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Robin Hood: A Origem - CRÍTICA

Onde as flechas quando atingem os alvos ecoam ao som de metralhadoras


Hollywood de tempos em tempos nos presenteia com uma produção que promete recontar uma história já conhecida, atualizando elementos, trazendo para o público que ainda desconhece os fatos, novos heróis, heroínas, vilões, ambientes, tudo isso, para quem sabe, criar uma nova franquia lucrativa. E em meio há tantas tentativas e nenhum acerto, fica a questionamento de tal ação sempre acontecer e o porquê sempre gerar a mesma consequência: fracasso de público e crítica.
Desta vez, vamos para Inglaterra, verificar como ficou, nessa nova versão, as aventuras daquele que tirava dos ricos, para dar aos pobres. Aliás, pra começar, você precisa saber que até esse ponto da história caiu no velho didatismo sem qualquer motivação viável!

Robin de Loxley é um nobre que vive em Nottingham, rico, sem preocupações, acaba se apaixonando por Marian, porém tudo em sua vida muda quando é chamado para servir ao exército do rei nas cruzadas. Após quatro anos, e dado como morto, o jovem retorna a sua terra descobrindo que nada está como ele deixou. O povo sofre, o Xerife cobra cada vez mais impostos e a mulher de sua vida hoje está casada com outra pessoa. Assim, para recuperar o que é seu e ajudar a população, Robin começa uma jornada de justiça, aliado de seu novo mentor, John, para então salvar sua terra das mãos de tiranos.

Otto Bathurst é quem comanda a produção sem qualquer personalidade ou senso estético para diversos momentos. A câmera não sabe ao certo se mantém o ponto de vista em primeiro pessoa ou se volta ser estática, a montagem não estabelece uma transição temporal adequada, ao menos três telas pretas surgem durante o filme que estão ali para demonstrar amadorismo, além de exagerar nos momentos onde o slow motion é empregado. Por mais que sequências de ação possam ganhar mais peso, dramaticidade quando o recurso é utilizado de forma assertiva, aqui, não há nada disso. 
O diretor não poupa esforços para tentar modernizar uma história até mesmo em seu design produção, fotografia, figurinos (que provavelmente eram sobras de Jogos Vorazes), porém isso desconfigura tudo o que a lenda de Hood representa. Os ambientes parecem ter saído de filmes rodados em 2012, além de uma representação onde temos ruas limpas, claras, onde as pessoas são bonitas, estilosas, como um grande desfile de moda do fashion week de Paris.
Junto a isso,  edição e mixagem de som  conseguem o feito de fazer com flechas ao serem disparadas soem como um tiroteio. Tais flechas que conseguem também perfurar muros e metais mais densos.


Desta forma o roteiro não faz jus a uma história tão popular e que já foi representada de outras maneiras um tanto quanto melhores. Tal e qual "Rei Arthur - A lenda da espada" (2017) e "Os três mosqueteiros" (2011), essa revisitação ao personagem de Robin Hood e sua nova forma de explanar o porque de seus feitos é mais uma piada de mal gosto sobre a história original do que uma "origem" ainda não contada. Pois a trama apresenta personagens totalmente unilaterais, sem motivações convincentes além do mais do mesmo que esse tipo de filme tenta fugir, entretanto agrega com toda a capacidade de ser inútil. Nem mesmo a diversão pela diversão conta, assim, quando percebemos que o segundo ato irá se arrastar por mais trinta minutos, o desconforto, físico e mental se estabelece, gerando o sentimento para que aquele festival de frases clichês, situações absurdas (Nem a suspensão de descrença quis ficar na sala de cinema dessa vez) e um possível gancho para continuação, acabe o mais rápido possível!

Isso é resultado de uma direção que não sabe também comandar o seu elenco!
Taron Egerton é insípido, caricato, o esteriótipo de todos os heróis já vistos por aí, porém demonstrado de um jeito ainda mais piegas. 
Jamie Foxx certamente precisava pagar as contas.
Ben Mendelsohn quer ser Gary Oldman, mas sem o talento.
Eve Hewson ora é mocinha decidida, ora é donzela em perigo com figuro de Shadowhunters.
E alguém precisa avisar ao Jamie Dornan que a carreira de ator não é para ele!

Robin Hood: A Origem possui uma direção sem personalidade, que não sabe o que fazer com os recursos que tem, tão pouco com o elenco. Perdendo a chance de criar algo, até mesmo, subversivo com a trama proposta, que também não sabe conectar seus arcos para chegar ao clímax, e isso também vale para a montagem executada amadoramente.
Ao final tudo soa como um Jogos Vorazes, protagonizado pelo Gavião Arqueiro mais jovem, que recebeu o treinamento do Batman, para participar de um protesto na Avenida Paulista, entretanto tudo era parte de um especial de baixo orçamento de algum canal pago que queria contar uma história motivadora sobre revoluções sociais. Acrescente as flechas metralhadoras, um vilão que grita coisas inteligíveis e um novo vilão que surge sem ao menos entendermos o porquê!
É sério mesmo que os produtores acreditavam que isso seria uma franquia?
É sério que eles acreditavam no Jamie Dornan? Ninguém o viu em Cinquenta Tons de Cinza?
Quer saber? De Robin Hood, fique com a animação da Disney!

Nota: 1/5 (Não gaste seu dinheiro)
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