Deadly Class - CRÍTICA



Adolescência é uma fase complicada! Acho que todos podemos concordar neste quesito. Mesclar isso com muitos traumas, violência e maldade em sua pura essência é o que faz a princípio Deadly Class ser muito interessante, mas será que ela sustenta tudo isso?

Baseado na HQ de homônima de Rick Remender e ilustrada por Wesley Craig, a série conta a história de Marcus Lopez, vivido por Benjamin Wadsworth, um órfão que viveu por muito tempo em um internato onde passou pelos piores tipos de torturas físicas e psicológicas. Depois de fugir desse internato, quando acontece um grande incidente, ele acaba levando a culpa pela morte de todos que estavam lá e se torna um procurado pela polícia. Até que alguns alunos da King’s Dominions aparecem para recrutá-lo para essa escola super controversa.

A construção dos personagens ao redor do Marcus é crível, de acordo com o universo estabelecido. Nada nunca foi fácil para o garoto, e mesmo que ele tenha sido recrutado “meritocraticamente” para a escola de assassinos a vida dele continua sendo muito ruim lá dentro. A diferença que agora ele estava lidando com pessoas que estão sendo treinadas para serem assassinos profissionais e desequilibradas emocionalmente.


Em Kings Dominions, tem um paralelo muito forte com as escolas comuns em relação à sociedade construída ali dentro. Como temos os atletas e cheerleaders, na escola de assassinos temos os clãs das gangues, nazistas, donos de cartéis, criminosos de colarinho branco e se você não faz parte de nenhum desses você é considerado um rato. Essa comparação é muito interessante quando você começa a observar a intensidade das consequências, já que em Kings Dominion é tudo muito mais pesado.

Há um certo ar clichê em Deadly Class, a vibe high school ainda está bem explícita no enredo da série assim como, apesar de ser um drama bem pesado e de não terem medo algum de mostrar isso, em nenhum momento é esquecido que os personagens são adolescentes. Existe o triângulo amoroso, o amor não correspondido e assim vai, a diferença é que aqui essas tramas se misturam com muita violência e sangue.


Dos protagonistas, os destaque ficam com María Gabriela de Faria que interpreta a manipuladora e instável Maria. Uma personagem super imprevisível que ao mesmo tempo que está sorrindo pra você, está com o seu leque de navalha no pescoço. Ela tem um dos arcos mais interessantes da série. A partir dela conseguimos ver um relacionamento abusivo levado ao nível extremo, retratado de uma forma bem controversa, assim como a série onde está inserido; e com Lana Condor, que interpreta Saya, uma garota descendente da famosa organização criminosa Yakuza, que carrega consigo esse peso ao mesmo tempo que nega sem fazer parte disso.

Apesar dos aspectos clichês, Deadly Class tem muita originalidade. 
Os fãs de quadrinho vão encontrar uma adaptação muito bacana. Todos os momentos em que a série retrata os passados dos personagens é adicionado uma estética de quadrinhos às cenas, como se fosse uma animação feita a partir da HQ e isso dá um tom bem diferenciado a produção. A caracterização dos personagens é bem marcante também e flerta com a personalidade e origem de cada um.

Deadly Class entrega um primeiro ano muito bom, com alguns pontos a acertar caso a série seja renovada, como sempre, mas no geral temos uma produção executada assertivamente, apresentando uma identidade própria e um gancho muito interessante para uma possível segunda temporada.
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