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Godzilla II: Rei dos Monstros - CRÍTICA

Vida longa ao Rei Godzilla



O cinema norte-americano tem uma péssima mania, aquela tão conhecida por nós do "copia, mas não faz igual" e algumas vezes ele se apropria de algo que não nasceu em seu país, para dar o seu toque, o seu ponto de vista e quem sabe, encher o bolso com alguns dólares. 
Dito isso, desde 2014 Godzilla tem sido utilizado para que uma nova franquia, até mesmo um universo de monstros, tome as telas, porém novamente os equívocos da produção anterior se repetem apesar do maior tempo de choque entre criaturas colossais. E sobre tudo isso fica uma pergunta: Quem teve a ideia de colocar a Millie Bobby Brown aqui?

Cinco anos após Godzilla ter livrado a terra do ataque dos Mutos, outras criaturas foram descobertas e denominadas Titãs. A organização Monarca desde então passou a monitorar o despertar esses seres gigantescos e estudar seu comportamento. Entretanto, quando uma cientista tem sua tecnologia usada para despertar Ghidorah, o primeiro de todos, resta ao Rei dos Monstros surgir dos mares para dar fim a essa ameaça.

Michael Dougherty é quem dirige a continuação do filme de 2014 demostrando maior personalidade e familiaridade com o universo que está utilizando, do que seu antecessor.
A câmera faz longos planos para mostrar a extensão das criaturas, focando em suas expressões, justamente para exaltar o trabalho dos efeitos visuais, que dá detalhes, texturas e marcas em cada um de diferentes formas. Godzilla aqui está maior, sua feição é de ira, ao mesmo tempo que suas escamas ganham uma vivacidade maior quando acendem, gerando uma sensação de total imponência do protagonista. Isso se aplica aos outros três Titãs que acompanhamos em principal, cada um tem suas características físicas ampliadas. O monstro de três cabeças, Ghidorah, aqui é ameaçador, poderoso e os raios a sua volta exaltam o poder que possui. Rodan, com um design mesclado ao fogo se faz ágil durante as cenas de ação e Mothra acompanha toda a luminosidade das cenas, refletindo em suas imensas asas coloridas. Pois importante aqui são os Titãs, ou melhor, Godzilla e sua corte.
Nisso há uma preocupação em trazer referências a momentos clássicos da franquia, lançando mão de elementos utilizados no clássico de 1954, enaltecendo a trilha sonora original, acrescentando também modernidade e agilidade. A proporção monumental aqui se faz presente de um jeito aterrador, e o diretor faz questão de demonstrar o quão insignificantes são os humanos, suas cidades e sua tecnologia, deixando um rastro de destruição ainda maior. E quando o assunto é combate destrutivo temos um verdadeiro espetáculo!
Quando os kaijus começam o embate tudo fica mesclado entre raios, nuvens, fumaça, transformando as sequências em cenários de guerra comandados por monstros gigantescos que tomam a tela por completo fazendo com que o espectador vislumbre um quadro tragicamente belo!


Porém, quando quesito é narrativa e desenvolvimento do núcleo humano, a película reproduz os erros cometidos por Gareth Edwards.
Novamente existe um arco familiar, que até certo ponto serve para conduzir determinados acontecimentos que resultarão nos confrontos que o filme promete, depois disso é um festival de motivações vazias e falta de profundidade. Esses elementos do roteiro rendem momentos que acabam deixando o ritmo do filme moroso, quase beirando ao apático que somente se recupera quando voltamos a ver os monstros em tela. 
Ao mesmo tempo, nessa tentativa de criar um drama particular, somos entregues a atuações caricatas, situações previsíveis e inúmeros momentos onde a facilidade encontra a falta de talento, no caso, Millie Bobby Brown, que ocupa boa parte do segundo ato, fazendo a mesma expressão, não deixando o espectador saber se estava assistindo a sua personagem ou uma versão nova da Eleven de Stranger Things. Eis então o maior problema da "mão americana" em produções como esta!
A necessidade de encaixar atores "famosos", por conta de seu reconhecimento, transforma toda essa gama de acontecimentos esquecíveis e se não houvesse nenhuma das problemáticas humanas apresentadas, ninguém iria sentir falta.

Godzilla II: Rei dos Monstros amplia o universo dos monstros que está sendo criado, trazendo consigo o senso de perigo e destruição dos clássicos, abraça a referências em sua trilha sonora e nos confrontos. Que por sua vez, salvam a produção de uma monotonia, caso ficasse apenas focada em conduzir seu núcleo de personagens humanos, que nada de cativantes possuem. Logo, a direção exalta a grandiosidade, a imponência e o poder de cada criatura, demonstrando o cataclismo gerado quando tais Titãs entram em combate.
O Rei dos Monstros volta ao cinema mantendo o seu posto e nos mostrando que com mais de trinta filmes em sua "carreira" ainda é possível sentir aquele arrepio quando seu urro aterrador ecoa pela sala de cinema, quando seus passos podem ser ouvidos de longe e o seu raio é disparado, praticamente abrindo uma fenda no céu. Godzilla é o maior de todos e ainda que tentem colocar um drama patético para tentar ofuscar, ele gera a oportunidade de demonstrar todo o seu poder e isso inclui o de atuação.
Assim, dizer "Vida longa ao Rei" é o melhor a se fazer a partir de agora!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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