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Review: The Purge

12 horas de violência, 3 histórias diferentes e uma narrativa que funciona em série


Nos últimos anos é costumeiro que produções cinematográficas adentrem o universo das séries de televisão. Algumas conseguem manter um bom ritmo, boas atuações, outras não honram o material original e se tornam mais um problema do que uma continuidade da história contada em longa metragem. Uma Noite de Crime, que começou aos moldes de filme independente, ganhou duas continuações, e a terceira está para estrear nos cinemas, demonstra no seriado baseado na franquia de assassinatos liberados para se manter a paz em um país, que é possível permanecer com elementos principais de sua narrativa. Principalmente a sobrevivência.

Mais uma noite de expurgo irá começa nos Estados Unidos, mas desta vez as coisas serão diferentes para duas pessoas e um casal. Miguel precisa encontrar sua irmã que entrou para uma estranha seita que tem por intenção se oferecer para que a matem nessa noite de violência. Jane, uma executiva que possui um segredo que envolve o seu chefe e uma capanga no dia dos crimes. Por fim, Joe e Jenna, um jovem casal que se vê convidado para uma festa de ricos e poderosos entusiastas do expurgo, colocando suas convicções e escolhas à prova.

Produzida pela Blumhouse Productions, a narrativa mantém todos os elementos marcantes dos filmes, principalmente dos dois primeiros da franquia para ao menos contar a história de Jane de Miguel. O que há de novo, é justamente o ponto de vista de quem conhece e está ao lado de pessoas que querem ver o expurgo acontecer, o caso de Joe e Jenna. É interessante esse misto no roteiro pois somos entregues a reações, distantes em espaço, mas que se conectam a medida que as histórias vão sendo contadas. Apesar do recurso corriqueiro de flashbacks, a produção consegue manter um ritmo assertivo ao contrastar três locais diferentes, a rua, com todos os tipos de malucos a solta; um edifício, fortemente guardado, mas com pessoas que começam a se demonstrar estranhas; uma mansão, repleta de pessoas de "de bem" que só quer ver seu país "limpo" (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência). 

A direção de ambos os episódios sabe lidar com o novo material sem deixar os aspectos que construíram os roteiros dos filmes. Cada arco vai sendo construído aos poucos, e os diretores entendem a necessidade de aproximar a câmera na face dos sobreviventes quando um crime é cometido, quando alguém suspeito transita em uma sala, ou até mesmo quando se descobre algo no computador do chefe. Ao mesmo tempo, estão lá as máscaras conhecidas da franquia, o visual que beira baixo orçamento, os veículos customizados, as ambientações fortemente bloqueadas, tudo conforme as outras produções já nos apresentaram.


Mas estender aquilo que é contado em uma hora de quarenta para quase dez horas de produção pode ser o grande erro por aqui. Jane ainda não deixou clara qual sua motivação, Joe e Jenna não demonstram sequer química ou preocupação real com o lugar onde estão, deixando claro que as pessoas maníacas são menos perigosas do que a mulher que participou com eles de uma experiência sexual. E nessa leva de tentar contar coisas novas a cada episódio, a inserção de um reality show durante os momentos em que Miguel está na rua procurando sua irmã é interessante, porém logo é descartada em menos de cinco minutos de sequência.
Além disso, por se tratar de um programa para televisão temos uma dose de violência reduzida, onde as sombras dos agressores se encarregam de transmitir o que está acontecendo.

The Purge em seus dois primeiros episódios transmite todo senso de sobrevivência da franquia aliado a uma crítica política e social dos costumes norte-americanos. A narrativa possui um ritmo crescente, sempre apresentando novas situações de sobrevivência, arquitetando os mistérios e abrindo espaço para o crescimentos dos personagens. Entretanto, a rapidez ao contar e mostrar certos momentos pode prejudicar a continuidade da história, ao mesmo tempo deixando uma brecha para que a história venha a mostrar o que já foi visto nos filmes.
Doze horas para sobreviver pode não parecer nada quando se está a mercê da violência desregrada e nisso, a série consegue um grande acerto, mostrando que o ser humano, quando habilitado a fazer o mal, dedica-se de todas as formas a cumprir o seu papel. Seja na rua, num edifício empresarial ou em uma festa, o expurgo irá acontecer! Deus abençoe os pais fundadores! 

The Purge é transmitido no Brasil pela Amazon Prime. (Importante ressaltar que não há legenda ou dublagem nos episódios)
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