Hellboy (2019) - CRÍTICA

Del Toro faz tanta falta


Na onda de recontar histórias que já foram outrora adaptadas, Hollywood sempre vai atrás de alguns sucessos buscando repetir o mesmo efeito da primeira vez. Sem Guilhermo Del Toro na produção, Ron Perlman atuando, tudo poderia ser grande fracasso nesta nova versão de Hellboy. Talvez não um desestre como muitos tem apontado, mas falta algo importante para que essa história realmente venha se firmar como um novo começo para a narrativa do demônio que luta pela salvação da humanidade, um pouco de carisma será? Um CGI melhor aplicado? Ou um roteiro que saiba realmente o que fazer com a mitologia criada?

Na época do Rei Arthur, uma bruxa chamada Nimue, espalhou a destruição por todos os lugares, assim sendo conhecida como Rainha de Sangue. Porém o lendário rei, ao lado de seus cavaleiros e do Mago Merlin, finalmente conseguiram derrotar a ameaça, cortando-a em várias partes e enterrando em lugares ocultos. Os anos se passaram, e Hellboy, um ser vindo do inferno, luta para proteger os humanos de criaturas fantásticas que queiram fazer atrocidades, mas quando após uma missão seu caminho cruza com aqueles que querem trazer a a Rainha de Sangue de volta, tudo poderá ser o início do Apocalipse na Terra!

Neil Marshall comanda a produção sem o brilhantismo e a criatividade de Guillermo del Toro.
Por mais que haja um esforço nas sequências de ação, demonstrando maior visceralidade e brutalidade, tudo parece uma grande reciclagem dos outros dois filmes do personagem. Junte isso a um emprego quase que amador dos efeitos digitais, que desta vez predominam e não dão aquele tom realístico, perturbador, que fez dos filmes de 2004 e 2008 algo tão memorável. A consequência disso está em criaturas nada assustadoras. Isso infelizmente interfere muito quando Hellboy precisa fazer o que sabe de melhor, atirar e partir pra pancadaria, pois desde a ambientação e os inimigos são artificiais ao extremo.
Desta forma, a direção parece não saber o que fazer ao certo com o roteiro escrito e com o elenco. 
São poucos os momentos onde se extraem uma atuação convincente do protagonista e de sua antagonista, caindo várias vezes em diálogos que não fazem questão alguma de gerar no espectador a empatia necessária para que se queira continuar acompanhando a trama.


Um dos grandes trunfos das histórias anteriores de Hellboy eram os roteiros que adaptavam com assertividade o que Mike Mignola escreveu para os quadrinhos. 
As criaturas apresentadas possuíam personalidade, tanto no design quanto nas atitudes em si, o que nesta nova versão é bem reduzido a uma única personagem, que aparece rapidamente para dar ao Vermelhão uma ajuda. Assim, a narrativa que nos é apresentada leva mais de quarenta minutos para contextualizar o universo e introduzir novamente elementos importantes, fazendo com que todo o resto se torne rápido, abrupto e descartável. Não há aqui um aproveitamento verdadeiro das mitologias que foram utilizadas nas páginas da nona arte, muito menos a trama se propõem a elencar informações que deem consistência a história contada!
Logo, a ameaça da Rainha de Sangue não se compara outros inimigos que Hellboy já enfrentou nos cinemas, deixando a desejar com uma personagem que poderia ser estabelecida como uma vilã capaz de utilizar um grande poder de destruição com o demônio ao seu lado. Grande parte disso, se deve a um roteiro que dá a atriz Milla Jovovich, falas que parecem ter sido extraídas de uma novela mal escrita. Junte isso a um protagonista que se esforça, porém não possui o carisma Ron Perlman. David Harbour é bom, e limita-se a resmungos, piadas que não encaixam e inexpressividade (Que pode também ser problema de uma maquiagem executada de forma precária).

Hellboy de 2019 é um reboot que não precisava existir.
Com uma direção que não sabe o que fazer com uma mitologia tão vasta, um protagonista icônico e uma vilã que poderia ser maior do que demonstra, tudo aqui é esquecível. Abraçado a um ritmo quase enfadonho no início, que melhora no segundo ato, mas que se perde em um clímax totalmente contrário do que o Vermelhão já realizou em suas histórias.
Ao final, fica o questionamento: Como Guilhermo Del Toro contaria essa história? Talvez sem a mesma equipe, porém certamente com toda a criatividade em causar aquela estranheza tão conhecida e tão companheira das narrativas de Hellboy. E tudo isso sem a necessidade de efeitos digitais em quase todo tempo!
Aquela velha conhecida frase: "Do jeito que o diabo gosta", não se emprega neste caso!

Nota: 1,5/5 (É... Existe)
Tecnologia do Blogger.