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Demolidor: 3ª Temporada - CRÍTICA

Nunca antes na história da Marvel na Netflix, um herói apanhou tanto


Um fato inegável das séries da Casa das Ideias na Netflix é que Demolidor se tornou a melhor produção do gênero, deixando seus companheiros Defensores, muito aquém do que poderiam ter realizado em suas temporadas. Não é atoa que alguns cancelamentos aconteceram, pois os heróis usados não atingiram o sucesso esperado e muito menos o nível de empolgação causado pelo Demônio de Hell's Kitchen. E assim, o tão aguardado arco A Queda de Murdock ganha sua adaptação nesta terceira temporada, demonstrando a todos os outros seriados baseados em quadrinhos existentes, do serviço de streaming ou não, como é possível contar uma boa história, violenta e cativante.

Matt acorda após o desabamento do prédio onde estava com Elektra. Repleto de machucados, ele passa ser cuidado pela freira Maggie, que já o conhece dos tempos de criança, pois o advogado cego está no lar onde viveu sua infância. Porém, ele sabe que algo de errado ainda está por vir, e na figura de Wilson Fisk, que consegue se livrar da prisão, o Demolidor passa a ser o principal alvo da trama de vingança do Rei do Crime, mas isso inclui também seus amigos e novamente, o domínio da cidade.

A temporada tem a direção de Marc Jobst, Lukas Ettlin, Jennifer Getzinger, Alex Garcia Lopez, Julian Holmes, Stephen Surjik, Toa Fraser, Alex Zakrzewski, Jennifer Lynch, Jet Wilkinson, Phil Abraham e Sam Miller. Apesar de muitos nomes no comando, existe uma sincronia muito grande em dar continuidade em tudo que é feito desde o primeiro episódio, mas principalmente em resgatar elementos que acabaram ficando de lado na segunda temporada da série. 
Os combates se tornam ainda mais viscerais, difíceis, fazendo com o protagonista apanhe muito, ao mesmo tempo que execute os golpes com assertividade, precisão, desta forma, o espectador sente a dor, o peso e o impacto do sofrimento do Demolidor, principalmente por deixarmos de lado ninjas, figuras com um tom sobrenatural, abrindo espaço para antagonistas mais próximos da realidade proposta nesta temporada. Um dos auges desse quesito é um plano sequência de quase dez minutos envolvendo Matt dentro de uma prisão, a forma como o trajeto é contado em tela torna o senso de perigo real, constante e quase distante de uma finalização agradável para o protagonista.
Sendo assim, a movimentação de câmera que valoriza as sequências de luta, dá destaque quando algum personagem necessita entregar a dramaticidade necessária. Diálogos recebem closes que deixam figuras ameaçadoras e também fazem com que alguns expressem total vulnerabilidade. E esse caráter de excelência técnica, expresso em um episódio que todo realizado em preto e branco simbolizando as lembranças de um personagem, se faz presente do início até o desfecho, e pela primeira vez comprovando a necessidade, neste caso, de treze episódios.


Tudo isso, com uma narrativa que soube abraçar com carinho elementos de um arco tão importante do Demônio de Hell's Kitchen. 
Logicamente, não é possível transpor literalmente as páginas, mas inúmeras referências estão lá, desde os problemas de Karen, a dor de Matt e seus questionamentos a cerca da religião, a ascensão de Fisk perante a sociedade, tudo isso recebe um tratamento que sabe encaixar perfeitamente o enredo na proposta que a Marvel tem para este universo, até mesmo com cenas extraídas dos quadrinhos, com pequenas mudanças. 
A trama vai demonstrando assim as perdas de um herói, tanto psicológicas, quanto físicas, e o quanto é fácil corromper, mudar opiniões a cerca de algo que até então parecia totalmente errado. Entretanto, a queda não está relacionada apenas ao protagonista, cada um está a beira de algo, por isso, os arcos dos coadjuvantes ajudam a construir toda a história principalmente, a medida que conhecemos mais de suas personalidades, passado, pois tudo isso tem relevância para os caminhos que o roteiro pretendia traçar, apesar de algumas repetições desnecessárias (Que não estragam a grandiosidade da temporada).

Demolidor, terceira temporada, é o auge das séries Marvel em um serviço de Streaming, uma ode a adaptações dos quadrinhos realizada com maestria. 
Desde a construção narrativa, com personagens que recebem novas camadas e percepções, à uma direção que não economiza na violência, no gore, com uma precisão hollywoodiana quando o quesito é ação, temos a melhor representação das páginas em uma nova mídia, que pode ser equiparada ao Cavaleiro das Trevas e Vingadores, no cinema, que ao mesmo tempo respeita o material de origem.
Se ao final dessa história para alguns, tudo volta a normalidade corriqueira e esperada, este é o desfecho necessário, aquele final que refresca a alma do espectador e dá um lapso de esperança aos personagens, mesmo sabendo que o perigo ainda vive, está próximo, podendo ser preciso e letal.
O Homem Sem Medo continua protegendo a todos, mas desta vez percebemos que o mesmo agora sabe que o medo pode ganhar outras formas e até mesmo vir de onde menos se espera, tendo a capacidade de abalar aquilo em que se acredita. Pois um rei não perde seu trono com facilidade, e às vezes, a queda maior é apenas o resultado de um breve momento de calmaria em pé.
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