Review: Fyre Festival - Fiasco no Caribe

Bate aquele receio de comprar ingressos pra qualquer evento


Imagine passar um final de semana em uma ilha paradisíaca nas Bahamas!
Um local que antes pertencia da Pablo Escobar e agora é um refúgio belíssimo, de sol e mar.
E não é só isso, todos os dias, shows acontecerão, com os melhores artistas do mundo, além de boa comida, lugares confortáveis para descansar, lanchas, jet skis e iates a disposição. Tudo isso, na companhia de pessoas famosas, influenciadores da internet e tudo o que há de mais moderno, com qualidade que um festival poderia proporcionar.
Interessado? Pois então, nada disso foi o que aconteceu no Fyre Festival de 2017, tornando uma experiência musical em uma piada internacional.

Billy McFarland, um jovem empresário e o rapper Ja Rule tiveram uma ideia fantástica para promover um aplicativo voltado para shows: realizar um festival no Caribe, com diversos artistas da música, além de modelos, personalidades das redes sociais. Porém, o que parecia uma grande jogada publicitária, se tornou o pesadelo de muitas pessoas. E assim, o documentário tenta mostrar os fatos que levaram o evento da criação ao desastre.

Chris Smith dirige a produção que estabelece três atos bem interessantes a medida que a história vai sendo contada.
De início conhecemos quem era o tal jovem promissor dos negócios, como ele criou um cartão de crédito que chamou atenção dos Millennials, a ponto de tornar o mesmo um objeto de desejo e até mesmo, um clube. Logo, os depoimentos da equipe envolvida surge em tela a cada novo acontecimento que da início a produção do festival. Os relatos vão então desenhando e dando o tom documental necessário que captura a atenção do espectador, que olhando "de fora", percebe o quão arriscado tudo aquilo estava se tornando. 
O diretor não economiza em mostrar onde estavam os erros, em enfatizar a forma exagerada que o trabalho foi realizado, mas sempre distante do personagem principal, Billy. Ouve-se pouco do CEO e mais dos empregados, o que consegue promover diversos pontos de vista de uma mesma história, entretanto sem o principal.


A narrativa desta forma cria um história que poderia ser caracterizada como: Ideia, execução e desastre.
No primeiro bloco podemos perceber que todos os envolvidos acreditavam no projeto, desde os produtores musicais até quem cuidaria do Staff, as pessoas entendiam como aquilo era importante e poderia mudar a forma como festivais acontecem. Assim, quando o projeto começa a ser colocado em prática os erros surgem de forma absurda, a falta de infraestrutura, comodidade e alimentação, deixam o espectador estarrecido como aquilo tudo pode acontecer, sem ao menos ninguém se opor de forma enérgica. Então, somos apresentados a outros fatos, como a falta de dinheiro para manter o orçamento e pagar fornecedores, levando a mudanças no fornecimento das refeições e um produtor ir realizar "favores sexuais" para que a água mineral chegasse até a ilha.
E tudo se torna ainda mais imersivo quando no ato final, alguns participantes do festival chegam até a ilha encontrando barracas em péssimo estado, molhadas, comida faltando, falta de energia elétrica e totalmente sem informações. Havia todo um projeto de marketing envolvendo influenciadores digitais para que fizessem da experiência uma propaganda, e neste momento, a trama passa a mostrar as reações desses tentando assimilar o que está acontecendo, buscando respostas e por fim, sair da ilha (algo que se torna um pesadelo quando os jovens se veem literalmente trancados dentro do aeroporto).

Talvez a essa altura, você se pergunte: como as pessoas não estranharam tudo antes de irem até as Bahamas? De forma quase que mórbida, todas as redes sociais foram manipuladas, informações eram liberadas apenas para enaltecer o festival e cada vez mais dinheiro desaparecia. 
As consequências de toda essa fraude não foi apenas na estrutura, mas nas carreiras dos produtores, analistas de sistemas, designers, empresários e músicos envolvidos. Como uma reação em cadeia, cada uma dessas pessoas foi perdendo algo ou acabou se deixando levar pela forma como Billy convencia que tudo daria certo, como eles estavam fazendo um trabalho para agradar um público seleto, porém, nada disso, o livrou da justiça.

Fyre Festival - Fiasco no Caribe é um documentário que mostra justamente um reflexo da atual geração de pessoas, consumidores que não pesquisam para onde vão, pelo o que estão pagando, se deixando enganar por outra pessoa que simplesmente almejava o lucro de maneira fácil, rápida, ostentando tudo o que podia, mas sem qualquer planejamento ou organização. 
Se a lei foi executada de maneira correta, somente os envolvidos poderão falar, sendo que alguns até hoje aguardam receber pelo serviço prestado ou pelo processo aberto contra McFarland. 
O que é mais absurdo, pouco tempo depois, o organizador do festival do fiasco no Caribe ainda tentou realizar outro "golpe" em cima das mesmas pessoas! E por incrível que pareça, algumas foram novamente enganadas.
Assim, da próxima vez que você for embarcar naquela viagem fantástica, para um local incrível, com atrações sensacionais, procure informações ou tente ao menos, levar sua própria comida!

Fyre Festival - Fiasco no Caribe está disponível na Netflix.
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