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O Mundo Sombrio de Sabrina - CRÍTICA


Depois de vários trailers, teasers e uma divulgação que de certa forma prometia uma série completamente sinistra e macabra, O Mundo Sombrio de Sabrina, uma das séries mais aguardadas do mês de outubro chega na Netflix
Na série, Sabrina Spellman, vivida pela carismática Kiernan Shipka, é uma jovem meio-bruxa que no seu aniversário de dezesseis anos deve abdicar da sua vida humana ao assinar o seu nome no livro da besta, assim se tornar uma bruxa de corpo e alma, mas esse dilema não é tão “simples” quanto parece, pois para ela, desistir de seus amigos e seu namorado é algo incabível e isso vai lhe render aventuras tenebrosas.

O Mundo Sombrio de Sabrina é uma adaptação de uma história em quadrinhos de mesmo nome da Archie Comics, que também é proprietária de outra história adaptada, Riverdale, por tanto as duas estão inseridas no mesmo universo. Tanto Riverdale quanto O Mundo Sombrio de Sabrina são do mesmo criador/desenvolvedor,  Roberto Aguirre-Sacasa, e também a maior parte dos produtores estão envolvidos nas duas séries, devido a isso as existem muitas semelhanças, algumas mais sutis, outras mais evidentes como o uniforme das escolas e isso ainda deixa clara a intenção dos idealizadores da série de expandir cada vez mais esse universo compartilhado, mesmo que as duas séries sigam caminhos um pouco diferentes.

Em Greendale, cidade onde se passa a história de Sabrina, toda a ambientação é muito oitentista. 
Os cenários, os figurinos conversam muito com esse período. porém os produtores tiveram o cuidado especial de não deixar claro exatamente se a série se passa no passado ou no nosso presente. Esse ar oitentista ganha muita força também quando a série começa a abordar questões de empoderamento feminino, mesmo que seja uma série onde as mulheres tenham sempre o maior destaque em todos os momentos, a maior parte dos personagens homens que são muito machistas e também são aqueles que detêm o poder, mesmo que simbólico e isso flerta muito com essa época, apesar de vivermos momentos difíceis aqui no presente mesmo.


Já é marca do criador da série, deixar em sua produções muitas referências a filmes de terror. Em Sabrina, ele faz isso muito bem. As referências vão desde filmes clássicos, passando por séries icônicas e chegam até a contos de terror inesquecíveis. Existe um episódio inteiramente dedicado a o clássico O Exorcista de William Friedkin e que vai além de uma simples homenagem, tem um tom muito saudosista. Em outro episódio, um dos costumes das bruxas é claramente baseado no costume da comunidade esquisita interiorana, descrita por Shirley Jackson no conto de horror “A Loteria”, que aliás é autora do livro A Maldição da Residência Hill, romance que também ganhou uma série pela Netflix. Além dessas existem muitas outras.

Além de todas a referências a ficção de horror, existe também muita referência ao satanismo. Como prometido no trailer, a série não nos poupa desses momentos “anticristãos” e provavelmente as pessoas um pouco mais religiosas se sentiram verdadeiramente ofendidas com isso. De qualquer forma essa foi a proposta da série desde o primeiro momento e vale enfatizar ainda que O Mundo Sombrio de Sabrina não tem qualquer semelhança com a série de noventa e seis, além dos personagens.

E se tratando de personagens, a série é muito assertiva. A começar pela família de Sabrina, as tidas Zelda e Hilda interpretadas respectivamente pelas incríveis, Miranda Otto e Lucy Davis juntamente com o primo Ambrose vivido pelo estreante Chance Perdomo, juntos trazem o núcleo de alívio cômico da série. As irmãs têm personalidades polarizadas, uma é amável e gentil enquanto a outra é fria e amarga e isso faz com que a relação das duas seja muito divertida, mas ao mesmo tempo a o instinto materno das duas em relação a Sabrina é algo admirável. Ambrose é como um conselheiro/mentor para a garota, assumindo o que muito podem perceber o que era o papel do gato Salem da série cômica dos anos noventa. Falando em Salem, o gato, aqui tem um papel de pet mesmo, porém carrega um elemento mais sombrio.


As amigas humanas de Sabrina, Roz (Jaz Sinclair) e Susie (Lachlan Watson) estão envolvidas a princípio em questões mais próximas a realidade, como o empoderamento feminino e machismo. A relação de Sabrina com o namorado Harvey (Ross Lynch) é algo que deixa tudo ainda mais difícil, impossível não torcer pelos dois, dentre todas as adversidades. As irmãs estranhas, lideradas por Prudence (Tati Gabrielle) comprem seu papel de oferecer um antagonismo um pouco mais saudável para Sabrina.
Mas o destaque mesmo fica com Kiernan Shipka, que dá vida a uma Sabrina extremamente carismática e rebelde, que impõe suas opiniões e aquilo que acredita ser o correto, em alguns momentos até demais, ela é de fato uma personagem muito envolvente e excelente protagonista. Outra personagem que se destaca é Sra. Wardwell (Michelle Gomez) que serve como uma espécie de mentora para Sabrina de uma forma um pouco controversa, ao mesmo tempo que ela quer que Sabrina se torne uma bruxa poderosa ela apresenta um caminho contrário aos valores morais e éticos da garota.

A primeira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina cumpre tudo o que promete e executa muito bem a proposta. Se tornando assim uma série muito promissora do catálogo Netflix. 
Com a segunda temporada da série já encaminhada, o que nos resta é aguardar ansiosamente o retorno da versão ainda mais sombria de Sabrina.
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