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Bohemian Rhapsody - CRÍTICA

Espetáculo musical com ótimas performances, mas com uma direção que não faz jus ao protagonista


Lembro do meu pai ouvindo Queen na minha casa, eu era criança quando comecei a conhecer as músicas. Ele me contou sobre espetacular show que a banda havia feito no Rock in Rio, em como o Freddie Mercury era no palco, o poder que ele tinha e como fazia todos acompanhar sua performance. Os anos passaram, continuei ouvindo a banda, se tornou a minha favorita, e aquele momento que o meu pai havia relatado, eu tinha conseguido assistir, graças a internet, e a tantos outros icônicos. Assim, anos depois, duas paixões se unem na tela grande, Queen e o cinema, apesar da produção não inovar em nenhum quesito, ainda assim, para nós fãs, é um espetáculo emotivo regado a lágrimas!

A cinebiografia narra a carreira de Farrokh Bulsara, ou melhor, Freddie Mercury, do momento em que entra para banda formada por Brian May, John Deacon, Roger Taylor, o sucesso com as canções e turnês, as gravações, conflitos, aos episódios de exageros, excentricidades, romances, culminando na descoberta em ser portador do vírus da Aids, além de apresentar o clássico show no Live Aid de 1985. Tudo isso regado às músicas atemporais do Queen!

A direção, em grande parte da produção, fica a cargo de Bryan Singer, o que não traz absolutamente nada de novo para contar uma história como essa. 
Por mais que a câmera se esforce para acompanhar os movimentos do protagonista, falta o mesmo espírito de quem está interpretando Freddie nas apresentações. Logicamente, o excelente trabalho de mixagem e edição de som contribuem para que a película se torne um verdadeiro show em tributo a uma banda tão importante para música, da mesma forma, o emprego do CGI para reprisar acontecimentos, o design de produção que evoca os anos setenta e oitenta com brilhantismo, são elementos que se sobressaem mais do que quem está no comando.

A narrativa segue as fórmulas de outras histórias reais transformadas em longa metragem.
As dificuldades no início da carreira, os momentos de rejeição, a ascensão, a queda e a redenção. Tudo isso é mostrado de uma forma as vezes um tanto de didática e incômoda, fazendo com que momentos de composição se tornem algo quase que repetitivo. Há um conflito entre os membros da manda, surge a ideia pra uma letra. Um conflito, uma nova letra, e assim sucessivamente. Entretanto, o roteiro também nos ajuda a entendermos um pouco da trajetória do vocalista, seus conflitos internos, a solidão, as esquisitices e as descobertas, tanto aquelas que fizeram de Freddie o que foi, à aquela que lhe causou a morte. 

Estes momentos se devem a performance de Rami Malek! 
Não há como desgrudar os olhos quando começa uma sequência de palco, lá vemos o vocalista do Queen, vivo, uma força, uma manifestação em forma de musicalidade (Tanto que sua dublagem é quase imperceptível) e quando é preciso demonstrar fragilidade, genialidade, loucura, novamente somos presenteados com uma atuação precisa, sem caricaturas de uma personalidade tão conhecida. 


Mas entre erros e acertos, o grande momento é quando nós, espectadores vivenciamos novamente o show do Live Aid. Neste momento, meu caro leitor, peço espaço para o fã falar mais alto do que o crítico cinematográfico: Eu vi o Freddie ali, sentando em frente ao piano, começando a tocar as primeiras notas de Bohemian Rhapsody. Não era um filme apenas, eu estava tendo uma oportunidade única, assistir meu ídolo vivo, cantando, dançando, gesticulando, expressando toda a energia, a força, a figura representativa que foi para uma geração, e ainda é! Nessa hora, quando Radio Ga Ga começou a tocar, eu estava em lágrimas, assim foi até o final de We Are The Champions. Nisso minha mente saltou no tempo, voltei a ser criança, com meu pai ouvindo e cantarolando as canções de um tal Mercury, que se tornaria um baluarte do rock em minha vida. 
Quando as luzes da sala se acenderam, as lágrimas continuaram no meu rosto, pois viver um momento como aquele, que antes só havia vislumbrando por outras midas, com a emoção cinematográfica, é algo sem explicação.

Bohemian Rhapsody é uma homenagem digna a banda e ao vocalista!
Por mais que direção e narrativa tenham se mantido na zona de conforto, a qual tantas outras histórias assim já foram contadas no cinema, os fatos mais importantes estão lá, principalmente no intuito de nos transportar para época e acompanhar Freddie em suas apresentações.
O que faz o Queen, ainda ser uma das grande bandas de todos os tempos é justamente algo que é dito logo no início da película: Somos uma banda de desajustados que canta para desajustados! E um desses desajustados, que ouviu aquelas composições, passou isso para o filho, e esse filho, também desajustado, viu em Freddie Mercury um ícone de sempre continuar fazendo o melhor que puder enquanto existir vida.
Duas paixões hoje se encontraram, cinema e música, para lembrar que canções podem mudar gerações, podem representar pessoas, podem fazer quem é nada "convencional", demonstrar um poder incrível de influenciar. 
Freddie Mercury continua sendo uma lenda!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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