A Capitã Marvel na tela e a Mulher ao meu lado

Aprendi que as pessoas vão esquecer o que você disse, esquecer o que você fez, mas elas nunca vão esquecer o que você as fez sentir.
Maya Angelou.


É um costume em nossa redação irmos as pré-estreias do cinema. Como um momento único, encontramos pessoas conhecidas, amigos e outros produtores de conteúdo esperando por um momento diferente. O momento em que pela primeira vez iremos assistir a uma obra tão aguardada e que pode até mesmo mudar o que conhecemos de algo que há muito tempo é acompanhado.
Na quarta-feira, dia 06/03/2019, não foi diferente. Sessão lotada, pessoas esperando pela tão chegada da Capitã Marvel, ao meu lado, dois amigos, um escreve para outro site, A Odisseia, o outro, companheiro de viagens para Comic Con. Fim da sessão, fizemos nossas habituais deliberações, e ainda mesmo na madrugada, produzi o texto crítico do filme em questão. Mas faltava algo!
O que poderia ser?

Conheci Ana Rosa no curso de Letras, desde já me encantei pelo seu conhecimento em literatura e sua postura defendendo sempre os direitos da mulher, sua fala feminista, sua coragem, suas expressões quando começava a falar algo que realmente precisava ser dito. Logo, nossa amizade começou, principalmente porque aquela jovem estudante também era apaixonada pela Cultura Pop. A cada estreia haviam comentários, a cada série assistida um festival de explanações a cerca de tudo, nisso a minha admiração aumentou por uma figura maternal e ao mesmo tempo tão poderosa.

E o que faltava foi preenchido graças a Ana!

Conversando com ela sobre a produção da Capitã Marvel, me disse que iria com o filho assistir no fim de semana, como boa mãe-solo que é, então, fui convidado a lhes fazer companhia. Aceitei, obviamente, seria um ótimo momento para passar com minha amiga além de poder rever o mais novo filme da Marvel!
Assim, entramos na sessão, como era de se esperar novamente bateu a emoção com os créditos iniciais, que prestam uma homenagem a uma figura tão emblemática da Casa das Ideias. Porém, nada disso foi tão impactante quanto o que ocorreu no decorrer da exibição.

Ana estava ali, mas era mais do que isso, era uma jovem apaixonada pelo cinema, pelos quadrinhos, pelas histórias, a cada referência um sussurro em forma de comentário, um sorriso e por entre seus óculos 3D era possível ver o brilho no olhar, o olhar de quem estava em tela, ali, ganhando espaço, voz e ainda mais força. E quando a personagem se ergue, num instante decisivo de sua jornada, foi como se ao meu lado, aquela mulher, se erguesse junto, como um arauto de poder, força, feminilidade e feminismo.
Havia então, em Ana, um semblante tão diferente, uma expressão de orgulho, lágrimas de visibilidade em tela. Não sei ao certo o que ela sentiu, porém o que pude perceber é a real importância que esta obra possui, na vida de tantas mulheres!

Esse filme não é mais um para o vasto universo Marvel, me atrevo a dizer, que este filme não foi pensado, para nós homens, que ficamos emocionados com o primeiro encontro dos Vingadores, com a coragem do Homem-Aranha, maravilhados com a força do Superman, intrigados com a inteligência do Batman, cativos pelo carisma do Homem de Ferro, pois por mais que de uma forma nova eles estivessem em tela, a verdade é única, eles sempre estiveram a nossa volta, ao nosso alcance, em nossos vídeo-games, televisões, revistas, álbuns.

Me atrevo a dizer mais uma coisa, nosso papel como homens é de meros espectadores nesse caso, de admiradores de um sucesso, de aprendizes caso ainda não venhamos a entender o que é empatia. O machismo, tão intrínseco na comunidade Nerd, é um problema nosso, que deve ser combatido de tal forma que venhamos a deixar de lado nossas referências, o apego aos velhos quadrinhos amarelados e principalmente, ao conceito de que o homem é o centro de tudo. 

A sociedade muda, o público muda, a mentalidade (de algumas pessoas) também!
Enquanto a Capitã Marvel voava pelo céu na tela, uma mulher ao meu lado derramava lágrimas de alegria, junto a isso, um sorriso que demonstrava o tamanho da força que a representatividade possui. 
E sabe aquele sorriso, que você nerd, tanto reclamou que faltava na personagem? Estava lá, em todo tempo, mas o teu machismo não permitiu ver que na verdade as espectadoras são donas dele e não precisam provar nada a ninguém!

Toda vez que uma mulher se defende, sem nem perceber que isso é possível, sem qualquer pretensão, ela defende todas as mulheres.
Maya Angelou
Tecnologia do Blogger.