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O Grinch - CRÍTICA

Todos temos um pouco de Grinch em nosso comportamento quando chega o fim de ano


Quando o nome Grinch é dito, rapidamente nos vem a mente a esplêndida atuação de Jim Carrey nos anos 2000, eternizada aqui no Brasil pela fantástica dublagem de Guilherme Briggs, que criou momentos hilários para a produção, em língua portuguesa. Ainda para nós, que vivemos em terras tupiniquins, essa é a memória mais forte, até porque as obras de Dr. Seuss, tão presente na cultura literária norte-americana, aqui passam são quase desconhecidas do grande público. Assim, 18 anos depois, a Illumination decide recontar a história daquela criatura verde que roubou o natal, com os elementos que tornaram essa história clássica, porém sem o carisma suficiente.

O natal se aproxima, e em Quemlândia, todos os habitantes já estão se preparando para esta data tão importante. Entretanto, o Grinch que mora na montanha, não gosta nem um pouco desse momento do ano, para ele tudo aquilo é inútil. Desta forma, ele decide "roubar o natal" dos Quem, assim, tirando todos os presentes e alegria da festividade, com a ajuda de seu cachorro Max, colocará em prática o seu mais terrível plano.

Yarrow Cheney e Scott Mosier dirigem a nova adaptação, apresentando uma trama bonita visualmente, mas limitada em seu roteiro e construção de personagens. Toda ambientação evoca o espírito natalino de um forma colorida, vibrante, onde as luzes, design nos objetos, casas, criaturas, fazem com o que o espectador fique deslumbrado com o traço empregado, que dá movimentação para os personagens, ao mesmo tempo mantendo as referências necessárias ao material original. 
Neste sentido, os diretores optam em dar uma certa "modernizada" ao conto “Como o Grinch Roubou o Natal”, ousando em colocar certos objetos, comportamentos e falas que refletem os tempos atuais, como uma equipe de amigos sendo formada, o relacionamento de pais e filhos, ao mesmo tempo que deixam certos pontos da história de lado, que já foram explorados na primeira transposição do livro para o cinema.


Porém, nem essa tentativa de alcançar o novo público consegue estabelecer uma relação de empatia suficiente. O roteiro se organiza em apresentar as camadas necessárias para que venhamos a entender o que o Grinch está sentindo, ao mesmo tempo, da importância do natal para quem reside em Quemlândia, só que o funcionamento não é o esperado. O protagonista em diversos momentos se torna unilateral, as alterações na história deveriam ajudar ainda mais para que o espectador fosse alcançado, mas tudo se torna quase esquecível. Em paralelo, um outro arco é criado, apresentando dilemas interessantes, mas que são resolvidos de maneira rápida, chegando a ganhar um desfecho entendível quando os créditos estão subindo. Nisso tudo, quando é compreendido o porquê de tamanha aversão a data celebrada, somente um personagem se vê buscando uma transformação! E quem foi canal para aquilo ocorrer? Não seria importante apresentar uma lição aí, mesmo de forma didática?
Este é o grade problema dessa nova versão do conto de Dr. Seuss, não ser icônica o suficiente como  são as histórias do autor, principalmente por uma série de diálogos tão simplórios e uma narração, que na dublagem brasileira, faz com que as rimas, uma característica tão peculiar, não façam sentido em diversas vezes.

Junto a isso, a dublagem de Lázaro Ramos, como Grinch, é assertiva, apesar da falta de ritmo em inúmeras sequências. O ator entrega bons momentos, emprega sua voz dando uma característica mais despojada com tons de indiferença ao personagem, porém nunca chega a ser malvado e sarcástico o suficiente, além de promover aquele clássico erro da animação: mover os lábios, mas a voz sair segundos depois. Sim, é entendível que esta seja uma adaptação para uma geração mais nova, contudo o que foi feito por Guilherme Briggs jamais poderá ser removidol!

O Grinch é visualmente impecável, evoca toda as tradições natalinas antes do tempo, agradando assim crianças e adultos. A direção, fundamentada principalmente pelo design de produção, não apresenta grandes novidades, deixando assim a produção abaixo do que foi realizado nos anos 2000 por Ron Howard. 
Apesar de nos entregar elementos emocionantes, falta carisma nesse senhor amargurado pelo natal que mora no alto da montanha, que detesta as árvores decoradas, a cantoria, as manifestações de alegria, deixando assim sobressair frases de efeito, diálogos rasos e um roteiro que não utiliza bem a história original com bom humor e criatividade. Assim, o longa se torna praticamente esquecível, um tanto divertido, mas que no momento de escolher um filme sobre o natal, ainda irá falar mais alto a versão de Jim Carrey. Bonito tecnicamente, engraçado como uma animação deve ser, porém sem a importância necessária que uma memória de natal requer, tal e qual o curta metragem que dá início a produção! 
Pois se é sobre o Grinch, ninguém precisa de Minions!

Nota: 3,5/4 (Muito Bom)
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