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Venom - CRÍTICA

Aprendi com o Venom: Devemos perdoar pessoas, nunca confiar numa criança bizarra no corredor e que comer gente faz bem! (A forma fica a teu critério)


Havia um rapaz cuja a vida era normal, ele trabalhava como repórter investigativo, produzindo várias matérias interessantes. Até o dia que se meteu com a pessoa errada que o fez perder o emprego, o prestígio na profissão e o amor da sua vida. Porém, após um incidente em um laboratório ele foi contaminado como um tipo de "parasita" que lhe deu poderes, habilidades únicas e assim poderia fazer muito mais do que antes em sua vida.
Não, este não é o parágrafo em que relatamos a sinopse do filme, simplesmente estamos demonstrando que ao menos um elemento acima já esteve presente em alguma outra história conhecida. Ou seja, não há nada de novo aqui!

Eddie Brock é um repórter investigativo que mora em São Francisco. Sempre em busca de uma notícia bombástica ele é designado para entrevistar o líder da Fundação Vida, que estão fazendo descobertas e até mesmo indo ao espaço para ampliar os conhecimentos da humanidade. Mas o jornalista acaba cometendo um erro, e isso faz com que perca carreira, o relacionamento e prestígio na profissão. Certo dia, uma pessoa lhe fala que há algo de ruim nos laboratórios da fundação, e ao investigar Eddie entra em contato com uma criatura do espaço, um simbionte chamado Venom, que lhe dará habilidades para cumprir o seu propósito na Terra, até mesmo, salvando-a.

Ruben Fleischer entrega uma direção pautada no didatismo e em movimentações que fariam muito mais sentido no final da década de noventa, início dos anos dois mil.
Em certos momentos parece que estamos vendo uma versão prolongada dos trailers que haviam sido mostrados, o que prejudica totalmente a experiência da produção, pois, novamente, muitas coisas estão lá, expostas, o que poderá fazer o espectador soltar um grande bocejo. Mas nem tudo está perdido aqui, existe um certo charme na forma como o protagonista é conduzido para entender como a simbiose acontece, principalmente quando é necessário lutar para sobreviver. Neste momento a película ganha um tom de empolgação, que logo é cortado por falas infantis e totalmente não características do personagem dos quadrinhos.

Isso é mais um reflexo de um roteiro repleto de pontas soltas e falta de profundidade na maioria de seus personagens. Momentos onde Venom se torna um conselheiro amoroso, amigável e compreensivo nos fazem lembrar da sua representação em alguns desenhos animados para criança, porém ao transpor isso para uma outra mídia, era necessário muito mais que a repetição do pronome "nós" para causar um certo grau de descontrole quando o mesmo começa a falar no corpo de Eddie. Ao mesmo tempo, personagens são transportados para locais altamente vigiados, ao mesmo tempo que conseguem transitar livremente em instalações secretas, sem falar em uma perseguição de moto que dura o tempo suficiente para você sair da sala, ir ao banheiro, comprar pipoca e nada será perdido da sequência pelo espectador.


Mas sejamos sinceros, seria completamente simples vir aqui e destilarmos todo ódio por essa produção. Há erros de edição, o CGI é empregado de forma assertiva em alguns momentos, em outros incomoda pela falta de renderização, certas atuações são caricatas ao extremo e o senso de perigo por ameças extraterrestres parece não existir. Ok, tudo isso está lá, só que a responsabilidade também lhe pertence, meu querido nerd leitor. A indústria é alimentada pelas bilheterias que fazemos, pelos produtos que compramos, pelas feiras que visitamos, ou seja, é demagogia pura utilizar do discurso de raiva extrema sendo que esse produto é fruto, também, do que consumimos.
Talvez não tenhamos visto apenas mais um filme baseado em quadrinhos de super-herói, mas um pedido de "socorro" de um gênero que está se deteriorando e não sabe mais como contar novas histórias, por mais que sejam conhecidas de outras mídias.

Venom possui um roteiro mal estruturado, com um excesso de piadas e situações cômicas que não condizem com o personagem dos quadrinhos. Alicerçado em uma direção pouco criativa e que se empenha mais em mostrar drones explosivos, do que construir a dualidade simbionte-Eddie Brock em tela. Entre erros e poucos acertos, o filme não é o desastre que tem sido pintado em diversos lugares, apenas está na época errada. 
Se o mesmo tivesse sido apresentado lá no início dessa Era Cinematográfica dos Heróis, ele seria algo muito melhor que Demolidor, Elektra, Quarteto Fantástico. Viu só, existem coisas tão ruins quanto, alimentadas pelo nosso consumo na cultura pop, ou seja, se o longa do simbionte não fará sucesso ou fará pessoas "xingarem muito no Twitter", lembre-se de algo que é citado durante a exibição: Nós somos Venom!

Nota: 2/5 (Regular)
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