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Castlevania: 2ª Temporada - CRÍTICA

Inúmeras referências aos jogos não livram a temporada de um desfecho enfadonho



Uma controvérsia primeira temporada é o que a Netflix apresentou para a adaptação dos jogos Castlevania em formato de série em animação. Quatro episódios, uma rapidez em apresentar a mitologia e uma repetição de informações incômodas. Então, segunda temporada chegou com o dobro de episódios, adentrando ainda mais a história que os games já tem contado, entretanto permeando um caminho arriscado ao tentar realizar um trabalho narrativo coerente. Importante é sempre lembrar que nem só de referências se vive uma produção.

O exército de Drácula já dizimou boa parte dos humanos das terras da Wallachia. Logos os generais, fieis ao senhor das criaturas das trevas se achegam ao castelo para enfim arquitetarem as novas ações, levarando ainda mais destruição e morte. Ao mesmo tempo, Trevor Belmont e Sypha, aliados a Alucard, partem em uma jornada para encontrarem meios de derrotar de uma vez por todas as bestas que trouxeram morte às pessoas.

Sam Deats, Spencer Wan, Adam Deats dirigem os oito episódios desta segunda temporada, o dobro do primeiro ano da série, mantendo a mesma qualidade. 
Os ambientes continuam imponentes, da mesma forma que a fotografia continua trabalhando com pouca luminosidade, deixando a atmosfera de trevas, desesperança e sofrimento ainda mais evidente. Os traços continuam fluídos, trazendo novas características além de acrescentar no design dos novos personagens. Os generais de Drácula, são representados de diferentes regiões e raças, o que aumenta ainda mais curiosidade sobre cada um, graças as características físicas apresentas pelo desenho. Há também um cuidado nas sequências de batalha, onde as movimentações são rápidas, mas impactantes e viscerais, não há economia nas demonstração de sangue, membros dilacerados, ou seja, a brutalidade continua presente.
Desta forma, os episódios finais também prestam um serviço excepcional no quesito trilha sonora, onde faixas conhecidas dos games vão ganhando presença, forma e aumento a medida que o momento derradeiro da história se aproxima.


Porém, é em sua história que este novo ano de Castlevania perde força!
Por mais que a construção dos novos personagens seja assertiva e acrescente até certo ponto na trama, Carmilla é uma antagonista plausivel, Hector e Isaac tem funcionalidade, camadas que quando explicadas estabelecem um curso interessante para cada um, nada disso consegue fazer com que a narrativa fuja de um ritmo lento e quase que descartável por longo seis episódios. 
Os protagonistas então, são deixados de lado, para que a cada momentos sejamos entregues a diálogos expositivos, flashbacks incessantes e um turbilhão de clichês. Sem contar nas formas de expandir determinados elementos, como os poderes dos vampiros, que em alguns momentos soam mais como mutantes dos quadrinhos, ou uma arma importante para ser usada por um Belmont, que é manuseada poucas vezes, pois o confronto que interessa só ocorre no penúltimo episódio. 
E este clímax é tratado de forma tão abrupta que nada se aproveita para enfim dar uma conclusão derradeira ao roteiro estabelecido na primeira temporada, como se não bastasse, ainda somos entregues a um episódio final que se torna um "gancho" extenso, enfadonho, que beira o vergonhoso em alguns pontos.

Castlevania, segunda temporada, explora ainda mais os elementos da franquia de jogos, mas sem a capacidade de empregar isso de uma forma coesa.
Por mais que a direção continue assertiva nos quesitos técnicos, elevando o nível gráfico em alguns momentos, trazendo melodias presentes nos games, não há a mesma qualidade no desenvolvimento da narrativa como um todo. Pois existe um cuidado em apresentar determinados arcos, mas o que se espera ver, acaba sendo deixado de lado e quando utilizado, é empregado de forma rápida, fazendo com que não seja sentido o impacto apresentado.
Ao final, a história poderá ganhar novos rumos, novos antagonistas e heróis, entretanto, o que é preciso ter em mente, quando produções como essa ganham forma, é que as referências são importantes, interessantes e empolgam, só que elas em si, não sustentam narrativas, não fazem personagens progredirem, muito menos firmam uma obra como algo que realmente valha a pena acompanhar.
Quem sabe isso seja ajustado em uma terceira temporada? Quem sabe?
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