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Super Drags - CRÍTICA



Podem ter petições, "abaixos" assinados e o que mais for, mas Super Drags na Netflix é uma realidade. A animação brasileira chegou na semana passada fomentando ainda mais o alvoroço que a divulgação da série já tinha causado meses atrás. Então, a primeira coisa que devemos ter em mente é que Super Drags é uma animação ADULTA, como tantas outra: South Park, BoJack Horseman por exemplo. Criada por Paulo Lescaut, Anderson Mahanski e Fernando Mendonça a série acompanha a vida de Donizete, Ralph e Patrick que são amigos e trabalham juntos em uma loja de departamento e que também mantém a identidade secreta de Scarlet Carmesim, Safira Cyan, Lemon Chifon as heroínas de Guararanhém, intituladas de Super Drags elas protegem a comunidade “LGBTQIXYZ” contra as forças da mesmice.

A narrativa da série é super ágil, não perde tempo explicando nada. São cinco episódios curtos, mas que contém MUITA informação. Talvez quem seja “fora do meio” não fique tão imerso na série, a ponto de pescar todas as referências do universo gay que são apresentadas, mas isso não significa que a animação seja exclusiva para essa público. Qualquer pessoa que goste de algo extremamente sarcástico, engraçado e principalmente exagerado irá gostar de Super Drags.

Mas como se trata do universo gay, é impossível não abordar questões da militância LGBT. Mesmo que isso seja feito em cada entrelinha do roteiro. 
Existe alguns momentos mais delicados em que a série se dedica em aprofundar algumas questões mais individuais dos protagonistas. Cada um dos personagens principais tem um episódio de desenvolvimento pessoal, Patrick enfrenta o problema de ser gordo em uma sociedade em que o padrão de beleza é o completo oposto dele, e a série vai mostrar que nem mesmo dentro da minoria que é a comunidade LGBT ele está livre desse preconceito, assim como Donizete que é negro e que além da homofobia, ele ainda tem que enfrentar o racismo cotidiano. Ralph por outro lado mostrar a dificuldade de ser aceito pela sua própria família. A série não tem muito tempo para aprofundar muito, e em algumas coisas fica um pouco vaga, mas é o suficiente para acender uma auto-reflexão.

Em questão de narrativa, por ser muito curta e ter poucos episódios o plot central é super simples e bem executado. O que mais é interessante da série é com certeza a riqueza de referência, em todo momento a série resgata alusões a As Meninas Super Poderosas, Power Rangers e Sailor Moon entre outros, além é claro de tudo intrínseco a cultura LGBT.


Existem alguns problemas que não dá pra ser indiferente, há uma relativização de assédio no primeiro episódio que a série nem faz questão de tocar no assunto novamente. Isso é muito problemático, afinal estamos falando de uma produção que já está envolvida em polêmica só por ser o que é.
Super Drags é uma série extremamente exagerada, caricata e que brinca com reforços de estereótipos. Tem alguns problemas escondidos, mas nada que invalide a importância cultural que a animação carrega.
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