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Elite - CRÍTICA


Desde o primeiro momento Elite me chamou atenção! 
Talvez fosse pela conotação nostálgica que a série já apresentava em seus primeiros pôsteres e teasers: quem foi adolescente na época de Rebelde sabe do que eu estou falando. Mas depois do primeiro trailer, a tarefa de me fisgar foi concluída com sucesso. O mistério incluído como plot na história de jovens ricos da Espanha, não tinha como ser uma perda de tempo (pra quem gosta de histórias teen), mesmo que fosse ruim no final das contas. Porém não tem como, Elite consegue superar todas as expectativas que uma série teen pode entregar.

De Carlos Montero e Darío Madrona, Elite conta a história de três jovens que são transferidos com uma bolsa de estudos para uma escola de Elite chamada Las Encinas, depois de um “terrível acidente” em sua escola antiga. Com a chegada deles, o ecossistema social daquele lugar muda de forma drástica e o ápice é a morte de um dos jovens, e isso vai fazer com que tudo evolua de uma simples trama adolescente para algo bem perturbador.

Nos primeiros minutos já dá pra perceber a inspiração em How To Get Away With Murder e até mesmo na mais recente Big Little Lies, principalmente na estrutura da narrativa. Não saber quem morreu e principalmente quem matou é um plot muito empolgante e que de fato prende a atenção.
Não sei se a série se classifica inteiramente como uma série “Teen” apesar desse ser claramente o público alvo. Mesmo na netflix a classificação indicativa da série é de dezoito anos, talvez seja por conta das intensas cenas de sexo, que me faz pensar que tipo de adolescente tem uma vida sexual tão ativa quanto aqueles?! Outras tramas, como intolerância religiosa, bullying, bissexualidade e até mesmo AIDS - que é um tema pouco explorado em séries, principalmente teen - fazem com que Elite seja um pouco mais adulta que outras séries adolescentes convencionais.


Elite foi uma das poucas séries da Netflix que eu não senti nenhum filler dentre os oito episódios, todos eles se complementam de alguma forma. Entretanto senti falta do roteiro explorar mais a investigação do assassinato, tudo acontece muito rápido nos episódios finais, me passou a sensação de incompetência da equipe de investigadores, principalmente no ato final da série. Mas a construção das relações dos personagens fazem com que a gente não sinta tanto isso.

O grupo de protagonistas é muito interessantes e bem construído. A série começa te apresentando eles como simples clichês de tramas adolescentes, como o popular bullie, a mean girl, a nerd, o gay dentro do armário, o tímido, a garota problema e por aí vai. A medida que a série vai explorando cada um dos personagens a trama toda vai tomando uma direção muito avessa ao normativo, apesar deles carregarem os estereótipos, eles são mais que isso. Esse pessoalmente foi um ponto fora da curva dessa série, começamos assistindo a série odiando alguns personagens e gostando de outros e ao decorrer da série essas definições vão se invertendo.


Existe um certo repúdio a séries com essas temáticas mais adolescentes, como se elas não fossem importantes ou boas o suficiente. Até mesmo quando uma série acima da média como Elite aparece as pessoas continuam subestimando essas histórias, como fazem com a vivência dos adolescentes nas escolas, seus traumas e sofrimentos, como se também não fosse algo para se levar a sério.
No final existe um cliffhanger para um próxima temporada, que já foi confirmada pela Netflix. 
O que é muito bacana, afinal, além do plot do assassinato - não tão bom. - que tecnicamente já foi concluído, temos personagens e outros temas muito interessantes para ser abordado em outras temporadas e principalmente personagens instigantes o suficiente para acompanhar, o que não acontecia a muito tempo em séries “teen”.
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