Capitã Marvel - CRÍTICA

O fato é que ela não precisa provar nada a ninguém, nem a você, nerd!


O que faz de uma pessoa um herói ou uma heroína?
É o seu passado conturbado, que impulsiona para fazer algo pelos outros?
São os poderes recebidos ou desenvolvidos, que podem servir para um bem maior?
Ou a capacidade de se importar com todos?
Ao unirmos esses questionamentos encontramos uma resposta bem simples em Carol Danvers, a habilidade de se erguer mesmo quando todos a sua volta dizem que você não é capaz! Assim, somos entregues a heroína mais poderosa do Universo Cinematográfico Marvel, e que época formidável para isso acontecer!

Carol Danvers, conhecida a princípio como Vers, é uma guerreira Kree, treinada para controlar suas emoções e fugir das lembranças que assombram seus pensamentos. Mas quando a mesma, após uma missão contra a raça Skrull, cai na Terra, descobre que sua vida, passado e jornada estão totalmente ligadas ao planeta e suas pessoas. Logo, irá entender que a luta que está travando talvez não seja a mais correta, de tal forma, compreender também a origem e extensão de seus poderes.

Anna Boden e Ryan Fleck comandam a produção sem ousadia, mas com a certeza de entregar uma história que funcione dentro do universo ao qual está inserida.
As cenas de ação são executadas sem exageros, com doses certas de inventividade e assertivas para deixar o espectador empolgado com os poderes da protagonista. Ao mesmo tempo, a escolha em realizar uma narrativa nas década de noventa contribui para piadas referenciais interessantes, ainda que pontuais, até mesmo na movimentação da câmera. Há também um esforço técnico ímpar, principalmente na utilização dos efeitos digitais para rejuvenescimento, o que nos faz jamais perceber que aquele Samuel L. Jackson faz pate de todo um processo computadorizado.
E se os diretores economizam como um todo em sua criatividade, ao dar destaque a força de Capitã Marvel, vemos um show pirotécnico, luminoso, juntando isso a boas coreografias empregadas em diversos momentos com bom humor. Humor esse na dose correta, sem absurdos ou repetições, apenas repleto de leveza cativante.


E cativante é a palavra correta para descrever a narrativa.
Sem se tornar panfletária, a história de Capitã Marvel demonstra em todo tempo que se trata de uma jornada protagonizada por uma mulher, como tal, irá enfrentar diversos instantes onde o machismo estará presente, seja em forma de fala, atitude ou até mesmo, comprovação.
A construção da personalidade da personagem principal vai se desvencilhando em tela, o que a faz mudar o semblante, o uniforme e até o mesmo o tom de voz. É uma jornada da heroína, que empodera, sem deixar de lembrar que essa luta não acaba apenas em um voo, existe a necessidade de realizar mais. Para isso, toda a descoberta acerca do passado, das pessoas próximas, de seus poderes, seus dilemas, quedas, erros e dúvidas, constroem pequenas peças para um todo, uma figura representativa que irá deixar meninas, como Monica Rambeau (Akira Akbar), olhando para céu procurando sua referência, ou melhor, querendo ir mais longe do que essa já foi!
Entretanto, por mais que narrativa sustente a produção, não a exime de pequenas falhas de roteiro na forma de facilitações, coincidências e acasos simplórios. Deste modo, há uma queda na qualidade do design de produção, que não emprega tão bem os recursos, deixando alguns ambientes nada críveis. Ademais, o segundo ato do filme acaba por se envolver em um drama que deixa o ritmo moroso, podendo surgir uma rápida distração, mas que ao final sabe recompensar muito bem quem ainda se manteve fiel a película, apesar de revelações carregadas de previsibilidade!

E o elenco? É o grande trunfo da produção!
Brie Larson entrega uma Carol Danvers com camadas que vão se desenvolvendo, ao mesmo tempo que suas características ganham traços interessantes no senso de humor e comportamento. E aos que reclamavam de sorriso, não devem ter visto o filme direito.
Samuel L. Jackson surpreende ao apresentar tons da personalidade de Nick que ainda não conhecíamos, o que torna sua interação com a heroína a melhor até o momento dentro do MCU.
Lashana Lynch se faz presente de uma maneira quase que maternal para Carol, é uma figura importante no desenvolvimento, que carrega características interessantes, empregadas em tela com acertos do início ao fim.

Capitã Marvel evoca todo o espírito dos anos 90 em uma aventura que diverte, cativa e firma o que precisava ser dito dentro da Casa das Ideias nos cinemas. 
Com uma direção assertiva, porém sem tanta ousadia, a fórmula Marvel aqui existe sem aquele senso de exagero ou obrigação de momentos engraçados constantes. Do contrário, há espaço para desenvolver os dilemas, os questionamentos e ainda, colocar a personagem no seu devido lugar, representando quem precisa, dando voz a quem ainda não havia sido ouvida.
O que torna Carol Danvers tão poderosa não são apenas os poderes que possui, mas um ideal de reinvenção em meio ao caos, que muitas vezes se transforma em vozes, comentários, apontamentos, e ao demonstrar o entendimento do seu lugar no mundo, do seu papel como heroína, ela carrega consigo uma leva de meninas que hoje podem então ir mais alto, mais rápido, mais longe.
Tudo isso, sem provar nada a ninguém!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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