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Halloween (2018) - CRÍTICA

Ao todo foram 16 mortes confirmadas, várias escoriações e a certeza de um retorno digno


No momento em que Michael é visto pela primeira vez após quarenta anos, um jornalista tem em mãos a tão conhecida máscara que amedrontou e causou pesadelos em inúmeras pessoas. Logo, todos que estão a sua volta começam a se manifestar, gritos, movimentações, medo, uma atmosfera de tensão se cria no local. O repórter ainda com o objeto em mãos tenta fazer com que o maníaco tenha alguma reação, ou diga algo, mas o que há a sua volta é toda a resposta que ele buscava: Michael Myers é uma força da natureza que afeta todos que estão próximos.

Quarenta anos após os ataques que causaram um terror inexplicável no dia das bruxas, Laurie Strode ainda vive com receio do que possa acontecer. Seu irmão, o maníaco Michael Myers ainda está vivo, e desta vez consegue um meio de escapar do hospital psiquiátrico e pretende terminar o que começou há anos atrás. Porém Laurie está preparada para o derradeiro confronto, principalmente para manter sua família a salvo dos horrores que viveu quando adolescente.

David Gordon Green emula muito do que Jonh Carpenter fez em seu clássico de 1978, sem precisar exagerar, com uma assertividade que honra os personagens. 
Marcando presença, as movimentações longas de câmera e as sequências que quase beiram planos estendidos, mostram que há um ponto de vista quase que sufocante em determinados momentos, onde a tensão vai se criando a medida que vemos o transitar o assassino. 
Novamente, e homenageando diversas cenas da franquia, Michael está na silhueta entre roupas no varal, no reflexo da janela, na sombra que passa pela cozinha, na imagem do espelho. O diretor trabalha bem o conceito de que o seu maníaco não vai ser detido facilmente e que as vítimas não tem capacidade para enfrenta-lo, já que se trata de um ser quase que sobrenatural. Desta forma, as mortes são brutais, sangrentas, sem economia de deixar tudo mais grotesco e desconfortável possível, méritos da maquiagem e design de produção que remodelam ataques dos filmes clássicos, mas com um tom ainda mais perverso, e também criam situações angustiantes ao som de pescoços quebrando e empalamentos, tudo isso aliado a uma fotografia soturna, que pesa a mãos nos tons frios, escuros, com uma luminosidade lúgubre e amedrontadora.  


A perversidade também se arrasta na narrativa.
Laurie apresenta camadas e uma personalidade plausível por conta dos acontecimentos do passado, o que faz com que esqueçamos momentos desastrosos da franquia (Halloween IV, V, VI, H20 e Ressurreição), ao mesmo tempo que nos aproxima de seu frágil relacionamento com a filha e neta. Toda sua preparação para o combate recebe uma descrença que chega a incomodar, já que o espectador sabe a capacidade de causar sofrimento do algoz que está a solta. E quando o roteiro faz o encontro que tanto se aguardava no cinema, de uma maneira decente, o que temos são duas grandes manifestações pela sobrevivência reunidas, principalmente movidas pela vingança e senso de justiça.
Logicamente, a trama possui suas pequenas discrepâncias, como um namorado que não serve para contribuir com nada no arco de Allyson, ou um pai que tenta se impor em momentos que não cabiam uma frase do personagem. Entretanto, a atmosfera de tensão é quem ganha destaque graças ao trabalho de contar a história através de um novo momento. Por mais que para alguns existam coisas que podem causar mais terror que Michael, quando o bicho-papão começa a se movimentar ao som de sua trilha sonora, novamente temos o medo ganhando forma e praticamente imparável.

Halloween evoca o que há de melhor do clássico de Jonh Carpenter fazendo um trabalho sem a necessidade de aumentar demais certos pontos.
Violento, sangrento e desconfortável, os ataques de Michael ganham nova forma, mas mantendo o que há de melhor em sua jornada de causar pânico por onde passa, o clima de perigo a qualquer momento e descontrolado. Ao mesmo tempo que temos o retorno de Jamie Lee Curtis, nos mostrando que ser Rainha do Grito também requer altas doses de coragem e sangue frio.
Renovar uma franquia nunca é um trabalho fácil, pois Hollywood tem um histórico de grandes desastres, principalmente quando o gênero do terror e seus clássicos são alvos dessas novas formas de apresentação, só que nesta película encontramos elementos que podem e devem ser mantidos para que o legado de uma obra que inovou o cinema de terror se mantenha vivo. Assim, o dia das bruxas novamente recebe uma noite de terror, que provavelmente está longe de chegar ao fim.
Continue tendo medo do bicho-papão!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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