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Hilda - CRÍTICA

Um universo onde a fantasia é sua amiga aventureira


O olhar de uma criança para o mundo a sua volta é sempre peculiar e inusitado. 
As situações, que para nós adultos podem parecem perigosas, terríveis durantes suas brincadeiras, para elas são mais um desafio a ser superado. E nisso, Hilda abraça esse espírito de ser uma aventureira ao lado do que é fantástico, para lembrar o espectador que é necessário sair de sua zona de conforto para encontrar um outro lugar cheio de novas possibilidades. Ao mesmo tempo que diverte e entrega inúmeras referências a mitologia.

Hilda é uma menina que mora com a mãe na floresta, é amiga de diferentes criaturas, principalmente da sua inseparável corça-raposa. Após um incidente com sua casa, ela e sua mãe vão morar na cidade próxima. E assim, tudo será novo para Hilda, além de novas aventuras, amizades e o ato de se encaixar num ambiente diferente, serão algumas descobertas que a menininha de cabelo azul fará.

Andy Cole dirige a adaptação da Graphic Novel criada por Luke Pearson com muito cuidado, delicadeza e um toque mágico. Os traços são conduzidos quase que como uma pintura, valorizando também o que foi feito nas páginas, já que determinados quadros parecem ter sido simplesmente transpostos para série. A narrativa, praticamente episódica, faz com que o espectador descubra aos poucos traços da personalidade da protagonistas e dos demais que a cercam. O que fará com que adultos e crianças criem uma relação de empatia quase que automática.
Ao mesmo tempo, cada trama é repleta de elementos fantásticos e criaturas conhecidas, mas apresentadas com a peculiaridade do desenho do autor. Trolls, elfos, gigantes, pássaros lendários, são alguns seres que são encontrados por Hilda, e cada um traz mais um momento mágico e engraçado para história, como o Homem de Madeira, que sempre entra na casa da protagonista sem bater e sem querer conversa.


Neste aspecto, a animação que é infantil também abre espaço para alguns questionamentos e momentos que farão o espectador, principalmente adulto, mais atento pensar. Como quando Hilda questiona os métodos de ensino na escola que está matriculada, a forma como lida com os medos, o fato de nunca julgar antes de ao menos conhecer e saber o que está acontecendo. São lições apresentadas de maneira nada apelativa ou panfletária. De uma forma muito sútil essas colocações surgem em tela acrescentando mais do que simplesmente um desenho sobre ser destemida e heroica.
Há toda uma jornada de descoberta de si mesmo aqui presente do que qualquer outra coisa, pois tudo começa com a atitude de sair de onde tudo é próximo, conhecido, sabido, e adentrar um mundo até então "normal" para as demais pessoas, mas completamente diferente pra Hilda. E nisso a série nos ensina o quanto muitas vezes precisamos abraçar o espírito de aventura que habita dentro de cada e assim vivenciar coisas inesperadas.

Hilda é uma animação infantil com um toque adulto em suas lições sutis.
Realizada de forma magistral, os traços, a fluidez dos movimentos, os tons de cores que ora brincam com sépia, azulado e alaranjado, dão toque ímpar as cenas e aos personagens. A direção valoriza e enaltece o material original, trazendo novos momentos, mas mantendo a essência aventureira da personagem principal e de sua narrativa.
Quando criança nunca fui muito explorador, mas com o tempo, quando se vira uma "criança-grande", esquecemos de pequenos detalhes importantes, deixando de lado, muitas vezes, nossos ânimo para coisas novas, desafiadoras e fantásticas. Assim, a maior lição que Hilda nos deixa é de sempre abraçar a aventura que nos cerca, olha para o diferente buscando entendimento e de nunca sentir-se acovardado diante do medo. Parece um clichê grandioso tudo isso, mas é sempre bom lembrar!
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