Godzilla, Um Rei na Cultura Pop - ESPECIAL

Saúdem o Rei de todos os Monstros do cinema


Criado em 1954 pela Toho Film Company, o daikaiju colossal mudou completamente a história do cinema de monstros como a conhecemos. Trazendo não apenas efeitos especiais e uma temática de destruição por uma força da natureza despertada em situações de violência, Godzilla ganhou popularidade e trouxe uma mensagem muito maior do que aparentava ao longo de suas mais de trinta produções, o que o torna uma das franquias, se não a maior franquia, presente na sétima arte e dentro da cultura pop mundial. Desta forma, vamos saudar o rei de todos monstros!

Gojira (É a união das palavras "gorira", gorila e "kujira", baleia em japonês), ou Godzilla,  surgiu a partir de fatos históricos que trouxeram devastação ao japão, os ataques nucleares sofridos em Hiroshima e Nagazaki e o naufrágio do Lucky Dragon 5, um navio pesqueiro japonês que foi destruído durante testes americanos no Pacífico Sul. A criatura então carrega escamas que lembram as consequências físicas que ficaram nas pessoas pós esses ataques! O monstro traz como origem a fusão genética de diferentes espécies como Tiranossauro Rex e Crocodilos, perceptível pelo tamanho dos braços e pelo corpo alongado. Desta forma, existe toda uma simbologia por trás do surgimento do Rei dos Monstros. 

Primeiramente, ele era uma alegoria aos ataques americanos a nação japonesa, a forma como os americanos trouxeram a devastação e sua total busca por continuar sendo uma força de maior poder sobre o mundo, porém com a popularização de Godzilla essa figura deixou de ser referenciada, passando a ser então um defensor não só do Japão como do mundo todo em determinadas narrativas. Ao mesmo tempo, outros monstros também faziam referências a outros países, China foi representada por King Ghidorah, Rodan simboliza a União Soviética e o Mechagodzilla, de 1974, é uma alegoria à ocupação americana em Okinawa.

O Clássico de 1954

Ishirō Honda é o responsável pela primeira aparição do "lagarto gigante" destruidor de cidades, neste caso ele serviria de alegoria para os horrores vivenciados pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e os testes realizados pelos americanos. 
O diretor se empenha em apresentar o terror de uma situação de perigo impossível de ser detida, ao mesmo tempo que estabelece linhas dramáticas que incluem estresse pós traumático e culpa por algo que a princípio foi pensado para um bem maior. Esse diálogo entre os gêneros transforma a narrativa de Gojira em um clássico quase que instantâneo, pois tanto efeitos especiais, quanto a caracterização e atuação (O artista marcial Haruo Nakajima foi o primeiro e mais conhecido ator a se tornar o Godzilla, usando a roupa feita de pneus derretidos que pesava quase 100 quilos), adentram esse pacote para estabelecer um novo estilo de contar histórias que envolvessem criaturas fantásticas.
Isso é retratado com veemência quando Godzilla desperta do oceano e o seu primeiro encontro é com um barco, logo o monstro parte em direção a terra, onde começa toda a devastação por seu caminho. A forma como a criatura é retratada no clássico emana uma força da natureza que não possui possibilidades de ser controlada, pelo contrário, tudo o que está a sua volta se torna um alvo fácil de ser reduzido a destroços, como a cidade de Tokyo, o causou nos espectadores um misto de terror e drama pessoal diante da história do país. 
Não se tratava apenas de demonstrar toda a capacidade de contar uma história de kaiju, era justamente um resposta diante das corridas armamentistas e dos riscos que as pessoas correm diante de tudo isso, pois são alvos fáceis, vulneráveis a um poder impossível de ser detido caso aconteça algum incidente! Desta forma a trama estabelecia uma dualidade entre criador e "criatura", já que o aparato usado para deter o Rei dos Monstros era o mesmo que o trouxera à tona, fazendo com que o cientista Daisuke Serizawa a se sacrificar e levar consigo aquele que havia se tornado resultado de escolhas destrutivas, o próprio Godzilla. Infelizmente esse peso climático foi deixado de lado em produções futuras, mas resgatado em obras mais atuais da franquia.

As Eras de Godzilla


Godzilla é um personagem incônico da cultura japonesa ao mesmo tempo que se tornou uma figura monumental dentro da cultura e do cinema mundial. Existem eras que estabelecem o monstro de diferentes formas, assim como dá novas origens a seus inimigos e aliados.

Era Showa - De 1955 à 1975: A era Showa de filmes do Godzilla demonstra uma lenta transformação do personagem que surgiu do “horror da era atômica” em um  ser que defendia a terra e até mesmo, tornou-se pai.

É composta pelos filmes:

1954 - Godzilla
1955 -  Godzilla Ataca Novamente
1962 - King Kong vs. Godzilla
1964 - Godzilla Contra a Ilha Sagrada
1964 - Ghidrah, o Monstro Tricéfalo
1965 - A Guerra dos Monstros
1966 - Ebirah, Terror dos Abismos
1967 - O Filho de Godzilla
1968 - O Despertar dos Monstros
1969 - A Vingança de Godzilla
1971 - Godzilla vs. Hedorah
1972 - Godzilla vs. Gigan
1973 - Godzilla vs. Megalon
1974 - Godzilla vs. Mechagodzilla
1975 - O Terror do Mechagodzilla

Era Heisei - De 1984 à 1996: Esta era é marcada pelo retorno do monstro em sua figura ameaçadora e implacável, onde o horror de sua presença era o foco das atenções. Trazendo um design ainda mais assustador para Gojira.

