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Um Pequeno Favor - CRÍTICA

Na receita de hoje vamos juntar Desperate Housewives, Sex and the City e Garota Exemplar, com muito humor ácido feminino



Paul Fieg é daqueles diretores que transitam entre diferentes gêneros para dar o espaço que é devido as mulheres em histórias predominantemente masculinas. Ao mesmo tempo, o humor utilizado de forma sarcástica e direta faz com que o clima de certas narrativas se transforme a medida que o diretor vai nos contando os fatos que aconteceram com as personagens, e este é o caso!
Pois, como é dito, todos temos um lado sombrio, mesmo que seja empregado entre uma risada e outra, regado com um bom martíni.

Stephanie é uma mãe dedicada, para alguns até demais, que se divide entre cuidar do filho pequeno e sua vida de vlogueira repleta de excentricidades. Até o dia que conhece Emily, uma mulher com uma vida muita diferente da sua. Logo as duas começam uma amizade que é construída a base de troca de segredos e bebidas ao fim da tarde. Porém em um determinado dia, Emily desaparece, o que fará com que Stephanie vasculhe o passado da amiga para talvez descobrir o que realmente aconteceu com a mesma, sem saber do que lhe aguarda nessa jornada.

Paul Feig nos entrega um suspense abraçado na comédia sem pudor e preocupações em parecer canastrona ou cafona. O diretor nos entrega uma narrativa construída a partir do que é dito, intercalado com imagens de flahsback, fazendo com que o espectador escolha em qual história depositará a sua fé. No que é contado pela personagem ou pela cena que está em compasso. 
Tudo com uma movimentação de câmera que transita por entre os espaços, principalmente pela casa de Emily, deixando os momentos em que a história acontece nessa ambientação ainda mais imponentes, tal qual a personagem que lá reside. Ao mesmo tempo, o design de produção e figurinos fazem bem o trabalho de contrastar as personalidades das protagonistas. Um é a mãe doce, dedicada, meiga e multitarefas, a outra, uma executiva de sucesso, ora sarcástica, ora cruel.


E é este contraste que faz da narrativa um trunfo na produção.
A medida que vamos nos aprofundando nas personas em tela, fica claro que nada é o que parece, que as histórias contadas não estão tão carregadas de verdade assim, e que todos tem um lado sombrio que querem ou não demonstrar. Desta forma, os acontecimentos se tornam enigmáticos e engraçados, estranhos e ao mesmo tempo divertidos, rompendo com a necessidade de uma trama misteriosa seguir sempre pro lado soturno e triste. Feig escolhe desenvolver sua história com bons momentos de humor, onde os comentários tecidos sobre a vida, experiências sexuais e acontecimentos mantidos em segredo, se tornam parte das piadas, ao mesmo tempo que ajudam a construir os elementos para uma investigação que sabe bem como apresentar uma reviravolta.
Entretanto, esse ato de transitar entre humor e mistério talvez incomode um pouco em determinados momentos. Como no segundo ato, onde a história perde um pouco de força ao deixar uma das personagens em segundo plano, fazendo com que a protagonista do momento não consiga sustentar sozinha o ritmo da narrativa.

Neste caso estou falando de Anna Kendrick! Tão conhecida do cinema de humor, a atriz repete o que já fez diversas vezes em outras produções cômicas de forma peculiar, mas por mais que haja um novo tom para sua doçura em Stephanie, quando a mesma precisa sair da zona de conforto falta verdade e sobra uma performance quase que automática nesses instantes. Diferente de sua companheira de cena, e que deveria ter ganhado mais tempo em tela, Blake Lively. Com todo charme, elegância e um tom quase que arrebatador, a presença de Emily é quase que palpável, o que nos remete a comparações à Amy de Garota Exemplar, em diversos aspectos psicológicos.

Um Pequeno Favor é uma comédia de suspense ou um suspense com comédia? Quer saber? Fica ao critério do espectador. 
Temos então uma produção que modifica um gênero de uma forma sútil, carregada de piadas maldosas e situações absurdas afim de construir uma trama que irá prender a atenção, como um bom mistério deve fazer. As vezes parece exagerada, as vezes cafona, em alguns momentos sem sentido, e isso tudo faz parte dessa trama adaptada por Paul Fieg. Que ao final irá nos mostrar que todas as histórias tem inúmeros lados, pontos que não foram contados e se foram, existem possibilidades de não terem sido da forma correta.
E se isso tudo fosse uma das receitas de Stephanie, certamente carregaria um tom agridoce, com toques ácidos, cruéis, envoltos em uma longa risada bem emitida!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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