O Retorno de Mary Poppins - CRÍTICA

Mary Poppins retorna para nos lembrar e ensinar coisas importantes



Quando Hollywood decide mexer em clássicos do cinema é quase que impossível não sentir uma sensação de dúvida com relação ao que possa acontecer as obras originais. Pois, se listarmos as continuações que realmente se tornaram relevantes nos últimos tempos não será tão extensa quanto pode aparentar ser. E quando anunciada uma continuação para o clássico Mary Poppins esta sensação se tornou ainda mais recorrente. 
Entretanto ao entregar uma produção que evoca tudo aquilo que o primeiro longa realizou, acrescentando um toque nostálgico e ainda mais alegre, este 'Retorno' consegue encontrar um lugar adequado ao cinema, não tão importante quanto o original, mas com o mesmo teor mágico!

Michael Banks agora é adulto, pai de três crianças e viúvo, porém nada vai bem pois a Grande Depressão está trazendo tempos difíceis a todos pelo país. Assim, ao ser informado que irá perder sua casa para o banco, Mary Poppins surge para cuidar não apenas das crianças, mas dos adultos que parecem ter esquecido de como as coisas funcionam. Tudo isso embalado por canções e performances tão boas quanto a primeira aparição da babá.

Rob Marshall conduz o novo longa baseado na personagem escrita por P.L. Travers ousando tornar a sua produção algo memorável e relevante para o cânone de Mary Poppins.
Expert em musicais, a direção aqui se propõem em trabalhar música e movimentações de forma teatral, beirando ao natural, mas com a fantasia sempre presente. As ambientações são grandiosas, repletas de detalhes, demonstrando um trabalho exímio do design de produção para dar vida a época em que a história acontece. Desta forma, quando as situações fora do comum precisam acontecem, tudo se torna colorido, vibrante, com uma fotografia que vai se modificando conforme a narrativa avança e isso tem tudo a ver com as canções. Compostas por  Marc Shaiman e Scott Wittman, aqui não encontraremos nenhuma "Supercalifragilisticexpialidocious", porém algumas melodias fazem referências e até brincam com as palavras para soarem como o clássico de 1964. Só que desta vez, Marshall nos entrega a sua versão, tanto das músicas, que ganham um toque até mais ritmado moderno e não tão extensas, quanto em sua protagonista. Ao mesmo tempo, que abraça os momentos com desenhos em 2D e efeitos práticos, o que torna tudo ainda mais deslumbrante.
Entretanto, por mais que as escolhas narrativas e no comando do longa nos façam relembrar a infância, certos pontos distanciam, e muito, este do primeiro filme. Algumas soluções são didáticas ao extremo e mesmo que em compasso com uma certa surpresa, não funcionam como o esperado. Sem falar em um número que envolve boa parte do elenco que poderia ter sido reduzido em alguns minutos, destoando do resto do ritmo já estabelecido pela trama principal. 


Logo, a narrativa estabelece novas formas de atribuir ensinamentos as crianças Banks que acabam refletindo nos adultos. 
O que temos aqui é uma Mary Poppins que ao cantar uma canção e realizar um feito extraordinário, transmite uma lição que primeiro alcança os pequenos e logo faz dos adultos, os alunos que foram certa vez quando ela esteve aqui primeiramente.
A história vai percorrendo a perda, o luto, os momentos onde precisamos acreditar naquilo que é impossível em momentos onde não se há mais esperança. Nisso, o roteiro promove ao espectador mais velho um derramar de lágrimas, pois de uma maneira simplificada, a babá que tanto fez parte das sessões de filmes nas tardes de férias, surge para nos relembrar de coisas que deixamos para trás, ou que simplesmente trocamos em um mundo que está de cabeça pra baixo. 
Assim, o roteiro presta inúmeras homenagens ao original, desde sequências musicais, a participações de personagens que aqui aparentam ter maior funcionalidade para o desenvolvimento da trama, nisso, abraçando a nostalgia de fato, consegue estabelecer a tão aguardada relevância por ser uma continuação.

Parte desta relevância se dá a protagonista e seu companheiro de cena.
Emily Blunt encarna a sua própria versão de Mary Poppins, por mais que em várias sequências vejamos um toque de Julie Andrews, a atriz estabelece seu próprio estilo, trejeitos e até mesmo tom de voz, que ao ser sarcasticamente cômica, faz da sua babá uma das melhores performances em musicais dos últimos anos. 
Lin-Manuel Miranda, que é responsável por introduzir e encerrar musicalmente a narrativa, canta, dança, com um carisma particular, ao mesmo tempo que sabe como conduzir o próprio desenvolvimento de sua personagem em relação a outra no tom certo.
Já as participações de Julie Walters, Colin Firth, Meryl Streep, Angela Lansbury e Dick Van Dyke, ainda que pontuais, reiteram o quão mágica é a protagonista!

O Retorno de Mary Poppins chega aos cinemas nos últimos minutos de 2018 para nos lembrar que a magia, que nem sempre se manifesta em atos mirabolantes, está a nossa volta, para nos ensinar lições sobre esperança, perda e recomeço, lições que talvez como adultos tenhamos esquecidos. 
Com uma direção que estabelece novos rumos, além de performances musicais empolgantes, emocionantes, aliada a um design de produção impecável e uma fotografia que beira uma pintura clássica, está continuação consegue se distanciar dos temidos fracassos que tais tipos de produção acabam por sofrer, entretanto (e da maneira correta) não supera o seu original!
Se vemos novamente Mary Poppins surgir no céu, a vemos partir, e com um ato de agradecimento pessoal, fica no coração do espectador, principalmente deste crítico que saiu as lágrimas da sessão, que sempre é preciso acreditar, em si mesmo, em quem está a nossa volta nos apoiando, pois por mais que as coisas pareçam complicadas e até perdidas, nada está perdido para sempre, apenas fora de lugar, e esta lição, a babá mais incrível de todos nos tempos, nos deixa com um sorriso e uma canção!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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