É composta pelos filmes:

1984 - Retorno de Godzilla
1989 - Godzilla x Biollante
1991 - Godzilla Contra o Monstro do Mal
1992 - Godzilla vs. Mothra
1993 - Godzilla vs. Mechagodzilla II
1994 - Godzilla vs. SpaceGodzilla
1995 - Godzilla vs. Destroyer

Era Millenium - De 1999 à 2004: Temos aqui o início de uma nova era para os filmes de Godzilla, fugindo do tom heroico estabelecido em Showa e a fraca continuidade de Heisei, desta vez as histórias estabeleciam percursos próprios, com pequenas continuidades, sem trazer a figura do Rei dos Monstros apenas como um herói. 

É composta pelos filmes:

1999 - Godzilla 2000
2000 - Godzilla vs. Megaguirus
2001 - Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack
2002 - Godzilla Against Mechagodzilla
2003 - Godzilla: Tokyo S.O.S.
2004 - Godzilla: Batalha final

Era Shin - de 2014 até o momento: Esta era é marcada por duas produções, Godzilla, dirigida por Gareth Edwards, de 2014 e Shin Godzilla, de 2016. A primeira é uma produção americana em parceria com a Toho, que apesar de ignorar os acontecimentos da franquia tenta trazer os aspectos do clássico de 1954. Já a produção de 2016, trouxe uma versão mais visceral a Gojira, trazendo temáticas como os atentados de 11 de setembro e o terremoto que atingiu o Japão em 2011, o vazamento nuclear de Fukushima, como fontes de inspiração para o surgimento do monstro!

O terrível Godzilla Americano de 1998


Dirigido por Rolando Emmerich, e com um orçamento de 30 milhões de doláres, essa adaptação do clássico monstro japonês trouxe uma versão ocidental vergonhosa, que aparentemente queria ser a definitiva ao contar essa história. A narrativa acontece em Nova York, trazendo Matthew Broderick no papel principal, onde o monstro decide atacar, ou melhor, a monstra pois aqui temos uma Godzilla. Junte isso a um design que em nada lembrava os filmes anteriores, muito menos a trama, que passa ser mais uma caçada do que justamente algo que fizesse alegoria a acontecimentos históricos. Sem falar em um final que poderia ter sido considerado plágio de uma obra famosa de Steven Spilberg!
Essa versão americana foi execrada no Japão, sendo nomeada lá apenas de "Zilla" em seu lançamento!

Os outros Kaijus de Gozdilla


Anguirus: É o primeiro monstro enfrentado pelo Godzilla. O monstro conta apenas com suas unhas e dentes para atacar, e apareceu em sete filmes, nunca sendo o protagonista. 

Mothra: A mariposa gigante da ilha do Infante, apareceu pela primeira vez em seu próprio longa, logo enfrentou o Godzilla com tanta frequência quanto lutou ao seu lado. Participou de um total de 11 filmes do rei dos monstros.

Rodan: Protagonizando um longa primeiramente, o pterodátilo mutante Rodan (ou Radon em seu filme original) teve pequenas participações na era Showa, lutando junto com Godzilla contra King Ghidorah. Apareceu em sete filmes do Godzilla. 

King Ghidorah: O dragão de três cabeças é um dos mais célebres e reaproveitados monstros da Toho. Seja como um monstro extraterrestre, na era Showa, uma mutação planejada, na era Heisei ou um deus ancestral, na Millenium. King Ghidorah está entre os maiores inimigos do Godzilla, estrelando também em filmes da Mothra. Apareceu em oito filmes do Godzilla. 

O Rei dos Monstros

O título de Rei dos Monstros não é por acaso!
A franquia de Gojira permeia a cultura pop por mais de 60 anos, estabelecendo assim um sucesso quase que contínuo, tanto nos cinemas quanto comercialmente. 
Sua temática vai além de simplesmente colocar monstros para destruir cidades, há sempre um resgate histórico e uma alegoria da situação social do momento ali representado. As criaturas então vão ganhando referências específicas aos acontecimentos reais, fazendo da narrativa uma grande epopeia comandada por forças incontroláveis! De uma maneira brilhante, o clássico iniciado por Ishirô Honda, conseguiu unir o terror com os dramas vivenciados, para transmitir uma mensagem sobre aquilo que não se pode deter, alinhando a efeitos especiais, trilha sonora e produção que deram o tom para que outras obras viessem a acontecer.
Godzilla é uma figura imponente de força e do quanto o ser humano, diante de algo tão grandioso, é incapaz de se ver a salvo, por mais que muitas vezes ele esteja lutando ao nosso lado, devemos lembrar que um rei pode fazer o que quiser, pois o poder está sempre em suas mãos, nesse caso, desde 1954.

Vida longa ao Rei!

Godzilla II: Rei dos Monstros chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30/05, e na sexta você pode conferir aqui a nossa crítica e os comentários em nossa Live do Facebook a partir das 19:00 horas. Não perca! 
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