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Special: 1ª Temporada - CRÍTICA

Uma produção cheia de naturalidade


Produções que trabalham temáticas de minorias tem ganhado cada vez mais espaço na televisão, cinema e nos serviços de streaming. Desta forma, novos produtos são lançados para que o público crie aquela relação de empatia necessária para que a história convença e haja uma renovação para o próximo ano. Special é umas dessas narrativas, que apesar do bom trabalho ao contextualizar os problemas vivenciados por uma pessoa com paralisia cerebral e gay, não sabe ao certo qual história quer contar. Mesmo que o seu plot indique o que ela quer mostrar!

Ryan (Ryan O’Connell, que também assina o roteiro e a produção da série) é um jovem de 28 anos que possui paralisia cerebral, o que dificulta a sua mobilidade, além disso, ele é um homem gay, que nunca se relacionou, principalmente por viver sempre ao lado de sua mãe. Certa vez, ao voltar da fisioterapia o rapaz é atropelado e isso faz com que esse acontecimento sirva de apoio para o seu dia a dia em uma redação de um site, entretanto, ao tentar reverter a sua vida, Ryan vai descobrir que as mentiras podem prejudicar os relacionamentos mais próximos!

A direção é de Anna Dokoza, que segue um ritmo diferenciado para conduzir a trama principal e as que estão em torno do protagonista. Aqui não temos nada de inovador, mas tudo é executado com assertividade, bom humor e naturalidade.
Em cenas como a primeira vez de Ryan, o retorno de Karen a sua vida como uma mulher solteira e até mesmo no dia a dia de uma pessoa com certas limitações, vemos um cuidado para que a história seja contada sem a necessidade de criar algo fantasioso demais.
Isso é facilitado graças ao roteiro que dedica boa parte do tempo em mostrar que os problemas que Ryan enfrenta estão mais relacionados a aceitação.


O interessante aqui é a brincadeira de "sair do armário" em determinadas situações e outras onde entrar se torna quase uma atitude literal do protagonista. Ao esconder sua condição de portador de paralisia, Ryan encontra uma espécie de "empatia" por aqueles que estão ao seu redor no trabalho, o que abre uma possibilidade de situações em outras áreas de sua vida, como a amorosa.
Nesse sentido, a personalidade, o jeito, as características, físicas ou não, do personagem vão complementando o entendimento das atitudes que o mesmo toma, ainda que algumas deixem o espectador com um certo estranhamento para com caráter do rapaz.
Neste caso, quem é desenvolvida com a maestria é Karen. A mãe que viveu para cuidar do filho começa então uma jornada de descobertas, que se torna em diversos episódios, mais interessante que a própria narrativa do protagonista, o que rende momentos a cerca de orgasmo, maconha e assumir o protagonismo da sua própria vida.
Logo, a série questiona determinados comportamentos da comunidade LGBTQ+, como a futilidade, aparência, e da sociedade, na forma como pessoas com necessidades especiais são tratadas e vistas pelos demais. Entretanto, neste ponto faltou uma certa profundidade
Quando começamos entender os dilemas de Ryan por ser um homem gay, logo adentramos um momento quase descartável, da mesma forma ao falar de sua paralisia cerebral. Não que haja a necessidade de um panfleto didático e explícito sobre tais temáticas, só que ao se colocar a disposição de comentar os temas do plot, pequenos diálogos ou piadas, politicamente incorretas ou não, estão longe de servir de completar as camadas que o protagonista necessita.

Special é uma série que causa empatia, diverte e foge dos padrões estabelecidos por formatos de streaming. Com uma direção bem executada, que trata com naturalidade momentos importantes e descobertas do protagonista, certamente irá cativar inúmeros espectadores. Porém, ao trabalhar os temas que impulsionam as decisões narrativas, há uma certo distanciamento e receio em falar o que realmente precisa ser dito.
Se Ryan é especial ou não, fica ao espectador decidir, pois o que aprendemos com ele é que sempre tudo parte das nossas escolhas, atitudes e palavras, da mesma forma, as consequências desses atos irão surgir, cedo ou tarde, mas se tem algo que fica ao final dos oitos episódios é que aceitar-se é uma ação importante, que não pode deixar de acontecer, levando o tempo que for necessário!
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