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Porque o Oscar Errou!

Em uma tentativa de inovação, a acadêmica novamente abraça o conservadorismo


No último dia 24 de fevereiro conhecemos os vencedores da nonagésima primeira edição do Oscar, um edição carregada de polêmicas já em sua organização. Presidente acusado de assédio, prêmios que seriam entregues nos comerciais, a falta de um apresentador, as canções seriam reduzidas, fora os inúmeros injustiçados em suas indicações. Mas o que nos chama atenção é a capacidade da premiação em não assumir que ainda não conseguiu se desvencilhar do que a mais distancia do grande público: O conservadorismo ao entregar as estatuetas e o preconceito com as produções consideradas mais "populares". 
Não Oscar, você não está sendo "descolado"!

Esta noite de celebração do cinema foi composta por situações surpreendentes e outras que levaram qualquer espectador mais atento ao questionamento eminente em relação as decisões da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. 
Sabemos que o Oscar nunca foi uma premiação justa com quem realmente merecia ser consagrado como o melhor em sua categoria, vide Fernanda Montenegro em 1999. Porém, não estavam caminhando para uma mudança acerca disso?

Desde o fatídico "Oscar so White" de 2014, algumas novidades começaram a surgir, nomes que nunca haviam sido cotados começaram a aparecer nas indicações, e aparentemente, um horizonte de uma nova era se aproximava dos votantes em Hollywood. Entretanto, a calmaria provisória era apenas um prelúdio do que estava por vir.

Por que o Oscar errou em 2019?

Para isso vamos analisar dois pontos interessantes do que aconteceu na última noite:

1) O Vencedor nem sempre é o Melhor: Anunciada como uma novidade, a categoria de Filme Popular seria inserida esse ano na premiação, com a tentativa de atrair um público maior. Isso levantou a discussão sobre quais seriam esses "filmes populares" e o quanto poderia soar como uma subestimação de tais produções e seus valores. Ok, categoria extinta, mas os resquícios ficaram, principalmente ao premiar Bohemian Rhapsody com a estatueta de Melhor Montagem/Edição. 
Como uma produção que possui mais de 20 cortes em menos de um minuto de cena consegue sustentar votos por sua excelência? Uma das coisas mais problemáticas desta película é justamente a forma como as cenas vão se alinhando durante a narrativa, fugindo das discrepâncias históricas e da atuação quase que automática, as sequências são mal empregadas e construídas, além do posicionamento da câmera não contribuir para os momentos, como podemos vislumbrar na cena da chuva!
Ou seja, o vencedor não é o melhor!
Neste momento tudo se mostra como uma compensação com o objetivo de tornar a premiação mais "jovem", "popular" e "inovadora", três adjetivos que não se encaixam, não se completam e não condizem com os fatos após os envelopes serem abertos.


2) O Discurso que ainda Persiste: A cerimônia, por sua vez tentou inovar sem um apresentador. Conseguiu? Sim! Tudo se tornou mais dinâmico, mais próximo e interessante. Entretanto, ao final percebemos que o Oscar não sabe ao certo que tipo de linguagem utilizar, muito menos o público que quer atingir. A sensação é que ao final, o discurso construído soou como aquela pessoa que após falar inúmeras constatações contrárias as minorias da sociedade, solta a conhecida frase: Mas eu não sou preconceituoso...
Logo em seguida, Green Book - O Guia recebe a maior premiação da noite!
Este deve ser o maior problema da celebração do cinema, uma produção que ameniza fatos da história racista e preconceituosa americana, recebe a consagração máxima, sendo que minutos antes, Spike Lee subiu ao palco para agradecer a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado, por seu relevante Infiltrado na Klan. Um filme que consegue fazer o contraste com os dias atuais e o que ocorreu na década de 70!
Sendo assim, a produção vencedora demonstra a total capacidade do Oscar em ignorar o que realmente é importante, o que realmente faz do cinema instrumento de transformação e crítica. Premiar Green Book é ter as mesmas atitudes que os personagens tiveram com o pianista interpretado por Mahershala Ali, é dizer: Você pode estar aqui conosco, mas nunca será um de nós!


Por tudo isso é um erro?

Porque se estamos falando da maior premiação do cinema, a sétima arte merece ser celebrada em toda sua potencialidade, não por compensação, não para se tornar assunto entre os usuários de redes sociais, as produções, por si só, devem gerar esse tipo reação e sentimentos.
Como a cena da praia em Roma, carregada de sentido familiar e acolhimento.
Como o discurso que abre Infiltrado na Klan e as cenas que o encerram, mostrando que a intolerância ainda persiste.
Como a performance de "Shallow", nos lembrando da capacidade de conquistar os sonhos que existem dentro de cada um.
Como Miles Morales, nos mostrando que ser herói vai além do que pensamos e escolhemos.
Como Pantera Negra, demostrando toda grandeza de um reino onde a cultura é uma arma contra o preconceito.
Sentimentos, sensações, momentos que são maiores que uma atitude conservadora que já perdura mais de noventa anos, e enquanto as reais mudanças não ocorrem, o Oscar ao menos tem um acerto, um acerto que se assemelha a triste realidade: Homens brancos discursam vitoriosos enquanto minorias ficam de lado, sem lugar de fala!

Ainda bem que o cinema não é apenas o Oscar!
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