino.
A cada novo ano a série vai tratando de assuntos que permeiam a sociedade, ao mesmo tempo que não deixa de lado temáticas como vingança e culpa, tão presentes em outras obras que também fizeram uso dos mesmos aspectos, seja no cinema ou na televisão.
Para o fã de filmes com assassinos psicopatas, a produção entrega o que há de melhor nos mesmos, tentando elevar o nível, o que as vezes pode não surtir o mesmo efeito, mas ainda assim consegue nos fazer virar o rosto quando algo grotesco acontece. Se por três vezes, três assassinos diferentes permearam lugares distintos espalhando o horror, nos resta então ficar curiosos sobre o que mais o seriado pode nos entregar, até porquê referências ao terror ainda existem e podem ser usadas, reaproveitadas e principalmente, perturbar como só os Slasher's são capazes de fazer.

Você pode conferir as três temporadas de Slasher na Netflix.
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