Sex Education: 1ª Temporada - CRÍTICA


Chegando como um dos mais aguardados lançamentos da Netflix em janeiro, Sex Education, criada por Laurie Nunn, conta em oito episódios a a história de Otis (Asa Butterfield) que não é um adolescente convencional. Sua mãe Jean (Gillian Anderson) é uma renomada terapeuta sexual. Por isso, o garoto cresceu em um ambiente com muita informação a respeito da sexualidade. Após chegar na escola nova e conhecer Maeve (Emma Mackey), eles percebem que grande parte dos estudantes estão com problemas relacionados a sua sexualidade e então eles tem a grande ideia de oferecer consultas para essas pessoas com base no conhecimento de Otis.

A riqueza de diversidade que a série traz é sem dúvida o maior ganho, junto com a naturalidade com que tudo é abordado, nada é forçado ou foge demais do que é a real vivência de um adolescente. E mesmo utilizando alguns clichês do gênero nada é jogado, tudo tem uma função e é contado de uma forma nova.


A descoberta sexual é a grande trama que permeia a série e praticamente todos os personagens e a série aborda isso muito bem, a exemplo do melhor amigo de Otis, Eric (Ncuti Gatwa) é gay e negro, e a realidade dele sendo mostrada pela série é de uma forma tão excepcional que não dá pra passar indiferente pelo personagem. Ainda, sua amizade com Otis é tratada com uma naturalidade absurdamente incomoda, que nos faz pensar por que é tão difícil que isso aconteça frequentemente.

Ao mesmo tempo que a série trata um ótimo exemplo de masculinidade heterossexual saudável em Otis, temos também um exemplo de masculinidade super tóxica em outro personagem. Adam (Connor Swindells) é o filho do diretor e o maior valentão da escola, além de carregar o estereótipo de bem dotado. Para o garoto manter o posto de machão é mais importante que tudo, e pra isso ele pratica bullying com qualquer pessoa que fuja um pouco do padrão que ele carrega em si, muitas vezes nem ele mesmo sabe o por que faz isso, deixando claro o quanto enraizado isso está nele e a medida que a série vai contando sua história, vemos que assim como a maioria dos personagens adolescentes o problema vem de dentro de casa.


Ainda dentro da abordagem sexual da série, a sexualidade feminina, que às vezes é tão subjugada pelo puritanismo que cerca as mulheres e como a sociedade exige que elas sejam o mais castas e puras possível, principalmente na juventude, é tratada de uma forma que mais claro é impossível. Questões como, o prazer feminino que é atropelado pelo masculino, sexo lésbico, slut-shaming, aborto, fantasias sexuais para mulheres, masturbação feminina e até a pressão estética da depilação são questionadas durante a série. Além de tudo, existe um momento lindíssimo que deixa bem claro o que é sororidade e o quanto isso é importante para as mulheres.

Sex Education  é uma dramédia teen muito divertida e cheia de reflexões sobre a sexualidade na adolescência que talvez você nunca parou para pensar, mas que esteve ali em algum momento da sua vida. Surpreende sem ser pretensiosa, dá um frescor muito bacana ao clichê “série teen” e aborda temas espinhosos de forma muito inteligente.
Sem dúvidas vai entrar pra lista de séries adolescentes para serem respeitadas!
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