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Nasce uma Estrela - CRÍTICA

Nasce um clássico em Hollywood!


Ally, personagem de Lady Gaga está prestes a subir no palco, a câmera acompanha sua entrada e logo começa a canção La Vie en Rose. No mesmo ambiente, ali próximo, está Jackson Maine, personagem, do também diretor, Bradley Cooper. A medida que a canção ganha forma através da voz da atriz, não é um número inicial, é "aperitivo" do que está por vir, e assim os olhos do protagonista começaram a irradiar um brilho, o mesmo acontece na expressão de Gaga quando observa o espectador inusitado na plateia. A canção termina e o que temos então é o nascimento de clássico executado com toda capacidade de emocionar.

Ally é uma jovem que trabalha como garçonete em um restaurante, ao mesmo tempo que se apresenta em um clube a noite, dona de uma voz espetacular nunca conseguiu mostrar o talento que possui, até o dia que seu caminho cruza com o do astro da música, Jackson Maine. O que começa como uma paixão, se torna uma parceria no palco, porém inúmeros percalços começam a surgir para que a estrela de Ally venha brilhar em definitivo.

Bradley Cooper é quem comanda a produção fazendo o que as versões anteriores da história não tinham conseguido fazer, empolgar! 
O diretor escolhe planos onde as expressões dos atores são o que importam quando a música começa a tocar, as sequências são verdadeiros espetáculos de entrega sonora. Ao mesmo tempo que nos dá em diversas vezes a perspectiva em primeira pessoa, nas situações de pisar no palco de um show lotado pela primeira vez, apresentações na televisão e até receber um prêmio, é o sentimento do personagem que conduz a atenção. Da mesma forma elabora sequências onde a trilha sonora serve para impactar, como numa complicada cena envolvendo o protagonista, a câmera vai se aproximando ao mesmo tempo que o corredor vai se estreitando, deixando um clima claustrofóbico, acompanhado de uma percussão que causa total desconforto e apreensão. Essa capacidade imersiva na direção facilita ainda mais que o espectador se emocione com a narrativa que trabalha uma dualidade incrível, fazendo uma brincadeira metafórica com o título do longa.


A trama então consegue criar duas histórias diferentes, mas que se completam e dialogam com facilidade. Ascensão e queda se fazem presentes no roteiro, que demonstra a capacidade do ser humano de conquistar seu espaço com um talento inigualável, ao mesmo tempo que sacrifícios e mudanças se fazem necessárias para atender um mercado que exige muito de quem esta disposto a adentrar esse ambiente. Em contrapartida, vemos as limitações, a perda e destruição de algo que não é mais da mesma forma, a ponto de chocar com o clímax que a história nos leva.
Desta forma, longa também critica o meio musical, com suas excentricidades e obrigações, junte isso, ao aspecto humano que sempre sobressai em tela, demonstrando que as pessoas que vemos muitas vezes no palco, não aparentam suas reais necessidades.

E tudo isso é fortalecido pelas atuações.
Lady Gaga é uma manifestação artística ambulante. Quando está nas sequências musicais não há como deixar de fitar suas expressões e sentir-se abraçado pela música. Ao mesmo tempo que perambula pela narrativa com uma atuação leve, comprometida, demonstrando a transformação que a personagem sofre, além de uma entrega quando é preciso emocionar o público.
Bredley Cooper é tão bom diretor quanto intérprete nesse longa. O astro que interpreta poderia ser um clichê de diversas histórias que ouvimos de bastidores, mas o ator apresenta camadas necessárias para que venhamos criar empatia e antipatia pelo seu Jackson Maine.
Por fim, Sam Elliott, ainda que pontual, se faz presente como um fio condutor para a dramaticidade e coerência nos momentos importantes do longa, impondo uma presença quase que mítica em tela.

Nasce uma Estrela é emocionante, cativante, musical e triste!
Conduzido de forma magistral, roteiro e direção se unem para criar uma clássico que consegue encaixar números musicais em uma história que já foi contada outras vezes, mas nesta versão carrega uma personalidade ímpar, tanto de quem está na cadeira de diretor, quanto de quem protagoniza a trama.
Se em "Shallow" as lágrimas caem pela sensação de ver Ally no palco, podendo expressar todo o talento que possui, em uma canção de sua autoria, nada prepara o público para o desfecho, que mais parece ser o início da carreira da estrela que se cria no percorrer da história. 
Para os fãs de Lady Gaga é um show inédito de quem já fez história na música internacional, para os fãs de cinema é uma trama que evoca produções consagradas para falar de trajetória, fama, queda e continuidade. Assim, música e cinema provam mais uma vez uma parceria inigualável! 

Nota: 5/5 (F*DA PR# CAR@LH%)
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