Ads Top

Vidro - CRÍTICA

O Batman v Superman de M. Night Shyamalan



Continuações de obras que surpreendem tendem a carregar o peso da expectativa, tanto por parte dos fãs, quanto por quem realizou. Há sempre uma atmosfera de tentar superar o que foi realizado antes ou complementar os fatos que levaram aquela história inicial ao sucesso conquistado. 
Nisso, M. Night Shyamalan trazia consigo a tarefa de expandir o universo de duas ótimas produções de sua carreira, 'Corpo Fechado' e 'Fragmentado', entretanto o que deveria ser um espetáculo do suspense, em compasso ao clássico confronto dos quadrinhos de herói e vilão, não sabe ao certo que ritmo apresentar ao público para que sua trama funcione. 
E o público quer saber: Tem plot-twist?

Após um confronto entre a Fera e David Dunn, ambos acabam por parar em uma instituição psiquiátrica liderada pela doutora Ellie Staple, que se diz ser especialista em pessoas que possuem algum tipo de distúrbio que as leva acreditar que tem super poderes. Porém, naquele mesmo lugar, Elijah Price também se encontra, despertando assim seu interesse no paciente que possui inúmeras personalidades, para que então, um plano que ele guarda venha se concretizar diante de todos.

M. Night Shyamalan escreve e dirige o que podemos chamar de uma conclusão para esta "trilogia". Não sabemos ao certo se o diretor, expert em reviravoltas no roteiro, elaborou tudo isso desde Corpo Fechado, mas aqui tudo soa como se ele mesmo não conhecesse os trabalhos realizados anteriormente. 
Apesar de ter uma excelente direção de fotografia, que evoca as cores características dos personagens e também ajuda a mudar a atmosfera do local onde os protagonistas se encontram, a produção perde força assim que o primeiro ato acaba. 
Não há esforço para manter o ritmo estabelecido nos vinte minutos iniciais, e aos poucos, o público vai entrando em uma espiral de informações que se repetem, diálogos expositivos, situações didáticas e até mesmo, difíceis de acreditar. Entretanto, há um empenho para tornar as cenas de ação memoráveis. Em determinado momento, enquanto a Fera entra em confronto com alguns seguranças,  observamos tudo isso ao fundo, em segundo plano, enquanto o Senhor Vidro continua seu caminho por um corredor, da mesma forma, quando Dunn entra para o combate, há um "realismo fantástico" em seus feitos, seja atravessar portas ou golpear para demonstrar sua força.


Mesmo com as características e habilidades expostas, ainda assim a narrativa se faz entroncada em diversos momentos.
A princípio somos entregues a uma atmosfera de suspense, onde os elementos do universo de super-herói permeiam os acontecimentos, logo tudo isso muda, para mergulharmos de cabeça em uma trama psicológica, que gasta tempo tentando explicar conceitos da psique humana e até mesmo, para mostrar o dia a dia de um personagem, que servirá para conduzir o clímax da produção, só que o caminho para chegarmos a este instante, se torna moroso, cansativo. E tudo o que no começo foi estabelecido, passa a ser deixado de lado.
O roteiro se propõem a utilizar a estrutura das histórias em quadrinhos como plano de fundo para que sua história siga a mesma linha textual, com personagens que vivem aqueles mesmos acontecimentos das páginas, mas essa transposição, e até mesmo, metalinguagem, não funciona quando há preocupação maior em entregar uma revelação que soa piegas ou quando uma personagem precisa fixar seu olhar na câmera e então explicar todo o plano que acabou de descobrir. Facilitações essas que vão desde a segurança do local onde estão à uma espécie de sociedade secreta apresenta de forma abrupta, sem informações, para tentar relacionar tudo isso a um universo maior, que possa vir a ser explorado.
E em meio a tudo isso: Cadê o plot-twist?

Fugindo um pouco desta pergunta, é no elenco que a produção consegue ao menos se fundamentar.
Bruce Willis é o Bruce Willis.
Assim como Samuel L. Jackson, é o Samuel L. Jackson, mas aqui, entregando um pouco mais de convicção do que seu personagem quer.
Já James McAvoy, continua demonstrando toda sua excelência como ator ao mostrar ao público cada uma das personalidades que antecedem a Fera, apesar de que ali, pouco ajudam na trama.
E Sarah Paulson é um acréscimo louvável e interessante a narrativa, apesar de alguns pontos de sua personagem ficarem sem explicação, há um charme psicótico em sua doutora.

Vidro nada mais é que uma versão de M. Night Shyamalan para os filmes de super-heróis que conhecemos. 
Aqui, o diretor quer justamente o que as produções que agregam todos os seus personagens fazem, um grande desfecho apoteótico. Mas para isso, faltou decidir se era pra seguir a linha do suspense ou abraçar o que havia de fantástico. 
E por mais que haja a discussão se tudo aquilo é, ou não, fruto do pensamento de cada um dos seres incríveis que conhecemos nessa história, falta uma base maior para que essa ideia se sustente, falta a motivação correta, falta a exposição que culmina na insurgência dos heróis e vilões. Saímos então com a sensação de apenas uma tentativa, para algo que poderia ter sido muito mais do que simplesmente uma alegoria para o que lemos nas histórias em quadrinhos.
E o plot-twist? Bem, talvez o diretor também esteja fazendo esta mesma pergunta!

Nota: 3/5 (Bom)
Tecnologia do Blogger.