Cemitério Maldito - CRÍTICA

Neste caso a curiosidade não matou apenas o gato



Stephen King já teve suas obras revisitadas diversas vezes pelo cinema e pela televisão. Dono de uma fama que traz o precedente de nunca gostar das adaptações de suas histórias, quando se ouve que o mesmo elogiou uma produção que carrega uma de suas narrativas é automático a estranheza.
Neste sentido, Cemitério Maldito, baseado em um dos livros do autor americano, conta novamente a história do cemitério de animais que tem a capacidade de ressuscitar o que lá é enterrado, mas se aprendemos algo com esse filme é que certas coisas não precisam ser trazidas de volta, por exemplo, esse remake!

Louis e Rachel se mudam com seus dois filhos, Gage e Ellie, para uma nova casa, no interior do estado onde vivem. O local servirá de um recomeço para a família, mas tudo começa a se tornar estranho quando descobrem que junto da propriedade existe um cemitério de animais e quando um terrível acidente acontece, descobre-se que aquele solo contém forças capazes que trazer de volta a vida o que se perdeu, mas será do mesmo jeito que era antes?

Kevin Kolsch e Dennis Widmyer conduzem essa nova versão da obra homônima de Stephen King, de forma assertiva, entretanto, sem a bagagem necessária para realizar algo memorável. 
A câmera tenta iniciar com um estilo mais amplo, ora fixa, ora subjetiva, o que deixa o clima interessante, demonstrando que existia uma preocupação em estabelecer a atmosfera de terror. Nisso, os diretores esbanjam esfeitos práticos e um olhar focado em explorar os ambientes, os deixando ainda menores, como banheiros, porões, quartos, ou aumentando seu tamanho, como o próprio cemitério que dá título a produção.
Porém, nessa trajetória de busca por algo único, misturado com a ideia de não inovar demais, faz com que os acertos se percam em meio a escolhas sem sentido dentro da narrativa estabelecida quando a película tem início. Em determinado momento parecem esquecer de onde vieram os personagens, os colocando em uma posição de cena, que não faz sentido devido ao que acabaram de realizar.


A narrativa então tende a permear tudo superficialmente: o porquê daquele cemitério existir, qual era o problema que a família enfrentava afinal de contas e isso envolvia a figura do pai? E o relacionamento de Rachel com os pais? Era necessário uma noite para todo o efeito do cemitério acontecer, por que algo se desenrola em menos de cinco minutos no clímax? Além de um personagem que simplesmente é esquecido pela trama, mas que ganha um "dom" de forma inesperada nos quase vinte minutos finais. Ademais, os sentimentos dos pais diante de suas perdas, que não sabem ao certo como demonstrar, nos presenteando com atuações caricatas, não trazem nenhum tipo de convencimento, o que deveria ser o grande condutor para tudo que iremos assistir.
Tudo isso torna essa nova versão do filme de 1989 um rascunho mal feito do que poderia ter sido na verdade, pois toda a campanha de marketing em torno do filme nos mostrava que esta seria uma adaptação, que além de fiel, traria um novo tom para uma obra que por muitos é classificada como uma das melhores de King. Infelizmente, quase como um insulto ao escrito original, não encontramos uma sustentação para esse tipo de ação promocional, apesar dos poucos momentos de susto, ao se aproximar do desfecho a vontade de mexer no celular, conversar com quem está ao lado e até ir ao banheiro se torna quase que salvadora! 

Cemitério Maldito pode até ser executado de maneira satisfatória e ousar ao modificar o final do livro e da primeira versão cinematográfica, mas não sabe ao certo o que fazer com essas inovações superficiais. Com uma direção esforçada em criar a atmosfera de terror, que até mesmo faz referências a outras obras de Stephen King, nada aqui faz jus ao que foi escrito pelo mestre do horror ao longo dos anos.
Na aposta de trazer algo que nos remeta aos clássicos do cinema capaz de assustar o público, a película apenas nos faz pedir que tudo aquilo acabe logo, sem deixar pontas soltas ou possíveis ganchos, pois se aprendemos algo com este filme é que para certas coisas, é bom deixar onde estavam. Neste caso, a ideia de remake poderia ter sido enterrada o mais fundo, certificando-se de não ser um cemitério amaldiçoado capaz de reerguer coisas que se foram. Assim, deixemos partir essa nova versão, aqui jaz, descanse em paz!

Nota: 1/5 (Eu me questiono: por que eu fui assistir isso?)
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