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Love, Death & Robots - CRÍTICA

Uma antologia capaz de fazer rir, chorar, espantar, mas principalmente, pensar


Reunir histórias diferentes em uma mesma produção não é tarefa fácil!
As narrativas, tecnicamente, precisam manter o mesmo nível em cada episódio, tornando o todo do produto algo atrativo e cativante para quem quiser começar a assistir em qualquer momento. De uma forma arriscada, a Netflix nos entrega dezoito pequenas produções em animação, cada uma com seu jeito peculiar, traço e características, tornando esta nova série, não apenas mais um programa que leva a logo do serviço de Streaming, mas uma verdadeira obra-prima onde prender a atenção do espectador a cada episódio é uma tarefa deslumbrante.

Love, Death & Robots é mais nova produção da Netflix, uma antologia com dezoito histórias contadas em curta-metragens de animação. Cada um, possui um design único, jamais repetindo os mesmos efeitos e estilo do anterior, sempre com uma narrativa que nos leva a pensar, rir, chorar, envolvendo amor, mortes e robôs, literalmente.

A produção conta com a direção de Dave Wilson, Victor Maldonado, Alfredo Torres, Alberto Mielgo, Franck Balson, Owen Sullivan, Léon Bérelle, Dominique Boidin, Rémi Kozyra, Maxime Luère, Oliver Thomas, Javier Recio Gracia, Gabriele Pennacchioli, Jon Yeo, Damian Nenow, Jerome Chen, Robert Valley, Vitaliy Shushko, Tim Miller e István Zorkóczy. Cada um, dentro da sua proposta estabelece ritmos, personagens, personalidades, características distintas para cada um dos contos animados que iremos contemplar. Ao mesmo tempo, individualmente, os episódios assumem algumas das palavras que dão título a produção, então, há aqueles curtas sobre amor, os que falam sobre morte e a temática tecnológica está presente de alguma forma peculiar.
Tudo isso sobre a curadoria de David Fincher, o produtor consegue empregar seu trabalho de forma exímia na escolha de cada uma das narrativas que são apresentadas, nisso os roteiros estabelecem conexões com política, comportamento, cultura, tecnologia, nos entregando discursos que contestam nosso comportamento social.
As narrativas, ainda que distintas em suas histórias, tendem a expor o que há de mais cruel, gore, visceral, profundo e caótico, seja na Terra, nos mais longínquos lugares do espaço e até em uma geladeira. Não há receio de quase nada durante a produção, há cenas de sexo, violência e uma linguagem onde fica evidente que muitas vezes os grandes problemas estão nas mãos dos seres humanos, ou certamente foram causados por eles. Mas há, entre um conto e outro, uma maneira de utilizar o humor a seu favor, de maneira sarcástica e tragicômica! O que gera momentos envolvendo ataques a fazendas, iogurtes, um lixão e até realidades alternativas.
Desta forma, os roteiros aliados ao traço, computação gráfica empregada com maestria, fotografia e design de produção que contribuem para que as ambientações, cenários e personagens, ganhem ainda mais características, fazendo com que, apesar dos poucos minutos de episódios, consigamos estabelecer certos vínculos.


Logo, em A Vantagem de Sonnie, entendemos a capacidade que o medo possui em nos controlar ou transformar a vida de quem é afetado por ele. Os três robôs, nos apresenta uma interessante e engraçada jornada a cerca de descobertas. A Testemunha, brinca com nossas percepções além de questionarmos o ciclo dos acontecimentos e suas consequências. Em Proteção contra Alienígenas, que mais parece um jogo multiplayer, acompanhamos o limite pela sobrevivência. Já no curta Sugador de Almas temos um espaço para lendas contadas de forma altamente visceral. Chegamos então a Quando o Iogurte assumiu o Controle com sua crítica política e social a cerca de quem assume o poder em nossas vidas. Para Além da fenda de Áquila é uma demonstração do quanto podemos estar sendo enganados por uma suposta "realidade", além de impressionar pelo emprego dos efeitos visuais. Em Boa Caçada temos o auge do steampunk, com uma história que mescla entre o místico e o tecnológico, entregando os problemas das mudanças que ocorrem por conta do avanço da civilização. O Lixão é o clássico "quem conta um conto...", porém nos lembrando que toda história possui um fundo de verdade, e às vezes cruel. 


Quando chegamos em Metamorfos a crítica se volta para o exército, ao mesmo tempo, que em seu discurso faz alusão a imigrantes que lutam batalhas que não são suas, em países que xenofobicamente ingratos. Em Ajudinha somos lembrados sobre o limite em se manter vivo quando tudo dá errado. Noite de Pescaria mergulha em psicodelismo literal para revelar o deslumbre por aquilo que se apresenta de forma fascinante, mas mortal. Já em 13,  número da sorte entendemos sobre o apego em meio a uma batalha mortal. Zima Blue é o legado, é o quanto alguém passou por diversas fases até atingir o ápice de sua obra. Ponto Cego é uma animação cartunesca que busca divertir além de elucidar a cobiça e o trabalho em equipe. Em Era do Gelo, o único com personagens reais, nos mostra os caminhos que a vida percorre do início ao fim. Ao chegar em Histórias Alternativas, de um jeito tragicômico entendemos o que poderia acontecido, diversas vezes com Hitler, em diferentes realidades mortais. Por fim, A Guerra Secreta, demonstra os limites em uma batalha, que apesar dos esforços não demonstra ter um final.

Love, Death & Robots é uma obra-prima que consegue manter a qualidade técnica e narrativa em todos os episódios, eleva o nível das produções com antologias, demostrando uma capacidade discursiva de falar sobre cultura, política, sociedade, amor, morte, robôs e tecnologia empregada a favor ou contra a humanidade.
Se mergulharmos mais a fundo encontraremos referência a Isaac Asimov, Philip K. Dick, Ray Bradbury, H. P. Lovecraft, em um amaranhado de narrativas que utilizam os elementos apresentados por esse autores para nos trazer diversos questionamentos, pensamentos, medo e surpresa a medida que avançamos os episódios.
É impossível terminar esta temporada sem a sensação de "quero saber um pouco mais" de algumas ou de todas as histórias contadas, se tivermos ou não uma segunda temporada, não é um problema, porém se de um jeito genérico, outros tentarem fazer o mesmo, sem a mesma personalidade, criatividade e cuidado, pois estes três aspectos encontramos em todas as dezoito histórias, sejam elas sobre o amor por algo ou alguém, sobre a morte, de suas origens ou de quem faz parte de sua vida e robôs, contra ou ao nosso favor.
Assim, fica quase impossível escolher um curta favorito!
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