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Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald - CRÍTICA

Belíssimo visualmente, moroso no ritmo e problemático na narrativa



Quando anunciado que a saga Harry Potter teria uma continuidade no cinema através da adaptação de Animais Fantásticos os fãs ficaram mais do que felizes. Era novamente a chance de encontrar personagens e elementos que fizeram desta história uma das mais populares dentro da cultura pop. Um feito executado com louvor no primeiro longa de 2016. Dois anos depois, a narrativa começa a ganhar novos ares, tentando nos entregar explicações de acontecimentos que ficaram apenas no imaginário de muitas pessoas, porém, nesse esforço de explicar o porquê de várias coisas, sobraram arcos, faltou ação e principalmente os animais fantásticos do título.

Grindelwald cada vez consegue mais seguidores através de suas ações destrutivas. E isso está se tornando um problema a nível mundial. Por isso, Dumbledore vai ao encontro de Newt, pois ele sabe que seu antigo amigo está atrás de alguém conhecido do Magizoologista, entretanto, o então professor de Hogwarts, não pode enfrentar o bruxo das trevas, passando assim esta tarefa a Scamander. Para isso, Paris será o destino, não só de Newt, mas de outros velhos conhecidos e de segredos que poderão mudar o curso da aventura.

David Yates é quem comanda novamente uma história do mundo mágico criado por J.K Rowling, que assina o roteiro deste filme. 
Tudo aqui é visualmente deslumbrante, os detalhes de época, os adereços, os figurinos, a fotografia empregada com maestria que equilibra cores, luzes e escuridão, para que venhamos a perceber a magia que está em volta. Ao mesmo tempo, o emprego do CGI para as criaturas eleva ainda mais o nível da produção, se compararmos com o que já havia sido feito no primeiro filme desta franquia, há detalhes ainda mais convincentes de que aqueles animais existem. Desta forma, as sequências de ação, mesmo que pontuais, são grandiosas, fazendo bom uso dos elementos fantásticos, dos feitiços, conhecidos ou não, para que o fã mais fervoroso celebre um espetáculo luminoso, vibrante e grandioso. Nos entregando então duas sequências que capturam com facilidade a atenção do público, uma envolve uma carruagem guiada por Testrálios e a outra com toda forma pirotécnica do fogo maldito.


Contudo, esta segunda aventura de Newt sofre com um clássico problema hollywoodiano, uma sequência que tenta ser maior que o original, e neste caso, maior que sua própria saga. 
A narrativa começa por apresentar uma nova problemática ao protagonista, logo, começam a surgir inúmeros arcos, com seus próprios dilemas, problemas, que por fim, recebem resoluções rápidas, didáticas e expositivas em excesso. 
Nesse entrelaçado do roteiro, acumula-se muito tempo explicando situações que já foram trazidas ao público, perdendo então naquilo que dá nome a produção: Os Animais. Desta vez pouco se vê, poucos são apresentados, e os que ganham maior destaque, ainda assim, são meros artifícios previsíveis. E esta previsibilidade se estende a diversos personagens e seus caminhos, tornando construções do primeiro filme descartáveis, até mesmo, prejudicando certas informações que conhecemos da saga Harry Potter. Esse compêndio mágico transforma os mais de cento de vinte minutos em cansaço eminente, abraçado em um ritmo moroso e nada cativante.

Ao menos o elenco consegue mascarar a lentidão dos acontecimentos, alguns na verdade!
Eddie Redmayne continua sendo a vivacidade e esquisitice em pessoa, seu Newt apresenta novos pontos da personalidade, o que rende momentos memoráveis em tela.
Jude Law desta vez sofre do problema que Johnny Depp enfrentou no primeiro longa, pouco tempo em tela. Por mais que repita trejeitos de Richard Harrys e Michael Gambon, não há muito o que se empolgar com seus momentos. E falando Depp, finalmente é possível perceber que existe um certo talento quando bem dirigido, principalmente saindo do convencional, até mesmo fazendo com que o discurso de seu Grindelwald transmita uma carga de convencimento na medida certa.
Já Zoë Kravitz não faz por onde para demonstrar a real importância de sua personagem e Ezra Miller, que é necessário para trama, aparenta ter apenas um tipo de expressão facial.

Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald é um espetáculo visual deslumbrante, carregado de elementos clássicos da saga literária de onde saiu, mas sem o carisma necessário para se equiparar a outras histórias de seu mundo mágico. Com uma direção que pontualmente acerta na ação, mas que devido a um roteiro nada fluido, transforma a película em uma narrativa monótona e quase desgastada, ficam pontas soltas para possíveis continuações, ainda que previsíveis.
Certamente os fãs de Harry Potter terão muito com o que vibrar nas sala de cinema, pois rever Hogwarts, Dumbledore, e tantas figuras importantes, gera aquele sentimento de que aquela saga começada em "A Pedra Filosofal" ainda possui muita força. Contudo, do jeito que as coisas vão, fica cada vez mais certeira a frase dos conhecidos nomes do transporte público alternativo do Choque de Cultura: Harry Potter sem Harry Potter, pra mim é golpe!
Analisando frase e produção, há muita verdade nisso!

Nota: 2,5/5 (Quase lá)
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