Creed II - CRÍTICA

Então, uma razão para lutar 



Quando o filme se aproximava do clímax, era possível sentir a tensão dentro da sala do cinema. Um silêncio quase que mortal reinava, porém, ao iniciar a luta decisiva, os espectadores esqueceram que se tratava de mais uma história fictícia sendo contada, houve gritos, choro, torcida, nervosismo e ao final de tudo, todos que lá estavam saíram com uma sensação quase que única, um alívio misturado com alegria, mas não só isso, em vários momentos é possível encontrar ensinamentos que servem para vida, lições que ajudam a continuar lutando e principalmente, ter uma razão para continuar em pé! E isso, Rocky nos ensina de um jeito que só ele sabe!

Adonis Creed agora é campeão mundial de boxe pelos pesos pesados, sua carreira é um sucesso e além disso, seu relacionamento com Bianca finalmente chega ao casamento. Entretanto, uma figura do passado surge para reivindicar sua vingança e ao mesmo tempo o cinturão de Creed. Assim, na figura do filho de Ivan Drago, Viktor, o filho de Apollo irá enfrentar sua maior e mais complexa luta.

Steven Caple Jr. é quem comanda essa continuação sem a mesma personalidade de Ryan Coogler, porém consegue extrair bons momentos e acrescentar situações interessantes para a franquia.
A escolha de uma câmera praticamente estática, que se posiciona em apenas um ponto do ringue, por exemplo, deixa tudo com um toque televisivo, como as transmissões já conhecidas do esporte, uma sensação interessante, contudo, para a sétima arte era necessário um pouco mais para deixar tudo ainda mais espetacular. Logicamente, a ação e a movimentação dos atores é um espetáculo para se aplaudir em pé, pois a forma como os lutares se apresentam para os combates fazem com que o espectador fique nervoso, empolgado, torça e até mesmo imite os golpes que são desferidos. Junte isso a uma trilha sonora que mescla clássicos da franquia com uma nova roupagem, que surgem em momentos específicos, como treinamentos e até mesmo quando o protagonista se ergue no ringue, e é neste instante que a nostalgia toma conta, possivelmente levando fãs mais antigos às lágrimas.


Já a narrativa por sua vez cria uma jornada tripla sobre paternidade.
Temos a busca por prestígio com toques de vingança por Ivan e Viktor Drago, Adonis buscando uma razão para continuar lutando assim como o seu pai fez e Rocky tentando se reconectar com o filho que há tempos sequer conversava. Esses três arcos, uns menores que outros, são importantes para demonstrar a dicotomia na visão diferenciada a cerca de valores, famílias e de como se enfrentam as dificuldades que a vida apresenta. Isso rende diálogos interessantes, porém pontuais, que para nós espectadores servirão para contribuir com algum pensamento, questionamento ou novamente, fazer aquela lágrima escorrer.
Ao mesmo tempo, alguns momentos não tem força o suficiente para manter o que a trama quer propôr, principalmente por conta diálogos que acabam de uma forma entediante. Como o encontro entre Ivan e Rocky, poderia ser um verdadeiro acerto de contas, mas que soa como dois idosos discutindo na fila da padaria sobre o jogo de futebol do fim de semana.

Mas o que de fato arrebata o espectador é o elenco.
Michael B. Jordan é carismático, demonstra tanto força quanto fragilidade, ao mesmo tempo que estabelece novos elementos de uma personalidade, para um personagem, que se afasta da sombra do pai.
Tessa Thompson é uma presença doce ao mesmo tempo repleta de razão, seus momentos com o protagonista deixam claro a química que há entre os personagens, ao mesmo tempo que sua jornada particular apresenta novas nuances.
Dolph Lundgren nos apresenta um Ivan com um olhar vago porém carregado de ódio, envolto a expectativa de conseguir resgatar aquilo que foi perdido.
E Sylvester Stallone é sábio, carinhoso, imponente. O ator sabe o que fazer, como falar e a forma de agir com o seu Rocky e do seu jeito, faz das lições ministradas um momento ímpar para quem assiste.

Creed II possui uma direção simples e um roteiro que as vezes não entrega boas falas aos seus atores, mas ainda assim consegue direcionar sua história para que discurse sobre família, legado e superação. Ao mesmo tempo empolga com as cenas de ação, captando a empatia do público que anseia por um final vitorioso para o seu protagonista, sem esquecer do treinador que por tanto tempo temos acompanhado.
Quando a canção Gonna Fly Now ecoa no combate final, em meio há tantos acontecimentos que levaram este crítico ao nervosismo, aos gritos e ao choro, é possível entender que toda jornada precisa de uma luta como aquela, contra algo, ou alguém, tão indestrutível, tão imparável, que é necessário se erguer mais de uma vez, para demonstrar que quando se descobre uma razão para continuar enfrentando desafios, não se pode parar no primeiro round!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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