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She-Ra e as Princesas do Poder - CRÍTICA

Pela Honra de Grayskull!



A década de oitenta na cultura pop é responsável por inúmeros ícones que até hoje são referenciados em diversas mídias que fazem parte desse universo de histórias.  He-Man e os Mestres do Universo é um desses ícones, e junto dele, sua irmã, She-Ra, ambos com seus programas que fizeram muito sucesso, venderam inúmeros brinquedos, tonando-se figuras inesquecíveis da infância de muita gente. Desta forma, abraçando uma diversidade étnica, aliada a um roteiro que mantém os elementos principais da história original, a nova produção da Princesa do Poder nos mostra que aquilo que acreditamos muitas vezes é só uma ponta para que toda a história se modifique e se torne ainda mais divertida.

Adora é a capitã da Horda que vive na Zona do Medo. Desde muito pequena ela foi treinada por Sombria, sob o comando de Hordak, para enfrentar e destruir as princesas, inimigas mortais que precisam ser destituídas do poder em Etéria. Porém, quando a jovem soldado encontra um lugar que pertenceu aos primeiros habitantes daquele mundo, sua vida muda completamente, e ao empunhar uma espada, invocando um velho poder, ela se transforma em She-Ra, defensora da paz e da justiça. Assim, sua vida muda completamente, e ao lados dos novos aliados, Cintilante e Arqueiro, irão se aventurar pelo planeta em busca de aliados para sua luta contra as forças que querem destruir Etéria.

Criada por Noelle Stevenson, dirigida por Adam Henry, Jen Bennett, Stephanie Stine e Lianne Hughes, os treze episódios desta primeira temporada carregam toda a nostalgia necessária para cativar antigos fãs, ao mesmo tempo que insere uma nova temática para então marcar presença entre os programas assistidos pelo público infantil da atualidade. 
Os traços são empegados com maior referência a realidade, saem os corpos sarados e hiper sexualizados, para dar lugar a figuras mais comuns com o que vemos no cotidiano. A protagonista, assim como os demais, recebe um design mais arredondado, cheio de detalhes e características que vão desde o estilo de cabelo, tom da pele, cor dos olhos, aos acessórios e vestimentas que são utilizadas. Nisso, temos um animação que abusa do colorido, da luminosidade e do brilho. Tudo se torna estonteante quando She-Ra está se transformando ou em ação, da mesma forma que os poderes de cada princesa também são expostos. 
A direção então nos entrega uma narrativa que mescla as contradições de Adora, os dilemas, os questionamentos a cerca da guerra que está lutando, assim como um humor sagaz, irônico e inesperado em diversos momentos.


Mas o grande trunfo nesta nova adaptação está justamente no que parte do título.
Ao assumir o nome "She-Ra e as Princesas do Poder" entendemos que não apenas a personagem principal carrega um dom especial para derrotar as forças do mal, e sim, todas as demais princesas que acabam por quebrar todo esteriótipo que antes se fazia tão forte, marcante, nessas membras da realeza. E aqui elas são justamente o que aquelas dos contos de fadas não conseguem ser. Cada uma possui uma personalidade, um questionamento, às vezes um trauma, que precisa ser superado, gerando assim uma aproximação maior com que está assistindo. Neste sentido, o roteiro faz bom uso da diversidade no traço, para elencar isso a personalidade de cada personagem, que vai sendo construído sem pressa, porém demonstrando total evolução, que vão desde a mudança da protagonista, até a escolha de uma das princesas com relação ao inimigo.

Neste sentido, a série animada também pode nos remeter a uma discussão já antiga dentro da cultura pop: Os remakes e o ódio que os fãs mais conservadores tendem a espalhar. Quando anunciada, a nova versão recebeu todos os tipos de comentários, principalmente aqueles que julgavam o físico da personagem principal. Essa discussão por mais que soe como piegas para alguns, esclarece muito sobre o tipo de público que habita a cultura pop: os intolerantes. 
Toda a multifacetada forma que os personagens assumiram refletem a necessidade de fazer com que o público infantil (e alguns adultos), formado por meninas e meninos, precisam se encontrar, referenciar e identificar a si mesmos quando a história começa a ser contada, pois a representatividade demonstrada vai além de um discurso panfletário, se faz essencial para espectadores que gostariam ser She-Ra, Cintilante, Felina, independente de qualquer coisa.

She-Ra e as Princesas do Poder é colorido, bem humorado, cativante e aventureiro.
Dirigido com um ritmo que certamente levará muitas pessoas a famosa "maratona de série", mesclando, adaptando e mantendo os elementos do original, a produção consegue dialogar tanto com quem acompanhou animação da década de oitenta, como aqueles que irão perceber semelhanças com Steve Universe, Hora de Aventura, Voltron, e tantos outros que trazem um discurso atual e repleto de divertimento.
Se um dia você já quis ser uma princesa do poder, não se sinta acanhada, ou acanhado, o poder, o chamamento para realizar algo que pode mudar sua vida, e de outros que estão a sua volta, está aí para todos, basta empunhar a espada correta e dar o grito que irá fazer com todo o dom escondido saia, resplandeça e transforme! 
Pela Honra e pelos poderes de Grayskull!
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