Bumblebee - CRÍTICA

Um verdadeiro episódio clássico de Transformers em live action



Transformers é uma das franquias que a maioria dos espectadores "ama odiar". 
Foram cinco filmes com mais de duas horas de exibição cada, robôs de diferentes formas, jeitos, explosões, câmeras trezentos e sessenta em vários momentos, além de uma narrativa que acrescentava elementos do cânone, mas sem trazer a importância devida. Depois de todo esse emaranhado, a franquia decidiu criar um spin-off com um dos personagens mais carismáticos, Bumblebee. Seguindo o tom de aventura e nostalgia, desta vez o que temos em tela é uma verdadeira homenagem ao desenho clássico, possibilitando um novo rumo, sem a necessidade de inúmeras explosões.

Uma terrível guerra se instaurou em Cybertron, Decepticons contra Autobots, fazendo com que a tropa liderada por Optimus Prime seja enviada até outros planetas para reagrupar e tentar dar um fim nas terríveis ameaças. Nisso Bumblebee é enviado a Terra, em plenos anos 80, porém, após ser atacado, acaba perdendo sua memória e função de voz. Assumindo a forma de um fusca amarelo, o alien robô é encontrado por Charlie, que logo descobre o que seu veículo é de verdade, partindo assim em uma jornada para salvar seu novo amigo e a Terra.

A responsabilidade de comandar essa nova história de Transformers fica nas mãos de Travis Knight, que abraça uma atmosfera de aventura e deixa de lado os exageros pirotécnicos tão conhecidos da franquia. Aqui a movimentação de câmera ajuda a vermos os combates, o estilo dos robôs, a ação e o seu desenvolvimentos nas sequências. Ainda se trata de um projeto executado com um orçamento alto, entretanto, o clima faz com que narrativa e embates caminhem lado a lado. Tanto que não há desta vez aquela "poluição" de máquinas de diferentes tipos, tudo se faz necessário com no máximo três ou quatro em tela, para dar justificativa as explosões, que ainda são marcas presentes. Ao mesmo tempo o design de produção evoca tudo o que já conhecemos da década em questão, as ambientações, os veículos, posteres, tudo é colocado de forma assertiva e referencial. Isso é refletido tanto nos Autobots quanto nos Decepticons, que assumem a persona de suas figuras do clássico desenho, nisso temos máquinas mais quadradas ou arredondadas por completo, grandes, quase que estáticas, trazendo um ar mais crível a história que está sendo contada.

Por isso, temos uma narrativa que emula muito do que as obras oitentistas proporcionaram na cultura pop. A jornada de uma jovem, com uma criatura desconhecida de outro lugar, ambos precisam encontrar um rumo, ao mesmo tempo que desenvolvem uma amizade e colocam suas habilidades em ação para se salvarem. Totalmente piegas, todavia com o tom correto para gerar a saga dos robôs que se transformam no cinema, um momento de respiro. A proposta aqui é se aventurar, criar situações para que o público novamente encontre empatia por essa trama, e este objetivo é facilmente atingindo pela escolha de trabalhar com um personagem conhecido, que gera bons momentos de comédia, ao lado de uma atriz que consegue personificar todo o senso de aventurar-se pelo fantásticos que aquela década proporcionou a tantas mídias.


Logicamente Bumblebee não é todo acerto!
Por mais que as referências musicais sejam interessantes, bacanas e gerem aquela nostalgia agradável, certos elementos se tornam repetitivos. Como a trilha que muda quatro vezes na mesma sequência só pra lembrar o espectador onde estamos no tempo. Junte isso, a um segundo ato que acaba entroncando arcos e situações, que quando chegamos ao clímax, parece que delongou demais para algo tão simples, eficaz, mas que perdeu força!

Só que estes pontos não atrapalham o elenco.
Hailee Steinfeld é carismática, entende bem os dilemas que a sua personagem precisa passar e os entrega com veracidade, ao mesmo tempo deixa claro que a protagonista feminina não precisa ser hipersexualizada em nenhum momento, fazendo com que Charlie conduza a aventura através da construção que a mesma vai vivenciando durante a trama.
John Cena é o John Cena, se esforça nos momentos de atuação, faz boas colocações quando o roteiro lhe exige contar alguma piada e protagoniza boas sequências de ação.

Bumblebee é um recomeço para uma franquia que há muito caiu em descrédito pelos espectadores. Seja pela duração extensa de suas produções, pelas cenas exageradas de ação ou por simplesmente ignorar fatos da história original. Desta vez somos apresentados há uma atmosfera de aventura, que executa a ação de forma assertiva, bem coreografada e que permite ao público vislumbrar tudo o que ocorre, ao mesmo tempo, que se apoia nos elementos do desenho clássico, e de outras histórias, para traçar um possível novo rumo aos Transformers.
Entre erros e acertos da saga no cinema, não há como não se sentir criança outra vez quando assistimos a aventura do robô amarelo e sua amiga humana, é aquele velho clima da sessão de cinema a tarde, e que por mais que a história soasse como tantas outras que já havíamos visto, valia a pena assistir até o final. 
E verdade seja dita, se hoje temos um bom filme dos Autobots e os Decepticons, é porque Michael Bay começou isso em 2007 no cinema! Aceitemos! 

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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