Ads Top

Doom Patrol: 1ª temporada - CRÍTICA

A melhor série da DC Comics, finalmente


Em um determinado episódio os "heróis" são levados até uma rua, sim, apenas uma rua, lá pessoas de diversos gêneros, estilos e aparências moram, convivem, vivem. Essa rua, é um ser em si chamado Danny, um logradouro não binário, que não possui gênero, mas que acolhe todos aqueles que não estão se sentindo bem com os padrões impostos em outro lugares. Dito isso, Doom Patrol é uma série que faz jus a essa premissa, acolhendo todos aqueles que não se sentem satisfeitos com as mesmas histórias de heróis, os mesmos vilões e os mesmos combates, propondo a quem decide então acompanhar essa narrativa que tudo o que vier a ser mostrado exigirá um pouco mais de mente aberta e um toque de insanidade.

Em uma mansão afastada da cidade, vivem pessoas com habilidades especiais, que são orientadas por um cientista em uma cadeira de rodas de como podem fazer jus aos dons que possuem. Parece conhecida essa história, não é mesmo? Na verdade nada temos de pessoas vestindo uniformes parecidos ou pilotando um jato aqui, por isso conheça Jane, Rita Farr, Homem Negativo, Homem-Robô e Ciborgue, eles não são uma equipe de heróis e estão longe de desejar isso. Mas quando o Chefe, o "professor" que os ajuda desaparece, chega o momento dessa equipe ganhar forma, ou simplesmente entrar dentro da boca de um burro!

Glen Winter, Dermott Downs, Rachel Talalay, Stefan Pleszczynski, Chris Manley, Rob Hardy, Harry Jierjian, Salli Richardson-Whitfield, Wayne Yip, Carol Banker,  T.J. Scott e Rebecca Rodriguez dirigem os quinze episódios que fazem parte da primeira temporada de Doom Patrol (Patrulha do Destino). Existe aqui um cuidado em honrar a história criada por Arnold Drake, Bruno Premiani e Bob Haney, desde o design dos personagens até as personalidades, fazem jus ao que foi realizado nos quadrinhos. Desta forma, vamos acompanhando gradualmente os dilemas de cada membro do time, como adquiriram seus poderes, o que tiveram que enfrentar e como chegaram até aquele local.
Sem a necessidade de grandes cenas de combate, o ritmo da produção vai de acordo com a narrativa que acompanhamos, alguns mais ágeis, outro mais dialogados, ainda assim trazendo informações importantes para que a trama venha se desenvolver.
Outro ponto são os efeitos práticos e digitais, executados com assertividade para dar vida ao Homem-Robô, os poderes de Jane e algumas criaturas estranhas. A direção então, por mais que distinta a cada novo episódio, faz o trabalho certeiro ao continuidade ao que já havia sido mostrado, na maioria dos casos.


Logo, o grande atrativo de Doom Patrol, que não está na sua ação, se encontra na história desenvolvida ao longo deste primeiro ano, regada de um humor sem limites, quebra da quarta parede e momentos altamente esquisitos.
Aqui os conflitos internos ganham formas maiores, agressivas, bizarras e rais. Cada um possui uma problemática impar que irá ser o fio condutor para que novos elementos surjam, fazendo desta forma com que os complexos particulares se estendam a todos que estão a sua volta.
O que temos então é uma produção que pega pessoas desajustadas e as faz desta forma, não se adequando as situações do dia a dia ou simplesmente rejeitando por completo seus "poderes", como é o caso de Larry, o Homem Negativo, e Rita Farr, que possuíam vidas praticamente "perfeitas" até que os incidentes vieram a modifica-los. De igual modo com Ciborgue, interpretado com competência por Joivan Wade, permeia um caminho de aceitação. Enquanto que para Jane, cuja boa parte do roteiro dos primeiros episódios a tem como plot norteador, precisa escolher quem deve ser durante alguns momentos específicos. E ao Homem-Robô, que tem Brendan Fraser em sua melhor atuação, os conflitos relacionados a família, escolhas feitas por outros e o arrependimento.
Junte tudo isso a situações absurdamente improváveis, como viagens por dentro de outros seres, grandes deuses antigos pairando no céu, uma rua que tem vida própria e principalmente um vilão carismático. 
O Sr. Ninguém, grande antagonista da produção, é uma figura singular e ao mesmo tempo catastrófica para a Patrulha, sustentado pela vingança e pela proximidade com o personagem sequestrado, Alan Tudyk utiliza todas essas nuances para entregar uma atuação exagerada, caricata e autêntica, que funciona perfeitamente com o perfil da série, a narrativa e a para a interação com os demais personagens. É ousado dizer que o se não houvesse o Sr. Ninguém, certamente Doom Patrol estaria fadada a um fracasso.

Doom Patrol é a melhor série que já adaptou uma história em quadrinhos da DC Comics, trazendo todos os elementos nada convencionais e elevando o nível de produções adultas dentro desse gênero, sem a preocupação de seguir fórmulas ou padrões narrativos. 
Tudo se torna então um absurdo palpável e aceitável!
Se é preciso enfrentar nazistas estranhos, eles estarão lá, se é preciso enfrentar um caçador de pessoas que come cabelo humano, os chame, quando um robô gigante está prestes a destruir a cidade, talvez eles possam ajudar, se uma rua inteira tomada por pessoa começa a ter um orgasmo coletivo causado por um homem musculoso capaz de distorcer a energia a sua volta, certamente isso é com eles, mas lembre-se, o jeito que a Patrulha trabalha não é nada comum ou óbvio, porém certamente é o que precisamos para vencer o comodismo, o normal e o costumeiro que os heróis estão sempre fazendo!
Tecnologia do Blogger.