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A gente se vê Ontem - Review

Se você tivesse o poder de viajar no tempo, o que você faria?


Filmes com a temática de viagem no tempo sempre trazem o básico em sua premissa: uma máquina capaz de realizar tal feito, as consequências de se fazer algo do tipo, as pessoas que querem utilizar tal invento para o mau, tudo isso mesclado com teorias científicas para dar uma base maior a trama. Desta vez, ainda que a história permeie o essencial desse tipo de produção, há um aspecto que insere não só a motivação ímpar para que o tempo seja apenas uma barreira pequena a ser transposta, insere toda uma discussão que ainda é válida de ontem, hoje e sempre.

CJ e Sebastian são alunos de uma escola do ensino médio voltada para ciências e tecnologia. Eles estão empenhados em realizar um novo experimento que envolve o salto temporal. Após várias tentativas os adolescentes conseguem realizar o feito, mas quando o irmão mais velho de CJ é assassinado por policiais, a jovem vê em sua invenção uma maneira de mudar o passado!

Stefon Bristol é quem dirige a produção que tem também a assinatura de Spike Lee.
O diretor consegue um feito inédito em películas com a temática temporal, incluir um drama social que serve pauta para inúmeras discussões na sociedade e movimenta a narrativa da trama. De uma maneira fluida, Bristol vai introduzindo teorias, conceitos, informações científicas que poderiam soar um tanto quanto estranhas, mas se tratando de uma história onde os personagens são adolescentes, tudo se torna um tanto quanto natural. Junte isso a uma fotografia colorida, que valoriza os ambientes que os protagonistas percorrem e também os momentos em que a viagem no tempo ocorre. Ao mesmo tempo que em diversos lugares encontramos referências a cultura negra norte-americana, aos movimentos e a música. A trilha sonora aqui não se apega ao instrumental clássico ou eletrônico comum em filmes de viagem no tempo, o reggae pauta as cenas dando então uma vivacidade maior aos momentos em que é necessário mesclar a ciência com as escolhas dos personagens!


A narrativa então evoca o que a cultura pop já apresentou sobre saltos, linhas e fendas temporais. As consequências, regras e ações são bem colocadas transformando então o que começa como um mero projeto de ciências escolar, em uma ferramenta para que passado, presente e futuro sejam completamente diferentes. Com direito a uma homenagem, em forma de participação, que irá arrancar o sorriso de muitas pessoas.
Assim, a motivação para que as andanças pelo tempo ocorram é plausível diante uma tragédia que se repete constantemente na vida de jovens como CJ e Sebastian. Nisso, os problemas do cotidiano envolvendo a forma truculenta como a polícia trata os negros nos Estados Unidos (E em outros lugares, pois no Brasil não há fuga a regra), o preconceito e a desigualdade social fazem deste um filme aquém aos demais com o mesmo plot. Pois o que impulsiona a protagonista é justamente a tentativa de manter com vida alguém que nada tem a ver com a violência que se alastra por diversos lugares, muitas vezes fomentada por discursos e atitudes racistas partindo de pessoas que possuem a liberdade de portar uma arma. Até mesmo refletindo na maneira que a personalidade de CJ se constrói, como uma pessoa direta, que não leva "desaforo para casa", pois esta é a forma que ela aprendeu, essa é a forma de sobreviver a uma realidade tão cruel para tantas pessoas.

A gente se vê Ontem é uma produção que carrega um discurso que conversa perfeitamente com a temática de viagem temporal. Trazendo então uma intenção plausível e coerente para os eventos venham a ocorrer, o que movimenta a trama, constrói personagem e facilita até mesmo a compreensão de teorias, conceitos que são apresentados no decorrer da história.
O que pode ser aprendido ao final de pouco mais de uma hora e vinte minutos de filme é que alguns problemas que ainda vigoram pela sociedade vão além do que pensamos, por mais que tenhamos as ferramentas necessárias, estão atrelados ao passado, ao presente, correndo o risco de permanecer no futuro. Levando a conclusão que por mais que se mude acontecimentos, a mentalidade de alguns ainda fica infelizmente limitada ao preconceito, ao racismo e ao puxar de um gatilho! 

Assista A gente se vê Ontem na Netflix!
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