Ads Top

Um certo senhor chamado Stan Lee

Um homem com grandes responsabilidades pelos seus grandes poderes


Se existe uma pessoa que expressava muito bem o que os quadrinhos representavam, este era Stan Lee. Longe das controvérsias em sua carreira, e os momentos de estranhamento com outros escritores e desenhistas, o importante é falar do grande mestre da Marvel Comics, que conseguia transcender os sentimentos de muitos, com histórias que trouxeram muito mais do que páginas coloridas, momentos de ação, heróis imponentes e vilões megalomaníacos, nos entregava a capacidade de observar o mundo com seres poderosos pela janela do nosso quarto.

Nascido em Manhattan, bairro importante de Nova York, Stan Lee desde cedo sempre desenvolveu um talento único para escrita, leitura e desenho. Filho de pai alfaiate e dona de casa, começou cedo no universo das publicações, se tornando aos dezenove anos de idade editor interino. Mas pode-se dizer que a verdadeira revolução teve início em 1950 quando Martin Goodman deu a Lee a tarefa de reaproximar os fãs dos quadrinhos da Marvel. Entretanto, a maioria de suas criações caíram no esteriótipo de herói já conhecido da época, assim, na década de 60 Stan Lee começou a trazer uma originalidade às publicações: a humanização dos conhecidos heróis. 
Os sentimentos dessas novas criações eram reais, as dores, as frustrações, os erros, e ao lado de Jack Kirb, Steve Ditko, Bill Everett ficamos conhecendo Quarteto Fantástico, Thor, Hulk, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Demolidor, Doutor Estranho, que hoje fazem parte do nosso imaginário em diversas mídias diferentes.

Essa talvez seja a grande revolução provocada por Lee no universo da cultura pop: Trazer para próximo do público histórias que vivenciamos no dia a dia. Os heróis cometem falhas como qualquer pessoa, querem desistir de suas responsabilidades, se apaixonam, perdem o interesse, colocam pessoas próximas em risco, e morrem! Todo esse movimento é o que hoje podemos tornar como exemplo a representação de pessoas nas páginas dos quadrinhos.
Os X-Men lutando contra o preconceito e mostrando os valores que possuem em prol da humanidade.
O Pantera Negra, um rei de um país desenvolvido tecnologicamente, servido de exemplos para crianças negras.
O Quarteto Fantástico, uma família cheia de habilidades, mas com conflitos que podem surgir no jantar de terça. 
Essa capacidade de identificação, de fazer com que suas narrativas gerem total empatia é que o grande mestre da Marvel nos deixou como um legado, tornando aquelas figuras emblemáticas, humanas!

Logicamente que isso se estendeu ao tão conhecido Universo Cinematográfico Marvel, onde Stan Lee sempre deu um jeito de aparecer!
Seja um entregador de cartas, um senhor bebendo refrigerante, apostando em um cassino ou dirigindo um ônibus, nós sempre esperamos quando aquele senhor de óculos escuros, cabelos e barba branca, com uma piada para dizer, iria aparecer. Ele se tornara uma marca, um selo além do que a Marvel representa. Uma película só era completa quando Lee aparecia, porquê? Porque aquilo tudo era sua vida ganhando movimento, falas, realidade. Tudo o que ele havia gerado em páginas coloridas, agora estava em ação, enfrentando desafios, salvando o mundo. O seu trabalho estava indo além do que imaginara.

E nós fomos alvos disso, se hoje podemos jogar com o Homem-Aranha por entre os prédios, se torcemos para que Os Vingadores consigam retirar a manopla do Thanos e fazemos maratonas das séries da Marvel, é porque um dia, em Manhattan, um pequeno Stanley Martin Lieber nasceu, e com ele, inúmeros universos, heróis, vilões, personagens que até hoje fazem parte da cultura pop, mas acima de tudo, fazem parte da vida de qualquer nerd.
Ele nos deixou diversos ensinamentos, sempre com um otimismo sem tamanho, que se resumia em sua exclamação conhecida: Excelsior!
Um certo senhor chamado Stan Lee nos deixou, desde ontem, está tudo apagado na torre dos Vingadores, no edifício Baxter ninguém trabalhou, na mansão X não houve movimentação, um advogado de Hell's Kitchen não atendeu as ligações, um jovem fotógrafo deixou de lado sua câmera, e todos nós, seguramos bem forte nossas revistas em mãos, lembrando que a história não acabou, há sempre uma continuidade, há sempre um legado, pois um herói de verdade, jamais morre!

Esse mundo pode mudar e evoluir, mas uma coisa que nunca irá mudar é o jeito que contamos nossas histórias de heroísmo. Nessas histórias tem espaço para todos, independente da sua raça, seu gênero, sua religião ou cor da sua pele. As únicas coisas que não tem espaço aqui são o ódio e a intolerância. Esse homem do seu lado é seu irmão, aquela mulher ali ele é sua irmã. Aquela criança passando ali, quem sabe? Pode ter os poderes proporcionais ao de uma aranha. 
Somos todos parte de uma grande família: a família humana.

Stan Lee
Tecnologia do Blogger.