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Shazam! - CRÍTICA

Dizer a palavra mágica se torna quase que inevitável após o filme


Quando eu tinha seis anos de idade conheci o meu super-herói favorito. Diferente dos demais não estava almejando ser o Batman, o Superman, tão pouco algum dos X-Men, eu queria ser o Lanterna Verde. A capacidade de poder criar qualquer coisa a partir da sua força de vontade me fazia imaginar inúmeras possibilidades e formas que os poderes de um Lanterna poderiam assumir.
Ao assistir Shazam, em diversos momentos é possível encontrar este sentimento, o sentimento de olhar para alguém ansiando ser um terço do que ele é capaz de fazer, mas neste caso, com uma palavra mágica, tudo fica mais próximo de acontecer.

Billy Batson é um adolescente órfão que não para em nenhum lar adotivo, sempre em fuga e não querendo criar vínculos, acaba por ser adotado por uma família na Filadélfia. Após ajudar um de seus novos “irmãos”, Billy é convocado pelo mago Shazam, para que o mesmo transfira ao garoto seus poderes e assim como seu campeão, possa derrotar os Sete Pecados, entidades mágicas que foram libertadas e podem causar a destruição da humanidade.

David F. Sandberg comanda a produção mergulhando em inúmeras referências dentro e fora do universo da DC Comics nos cinemas. De uma maneira muito simplória, porém assertiva, o diretor vai costurando a boa e conhecida fórmula de filmes de origem de super-herói, totalmente pautada na clássica Jornada do Herói de Joseph Campbell, acrescentando nisso um humor leve, descontraído e nada preocupado em fazer parte de algo sombrio ou realista, em uma aventura que se encaixaria perfeitamente entre clássicos do cinema feitos para uma geração que assistiu Quero Ser Grande, Curtindo a Vida Adoidado e O Clube dos Cinco
As sequências de ação se tornam um atrativo para demonstração dos inúmeros poderes de Shazam, força, agilidade, velocidade, voo, tudo é potencializado para que haja um deslumbre dos personagens, ao mesmo tempo do espectador. Junte isso a momentos onde o comando da câmera enaltece o terror em tela, graças aos antagonistas. Oriundo de produções do gênero, o diretor demonstra sua capacidade de contar uma boa aventura, ao mesmo tempo que emprega tais elementos gerando sequências interessantes esteticamente, como no escritório das Indústrias Silvana. Da mesma forma, a produção sabe como se portar dentro de um universo onde outros super-heróis existem e já realizaram feitos incríveis, mas nesse caso, tudo se torna uma oportunidade para piadas, boas e que acrescentam ao ritmo da película.


A narrativa então é uma ode ao heroísmo e ao sentimento de fazer parte de algo maior, nesse caso, uma família.
A construção de Billy como alguém que necessita encontrar algo para se tornar completo é um elemento de texto paralelo a busca do Mago Shazam. Ambos querem algo que não será o que tanto esperavam, no primeiro caso seu laço de sangue, no segundo, uma pessoa de pleno coração puro. Demonstrando então que o objetivo almejado, nem sempre se apresenta da forma como foi imaginado. Ao mesmo tempo, o roteiro exalta o papel do super-herói em ser um exemplo, um reflexo de tudo aquilo que é bom, demonstrando então que todos precisam olhar para alto alguma vez em busca de uma salvação, mesmo que ela venha pelas mãos de um adolescente. E ainda que Shazam possua traços da juventude, ele consegue dosar isso com a sabedoria passada pelos poderes, sem perder o bom humor. Pois as piadas referenciam, citam e fazem da DC uma fonte de informações que elevam a capacidade do filme em ser único no próprio contexto narrativo, porém fazendo parte de um universo que apresenta resquícios de esperança para uma possibilidade de uma reunião dos heróis que deram certo em seus filmes de origem. Tudo isso também se deve a Freddy, que surge representando fã de quadrinhos, o apaixonado por heróis e que conhece cada um deles, a fim de nos lembrar da possibilidade de imaginar o fantástico com uma crença sem tamanho.
Entretanto, nem tudo em Shazam é um acerto completo!
A película sofre com um orçamento que acaba por deixar certos momentos beirando o amadorismo. O CGI às vezes é empregado de forma nada orgânica, a maquiagem de alguns personagens parece ter sido feita as pressas e algumas sequências de ação são totalmente artificiais. Prejudica a experiência? Não mesmo, mas são pontos a serem revistos caso uma sequência seja confirmada.

Shazam é cativante, divertido, enaltece o papel do super-herói de um jeito mágico e bem-humorado. Ao mesmo tempo que serve para acrescentar uma aventura que todo nerd gostaria de ter vivenciado quando adolescente leitor de quadrinhos. 
Apesar do orçamento que parece limitar certos momentos, a DC Comics recebe um verdadeiro ser poderoso que utiliza suas habilidades sem questionamentos filosóficos, abraçando a galhofa sem a pretensão de criar uma epopeia introspectiva. O que vale aqui é a aventura, que perpassa todos os âmbitos, principalmente a nostalgia. 
Se em Quero Ser Grande, o personagem quer muito se tornar adulto por conta de um brinquedo do parque, tornar-se adulto neste caso é uma consequência que vai além do que Billy jamais queria, porém aceitar o caminho do herói se transforma em algo maior que uma escolha, é uma responsabilidade que abraça todos a sua volta, principalmente quando a palavra mágica é dita com intensidade!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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