The Umbrella Academy - CRÍTICA

Heróis não convencionais e uma família disfuncional


Adaptação da série de quadrinhos de mesmo nome, The Umbrella Academy chegou no catálogo da Netflix nesse mês de fevereiro. A produção desenvolvida por Steve Blackman conta a história de 7 - de um total de 43 crianças - que nascem sob circunstâncias misteriosas de forma espontânea de mulheres que não estavam grávidas até o momento do parto. Essas 7 crianças são compradas adotadas por Sir. Reginald Hargreeves (Colm Feore), um bilionário excêntrico que as cria e treina para que, num futuro, salvem o mundo de uma total destruição. É importante destacar que essas crianças nasceram com poderes, a  - aparente -  exceção de uma delas.

A história contada pela série difere um pouco da história original de Gerard Way e Gabriel Bá (quadrinista brasileiro) onde o mundo é um bocado diferente do nosso e alienígenas e construções falantes são comuns, mas, isso não tira sua graça e sua estranheza. The Umbrella Academy é uma história de super-heróis bastante diferente do que temos visto e estamos acostumados, a começar pela abordagem da relação familiar completamente conturbada percebida já no primeiro episódio, durante o funeral de Sir. Hargreeves, e considerando também a forma de os personagens lidarem com seus poderes ou a falta deles e como isso interfere em suas questões sociais e pessoais. 


Explicar The Umbrella Academy se torna um pouco complicado visto a quantidade de detalhes e estranhezas que se pode captar no decorrer dos capítulos, no entanto, ainda assim a produção poderia ter sido melhor trabalhada em uma quantidade menor de episódios. Mais uma vez a Netflix cai no já conhecido problema de adaptações com mais episódios que o necessário. O miolo da série é bastante enrolado e arrastado e alguns arcos se tornam desnecessários e obsoletos, como uma cena de dança por exemplo, ou as constantes visitas a uma loja de donuts, o que parece uma tentativa forte da locadora vermelha de criar um ícone para a série

As atuações no entanto são incríveis e alguns personagens se destacam bastante como o número 5 (Aidan Gallagher) e Klaus, o número 4 (Robert Sheehan, Máquinas Mortais). Ah, as 7 crianças, posteriormente 7 adultos, recebem ao serem adotadas um número ao invés de um nome, e no decorrer da série descobrimos os nomes que 6 deles ganharam. A conhecida e famosa Ellen Paige também entrega uma ótima performance como Vanya, a número 7, mas segue caindo nos mesmos papéis de personagens inicialmente fracas e inocentes, que são de alguma forma usadas e posteriormente se rebelam, acaba não sendo tão surpreendente mas não deixa nada a desejar. Outros nomes que marcam a série são Tom Hopper como Luther, o número 1, David Castñeda como Diego, o número 2, Emmy Raver-Lampman como Allison, a número 3, Justin H. Min como Ben, o número 6, Mary J. Blige como Cha-Cha e Cameron Britton como Hazel, nomes que para além da atuação, marcam a série em questão de diversidade e pluralidade, já que nos quadrinhos todos os personagens são brancos. Aqui, temos negros, latinos e orientais numa composição maravilhosa em tela.




E por falar em composição, a série traz uma fotografia e um figurino muito bonito, mas o maior destaque da série é, sem dúvidas, a trilha sonora incrível. Transitamos entre Queen e Noel Gallagher e isso deixa a série leve, divertida e até engraçada em alguns momentos. As músicas escolhidas são a cereja do bolo de The Umbrella Academy, uma aposta certeira que pega o público pelo ouvido e pelo coração. 

Finalizando a trama, acabamos em uma tentativa de cliffhanger que funciona em partes. É possível imaginar o que virá e ao mesmo tempo é imprevisível se considerarmos as surpresas que a série nos entrega no decorrer dos episódios, ainda assim, o fim é bastante satisfatório e no conjunto total a obra funciona e agrada bastante. É um achado num momento em que a Netflix perde boa parte de suas produções que tratam de super-heróis. Fica a expectativa para uma nova temporada que supra essa nossa necessidade de super poderes explodindo na tela.
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