Aquaman - CRÍTICA

Se a Mulher-Maravilha salvou o mundo com o poder do amor, o Aquaman salvou com o poder do foda-se!



Durante muito tempo um dos heróis com menos credibilidade e alvo de todas as piadas possíveis era o Aquaman. 
Graças a desenhos animados que o tornavam caricato e quase que sem "utilidade" quando junto de seus superamigos, o Rei de Atlântida foi sendo jogado de lado no panteão de deuses da DC Comics. Porém tudo isso mudou quando o personagem caiu nas mãos de Ivan Reis e Geoff Johns, trazendo novas histórias, características, dando voz a coadjuvantes, o Aquaman ganhou notoriedade e partir disso, explorado em outras mídias, até chegar ao cinema. Uma breve aparição em Batman v Superman, sua estreia de fato em Liga da Justiça, e finalmente, o seu filme solo. 
E então, é bom mesmo? Ou temos mais uma vez a DC Comics não sabendo o que fazer?

Arthur Curry defende os oceanos de diversas ameaças, ou daquelas que mais lhe convém. Ele cresceu sabendo que não pertencia somente a Terra, que sua mãe, a rainha de Atlântida, teve que deixá-lo com o pai para que não sofresse por ser um filho mestiço dos dois mundos. Porém, quando as forças do oceano decidem guerrear contra o povo da superfície, o Aquaman é o único que poderá dar um fim a tudo, ou até mesmo, unir os povos, isso com a ajuda de Mera, que sabe onde se encontra uma arma que será muito útil nessa batalha.

James Wan dirige o longa com toda personalidade que possui, trazendo um tom renovado e diferente para DC nos cinemas. 
O que temos desta forma é uma produção de aventura, que nos entrega constantemente um clima de jornada do herói em meio a situações cômicas, de ação e até, em alguns momentos, de terror. O diretor mescla as cenas de ação com uma câmera em trezentos e sessenta graus, ao mesmo tempo que enaltece a movimentações dos atores, junto a isso a fotografia colorida, vibrante, luminosa e também escura, fazem de cada sequência uma pintura em tela. Em uma delas, quando Aquaman e Mera precisam se lançar ao mar, a noite, somente com a luz de um sinalizador, a atenção e o fôlego do espectador são capturados literalmente, por tamanha beleza, e tensão, pois anteriormente houveram alguns sustos, caraterística primordial de quem comanda a produção.
Logicamente, o design de produção ganha um destaque ímpar, cada criatura, cada adereço em cena ou na ambientação carrega parte importante da história a ser contada, além de contar com um exímio trabalho de maquiagem e figurino, criando armaduras, roupas reais com toda pompa que um reino realmente precisa demonstrar.


Assim, o clima de aventura se estende até a sua narrativa.
Além de ser uma história de descoberta, de entender quem o Aquaman é e representa, somos apresentados a mitologia de Atlântida, aos seus povos, características e como tudo aquilo funciona. Nisso, a jornada se sustenta em tornar elementos, que antes eram usados para o deboche do personagem, em pontos de sua personalidade e poderes, importantes para o desenvolvimento da trama. Como a habilidade de falar com as criaturas, o uniforme clássico, a pose na hora da luta e até mesmo montar alguns determinados seres do mar. O grande trunfo deste longa é o fato de pegar algo que foi usado como piada, e tornar peça essencial para que Arthur, Mera, Arraia Negra, saiam do ponto A para o ponto B. E tudo aqui funciona, sem a necessidade de ser sombrio e realista, sem a necessidade de ir ao extremo da comédia, tudo está na dose certa, pois se trata de um rei, e isso fica claro pois tanto roteiro e direção enaltecem a posição que o Defensor dos Mares ocupa!

Porém, a produção pode deixar a desejar para alguns.
O segundo ato se arrasta um pouco em determinados momentos, algumas informações se contradizem ou são ignoradas dos filmes anteriores, porém isso não estraga a experiência do todo.
Principalmente por conta da dupla de protagonistas, que foram criticados pela falta de química entre os personagens, sendo que isso não é um incômodo.
Jason Momoa é uma "porta", entretanto, carismático, demonstrando total desapego ao que é regra, nos entrega um herói que se faz querer acompanhar, torcer e vibrar. Da mesma forma que Amber Heard nos apresenta uma Mera forte, determinada, convicta de suas escolhas, com camadas em sua personalidade e além de tudo, boa de briga!

Aquaman é uma produção que traz um ar jovial, aventureiro, dinâmico e carismático para DC nos cinemas, sai a paleta de cores cinza, entra o colorido, vibrante para engrandecer um personagem que além de herói, é rei!
Sem medo de ser caricato ou exagerado, a direção nos estrega cenas deslumbrantes visualmente, executadas com precisão tanto em técnica quanto em efeitos, mesclando gêneros e encontrando meios de inserir aquilo que era piada, de uma forma característica peculiar em seu protagonista.
Quando a sessão encerrou na Comic Con Experience 2019, estávamos todos em pé, aplaudindo, não era apenas a empolgação de mais de três mil pessoas reunidas, era constatação de que alguém finalmente entendeu quem são, e o que esses heróis representam para milhares de leitores.
Se a Mulher-Maravilha salvou o mundo com o poder do amor, o Aquaman salvou com o poder do foda-se, tornando-o assim o melhor filme dos heróis da DC até o momento!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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