Desventuras em Série - 3ª temporada - CRÍTICA

O fim


O ano começou de forma desesperadora. Está falando de política Renata? Também! Mas hoje eu venho falar da última temporada de Desventuras em Série disponibilizada pela Netflix nesse dia 01 de janeiro de 2019. Tem uma forma melhor de começar o ano? Talvez tenha. 

É meu dever como redatora e leitora voraz fãzoca princesinha das desventuras dizer que ainda que você tenha chegado até aqui, é possível imaginar um desfecho a seu gosto e mudar a sua escolha de série caso ainda não tenha conferido a última parte desta produção. Você não vai encontrar nada além de desespero, decisões desesperadas para resolver situações desesperadoras, um vilão cada vez pior e crianças cada vez mais encrencadas. Caso tenha escolhido continuar com a leitura do texto e, consequentemente, assistir a série, bom, a responsabilidade é sua. 

A terceira e última temporada de Desventuras em Série parte exatamente daquele cliffhanger citado na crítica da segunda temporada - que você encontra aqui mesmo no site do Geek Guia - sendo os  primeiro e segundo episódios correspondentes a adaptação do décimo volume da série de 13 livros do autor Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), intitulado "O escorregador de Gelo", e os episódios subsequentes correspondentes aos livros "A gruta gorgônea", "O penúltimo perigo", e "O fim". Com isso, chegamos ao número final de 13 livros adaptados com louvor e desespero.


Neste ponto da produção, os irmãos Baudelaire já não contam mais com tutores e sim e tão somente uns com os outros - pelo menos até certo ponto - o que nos leva ao primeiro item destacável da série: O crescimento e desenvolvimento dos personagens dentro da história, fato que nos faz perceber como o tempo, apesar de passar rápido, é abordado de forma sutil e natural, algo presente também na literatura. 

Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) enfrentam aqui, tentativas - algumas bem sucedidas - de assassinato, troca de reféns em sequestros, incêndios, fungos mortais, irmãos desaparecidos e encontrados, perigos grandes e desconhecidos tsc tsc, uma Carmelita Spats (Kitana Turnbul) ainda mais irritante, muitos looks diferentes de uma Esmé Squalor (Lucy Punch) pirraçenta, ainda In e muito vingativa, e decisões extremamente difíceis, até mesmo questionáveis que precisam ser tomadas. Nossa, não consigo nem respirar.
Destaque especial para Sunny, que deixa de ser um bebê balbuciante com mordidas fortes para se tornar uma personagem de extrema importância, que toma suas próprias decisões, tem muito talento na cozinha e consegue até salvar seus irmãos que outrora a cuidavam. Sunny é a personagem que dá vontade de guardar num potinho e proteger de todo o mal.

As canções - além das originais nas aberturas - e easter eggs seguem presentes nas cenas, ainda que em menor frequência e Neil Patrick Harris oficialmente pode ser intitulado Conde Olaf Nº1, é incrível o que ele faz nessa temporada e como fica fácil dissociar o ator e seus outros papéis deste personagem dada a exímia atuação de Neil, isso sem citar ainda o trabalho de maquiagem e figurino que estão excelentes. O personagem de Harris está dessa forma, consolidado.

A série traz muitas respostas também aos questionamentos que surgiram na última temporada - segunda a propósito - mas algumas coisas ainda não foram respondidas e ainda me pergunto onde estão os supostos pais dos trigêmeos Quagmire? Essa pergunta segue sem resposta, e fica aqui meu questionamento para a produção, pois apesar de acabarmos nos esquecendo dos personagens no decorrer dos capítulos, essa ponta solta existe e não dá pra ignorar. Quanto a aparição de Alisson Williams, descobrimos que ela é, ninguém mais, ninguém menos, que Kit Snicket, irmã de Lemony Snicket (Patrick Warburton) - que é autor, narrador e aqui também um personagem presente - e o grande amor da vida do Conde Olaf, vejam só. Apesar da curta participação, Alisson honra o papel que lhe foi dado, sendo um prazer para os fãs observarem sua atuação. 

Entendemos com clareza na terceira temporada, a relação entre a família Baudelaire, a família Snicket e o Conde Olaf. É nos dado também, o motivo da cisão que acontece na organização CSC, além de entendermos a importância da família Snicket para a trama. Alguns conceitos são derrubados nesta temporada, como os de honra, nobreza, lealdade, bondade, e várias construções feitas nas temporadas anteriores, nos levando a vários questionamentos quanto ao que seriam as decisões e informações certas ou erradas, assunto muito pertinente no atual cenário político e social. Sabemos que não foi proposital, mas nunca caiu tão bem uma abordagem lúdica de assuntos contemporâneos.


Objeto de análise e reclamações constantes, a fotografia está impecável. É possível inclusive, traçar uma linha da construção da fotografia da série que vai ficando mais obscura a cada desventura, o que me faz questionar se foi proposital. Caso não tenha sido, bom, foi um acerto e tanto, acerto que me leva a outro questionamento, o dos esfeitos causados por todo o mal que é feito aos órfãos Baudelaire. Eu não estava brincando quando dizia que era melhor assistir outra coisa...

A série termina da forma que deveria terminar, seguindo com sucesso os fatos literários. A ordem cronológica, as locações, os personagens - bem como suas personalidades - tudo segue em acordo com a série de livros, até mesmo as inserções - tanto musicais quanto factuais - ornam aprendi com vovó com a escrita de Daniel Handler, no entanto, é oferecido ao público um final para além do final que se analisado de forma isolada, funciona. É o que o público deseja após tanta desventura, mas olhando pelo viés do fã que leu toda produção literária, não cai tão bem assim. De qualquer forma, isso não tira o mérito da excelente produção. 

Analisando a obra em sua totalidade, é possível dizer que o filme não consegue alcançar esta produção, ainda que tenha uma fotografia maravilhosa e atores incríveis.
A Netflix conseguiu tornar realidade o sonho dos fãs de terem uma série fiel aos livros para que chamassem de sua, e a isso, seremos sempre gratos.
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